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Há 42 anos, Itália conquistava seu terceiro título da Copa do Mundo

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Time italiano de 1982

A Itália já vive mais um grande jejum sem conquistas mundialistas, na verdade estando até mesmo há duas edições sem sequer jogar a Copa do Mundo, mas essa história não é algo inédito na trajetória da Azzurra no futebol. Numa grande parte de sua existência, a equipe da Bota viveu um jejum de quase 45 anos sem conquistar uma Copa do Mundo, situação essa que se encerrou em 1982, num 11 de julho como hoje, quando os italianos venceram a Alemanha por 3 a 1 e conquistaram seu terceiro título mundial na Espanha.

A Itália não entrou necessariamente como uma das favoritas naquele mundial, apesar de ter um bom time. A campanha da Azzurra na competição foi inclusive bastante claudicante. Na primeira fase, a equipe se classificou empatando os 3 jogos que fez. Ficou no zero com a Polônia, tomou o 1 a 1 do Peru e o mesmo placar contra Camarões, em dois jogos onde perdeu a vantagem. Na segunda fase de grupos, avançou ao vencer a Argentina por 2 a 1 e ao bater o Brasil, que jogava pelo empate, por 3 a 2, na histórica batalha do Sarriá. Nas semis, bateu os poloneses por 2 a 0.

Já a Alemanha Ocidental, adversária na decisão, fez uma campanha mais concreta. Perdeu para a Argélia por 2 a 1 na estreia, mas bateu o Chile por 4 a 1 e o empate de 1 a 1 com a Áustria acabou classificando as duas seleções. Na segunda fase, ficou no zero com a Inglaterra e venceu a Espanha, dona da casa, por 2 a 1, para então chegar as semis e bater a França nos pênaltis por 5 a 4, após um belíssimo 3 a 3 no tempo normal.

A decisão, no Santiago Bernabéu, foi curiosamente apitada pelo brasileiro Arnaldo César Coelho. Num primeiro tempo de muita disputa, onde a Alemanha criou primeiro com Littbarski e Cabrini perdeu um pênalti, a etapa inicial ficou em zero. O primeiro gol da azzurra veio de Rossi, aos 12 minutos, aproveitando rápida jogada do time e marcando de cabeça. O segundo gol veio aos 24', quando a equipe italiana rodou a bola, atordoou a defesa tedesca e após uma tabela rápida de Conte e Scirea, o segundo rolou para Tardelli marcar. Aos 36', Altobelli, lenda interista, marcou o terceiro, num contra-ataque italiano. Breitner fez o de honra da Alemanha, que nada mudou no jogo.

Com a vitória, a Itália garantiu sua terceira taça e quebrou um jejum de 44 anos sem Copas do Mundo, já que havia ganho pela última vez no distante ano de 1938. A Azzurra entraria então em outro jejum, que foi quebrado em 2006. Desde então, a Azzurra viveu uma decadência surreal, tendo dado sinais de sobrevida ao vencer a Eurocopa de 2021, mas voltando a viver momentos ruins recentes, com a não qualificação para a Copa de 2022 e a campanha fraca na última Euro.


A Alemanha, por sua vez, seguiu forte, e foi finalista em 1986 (perdeu para a Argentina) e em 1990 (campeã, em cima da Argentina também). Entrou também num hiato de 24 anos sem títulos a partir de 1990, fazendo porém algumas campanhas muito boas nesse meio tempo (vice em 2002, semifinalista em 2006 e 2010). Também foi campeã da Eurocopa em 1996. Este ano, caiu nas quartas de final. 

Destaque individual daquela conquista, Paolo Rossi viveu uma decadência na carreira após o título mundialista e virou de certa forma "persona non grata" no Brasil, o que curiosamente mudou muito em décadas seguintes, já que fez uma grande amizade com Zico e criou um grande carinho pelo país, virando posteriormente um queridíssimo convidado em programas de entrevistas e participando até de campanhas relacionadas ao Maracanã pouco antes de sua morte, em 2020, sendo vítima de um câncer de pulmão.

Mesmo com arbitragem duvidosa, Brasil busca empate com a Espanha no Bernabéu

Por Lucas Paes
Foto: Rafael Ribeiro/CBF 

Rodrygo e Rodrigo disputam bola

Apesar de uma atuação fraquíssima da arbitragem, que marcou dois pênaltis duvidosos, um deles aparentemente inexistente, o Brasil buscou o empate com a Espanha no apagar das luzes e ficou no 3 a 3 com a Fúria no Bernabéu. O duelo ocorreu no início da noite desta terça, dia 26. Os gols brasileiros foram de Rodrygo, Endrick e Lucas Paquetá, enquanto a Espanha marcou com Olmo e Rodri, duas vezes. O jogo também contou com atuação espetacular do excelente Lamine Yamal.

O Brasil vinha de uma boa vitória sobre a Inglaterra, por 1 a 0, em amistoso realizado em Wembley, na estreia do treinador Dorival Junior. Já a Espanha enfrentou a Colômbia, na última sexta-feira, e acabou derrotada pelo placar mínimo.

Diferente do jogo diante da Inglaterra, o time da Espanha começou melhor no jogo, atacando mais e tendo um pênalti a seu favor aos 11 minutos, numa jogada de Yamal. Rodri bateu bem e abriu o placar em Madrid. Aos 15', Yamal fez ótima jogada mas chutou para fora. Aos 16', o Brasil chegou pela primeira vez, com Rodrygo fazendo ótima jogada e rolando para Vini chutar nas mãos de Simón. Aos 20', a Fúria chegou de novo, com outra jogada de Yamal, que rolou para Willians soltar para Ruiz chutar por cima. 

O ritmo da Espanha diminuiu no final meio do primeiro tempo, mas com pouco sucesso também do Brasil quando conseguia sair, com a Espanha ainda oferecendo muito perigo quando atacava. Foi assim que o time da casa chegou ao segundo gol, aos 35', num passe de Yamal para Olmo dar dois lindos dribles e marcar o segundo. Quatro minutos depois, o Brasil diminuiu num erro bizarro de saída da equipe da casa que terminou num gol de cobertura belíssimo de Rodrygo. Na sequência, Rodri só não fez o terceiro pois Neto pegou. 

A etapa final começou insana: primeiro o Brasil quase se complicou na saída, mas já na sequência roubou e criou um contra-ataque na bola de Endrick para VInicius Júnior, que chutou mal e na sobra a batida de Paquetá passou pertíssimo da trave. Na sequência, a Espanha assustou num chute poerigoso de Rodri para defesa fora. . No escanteio, Carvajal pegou a sobra e bateu para Bento defender. Aos 4', o Brasil deixou tudo igual: Paquetá bateu escanteio, a zaga afastou, mas Endrick pegou a sobra e marcou. 

O Brasil quase chegou ao terceiro logo na sequência, numa linda jogada individual de Rodrygo, que chutou na trave. O jogo era muito mais aberto no segundo tempo, com a Espanha também chegando com perigo várias vezes. Aos 20', numa dessas trocas de ataque, Beraldo tentou de longe após jogada individual e mandou por cima. A Espanha ainda tinha mais posse. Aos 28', Yamal fez outra ótima jogada e o chute de Olmo parou em Bento. 


O Brasil deixava mais a bola com a Espanha na metade final do segundo tempo, apostando nas saídas em contra-ataque. Aos 39', a Espanha tevem ais um pênalti a seu favor, numa divida de Carvajal com Yan Couto. Outro pênalti mal marcado em favor dos donos da casa. Rodri marcou o terceiro. Aos 46', Douglas Luiz acertou lindo lançamento e Paquetá parou em Unai Simón. Aos 49', Carvajal derrubou Galeno na área e o juiz marcou pênalti, o mais claro do jogo até ali: Parquetá marcou e fechou o marcador. 

O Brasil volta a campo no dia 8 de junho, em amistoso contra o México, em local a ainda ser confirmado, em preparação para a Copa América. Já a Espanha tem um amistoso contra Andorra, em 5 de junho, com local ainda a ser definido também, antes da estreia na Eurocopa.

O futebol as vezes é justo e consagra - Pela sexta vez, a Europa é do Liverpool

Por Lucas Paes

Salah, outro predestinado, marcou o primeiro gol da final (Foto: AFP)

O futebol as vezes é implacável, cruel e duro, mas as vezes é justo, extreamente justo e coroa times que merecem entrar na história. Madrid hoje recebia mais uma vez uma final de Liga dos Campeões da Europa, dessa vez no novo estádio do Atlético de Madrid, o Wanda Metropolitano. E ele, tão novo, já viu a história, viu a consagração, viu a coroação e o fim de um calvário: o Liverpool, com muita justiça pela campanha, talvez nem tanta pela partida, é pela sexta vez campeão europeu. O jejum de títulos acabou e o peso nas costas dessa geração também. Klopp, tão preciso em montagem de elenco, agora está consagrado. Hoje a noite não vai acabar em Liverpool.

O Liverpool passou por momentos muito complicados nos anos recentes e vem renascendo. Fez na Premier League uma campanha absurda, que acabou ultrapassada pela mais absurda ainda campanha do Manchester City. Na Champions, o time teve momentos claudicantes e só chegou ao mata-mata devido a uma defesa história de Alisson, mas foi chegando, até o milagre de Anfield, os 4 a 0 sobre o Barcelona, a história foi contando seus traços, desenhando suas linhas para que a consagração viesse.

Seu adversário, o Tottenham, eliminou a sensação do torneio, o Ajax, com uma partidaça de Lucas Moura, outro renascido das cinzas. Nunca houve uma final com tantos motivos, dos dois lados, para querer a taça. Só que não seria justo um time que fez tudo o que esse Liverpool fez sair de mãos vazias da temporada. Ao mesmo tempo, não seria justo com uma torcida tão sofrida mais uma página triste. Só um podia sair com a taça. Só um.

Diante de toda a expectativa, a final foi até meio brochante. Com menos de um minuto, Mané jogou a bola na mão de Sissoko, que bobo deixou os braços escancarados dentro de sua área: pênalti, polèmico, controverso, talvez inclusive mal marcado e convertido por Salah, que acabou tirado da final ano passado naquele lance com Ramos. Poucos tinham tantos motivos para marcar na decisão. A vantagem, com um minuto de jogo praticamente, era do Liverpool, a consagração estava mais próxima, mas não viria sem uma dose cavalar de sofrimento, principalmente na segunda etapa.

Porque o primeiro tempo foi um jogo ruim, na mais sincera palavra. Quase nada aconteceu depois do gol. O Tottenham tinha a bola, mas não conseguia criar muito. Os Reds, quando com a bola, sofriam para sequer conseguir arrrumar uma jogada. Era uma atuação sofrivel de ambos os lados, com ambos irreconhecíveis. Sem grandes momentos de tensão, tirando um chutaço de Robertson pelo lado vermelho, a vantagem era do Liverpool, que passaria por provações no segundo tempo.

A etapa final foi de sofrimento, o Spurs continuava pressionando, mas chegava melhor agora. Lucas Moura, criminosamente deixado no banco, entrou e deu outro folego a partir da metade da segunda etapa. Alisson, expectador durante uma parte da partida, fez diversas intervenções, evitou gols de Son, Lucas, Eriksen, justificou, mais uma vez porque é o titular da Seleção Brasileira, para qualquer brasileiro que não entendeu porque o Liverpool pagou tanto dinheiro por ele. 

A pressão chegou a ser insana em alguns momentos e parecia que o destino reservava algo para Lucas, que jogava bem. Mas, no começo da etapa final, entrou um tal de Origi no Liverpool, no lugar do ainda sem ritmo Roberto Firmino. Discreto, porém predestinado, predestinado tal qual esse time do Liverpool, predestinado como Jurgen Klopp, predestinado como Alisson, como Van Djik, como essa camisa que tantas vezes venceu jogos sozinha, como essa torcida que nunca deixou o time caminhar sozinho, como o Anfield que tantas vezes ganhou jogos como um décimo segundo jogador. A bola subiu e sobrou no pé do belga, que chutou no cantinho, estufou as redes e definiu o título.

Klopp, tão bom, tão competente em montagens de times, se cosagra com o erguer da taça por Henderson, o sucessor de um tal de Gerrard. As derrotas do alemão nas finais foram sempre dolorosas e hoje parece que ele, assim como o time aprendeu. Nem sempre se joga bonito para vencer, as vezes é preciso ter experiência, ter sangue frio, que o Liverpool mostrou de sobra nessa final. Frieza como Origi, que explodiu o grito que não vai silenciar tão cedo pelas margens do Merseyside. O Hexa veio, e veio para Liverpool.

A sensação é que é só o começo desse time que já está na história. John Henry, um dos proprietários do Liverpool e da FSG, que administra o clube, já falou que vai tirar o escorpião do bolso para ganhar a Premier League. O peso do jejum de títulos, que fez clara diferença contra os Reds tanta vezes, acabou. Talvez seja apenas o primeiro levantar de taças de um time eterno. A Europa que se preocupe e a Inglaterra que estremeça, pois parece mais claro que nunca: o Liverpool voltou. 

O Curioso do Futebol

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