Iarley assumiu o comando do clube no dia 10 de fevereiro, sucedendo Alessandro Telles
O São Luiz oficializou neste domingo (27) a saída do técnico Pedro Iarley, que estava à frente da equipe desde fevereiro. A decisão foi tomada em comum acordo entre as partes, após o time acumular duas derrotas nas primeiras rodadas da Série D do Campeonato Brasileiro.
Iarley assumiu o comando do clube no dia 10 de fevereiro, sucedendo Alessandro Telles. Durante seu período à frente do São Luiz, conquistou a vaga para a Série D de 2026 e levou a equipe ao vice-campeonato do Troféu Farroupilha. Ao todo, foram 76 dias de trabalho.
No Brasileirão Série D, o São Luiz de Ijuí foi derrotado na estreia pelo Azuriz, em casa, pelo placar de 2 a 1, e na segunda rodada pelo Barra, por 3 a 0, na cidade de Itajaí.
Em nota oficial, a diretoria do clube agradeceu a dedicação do treinador. “Agradecemos ao profissional pelo comprometimento, dedicação e profissionalismo demonstrados durante o período em que esteve à frente do nosso clube. Desejamos a ele sucesso nos próximos desafios de sua carreira.”1
O ex-atacante Iarley foi um dos mais célebres jogadores surgidos no futebol cearense. Revelação do tradicional Ferroviário nos anos 1990, o ex-meia atacante passou por diversos clubes ao longo de sua carreira, com histórias mais marcantes pelos "rivais" Internacional e Corinthians, além de dois bons períodos no Goiás. Ele, que completa seus 50 anos neste dia 29, também passou pelo Boca, durante um dos períodos mais gloriosos da história xeneize.
Iarley chegou na Bombonera na metade do ano de 2003, depois de chamar a atenção do lendário Boca de Bianchi na classificação sofrida do time argentino diante do Paysandu, nas oitavas de final daquela Libertadores. Chegou ao time campeão da América com a oportunidade de vestir a camisa 10 que um dia havia sido de Diego Maradona, sendo um dos poucos brasileiros que atuaria com a camisa do Boca ao longo da história do clube.
Estreou diante do Gimnasia y Esgrima no Campeonato Argentino. Neste jogo especificamente entrou como meio campista, num time que jogou com uma dupla de ataque formada por Tevez e Schelotto. Marca seu primeiro gol diante do Racing, no Cilindro de Avellaneda, em uma goleada por 4 a 1 aplicada pelo Boca.
Variava de nível entre suas atuações no clube, mas se mantinha como titular pois era peça importante no ataque e meio de campo. Viveu seu grande momento com o time quando marca um gol numa vitória por 2 a 0 contra o River Plate, sendo seu gol um belíssimo lance onde cortou o zagueiro e mandou para as redes. Foi talvez sua melhor atuação com a camisa xeneize. Entraria num jejum de gols depois disso, mas impressionava pelo bom futebol apresentado, com dribles e jogadas criadas.
Estava em campo na final do Mundial de 2003, em que o Boca vence o Milan nos pênaltis por 3 a 1, onde acaba sequer cobrando uma penalidade. Naquela altura, já era campeão do Torneio Apertura pelo time azul e amarelo. Em 2004, perde um pouco de espaço no time, jogando esporadicamente, voltando a marcar em uma partida diante do Olimpo por duas vezes, sendo uma das últimas com a camisa do Boca. Seu último jogo é justamente a derrota para o Once Caldas na final daquela Libertadores.
Encerra sua passagem pela La Bombonera com seis gols marcados em 36 jogos com a camisa do Boca. Na metade de 2004, foi negociado com o Dorados, do México, de onde ficaria por pouco tempo antes de desembarcar no Internacional. Ficou em atividade até 2014, quando pendurou as chuteiras no Ferroviário, do Ceará.
Foto: Vinícius Schubert / @vinicius_schubert / FC Santa Cruz
Iarley foi apresentado nesta terça-feira
Pedro Iarley foi apresentado oficialmente como técnico do Santa Cruz na noite desta terça-feira, 6, véspera da partida contra o Internacional no Estádio dos Plátanos, em Santa Cruz do Sul, pelo Campeonato Gaúcho. A bola rola a partir das 21h30 nesta quarta-feira, 7.
Campeão da Libertadores e do Mundial em 2006 pelo Internacional, Iarley disse que é movido a desafios. Por isso, aceitou o convite para treinar o Santa Cruz. Aos 49 anos, o cearense terá uma nova experiência após passagens por Garibaldi e Chapecoense sub-20.
“Encontrei um grupo qualificado, com variações e opções. Volto a ser preto e branco, como fui no Ceará. Vou defender o clube com unhas e dentes. Precisamos mostrar uma boa impressão. No primeiro jogo, temos que mostrar a cara, ter um pouco de ousadia em casa”, destacou.
Iarley comentou que é amigo de Paulo Henrique Marques, o treinador anterior. Ele fará adaptações, como maior compactação e maior pressão na saída de bola do adversário. “Será uma sequência de trabalho. Tenho muito respeito pelo trabalho do Paulo. Mudei algumas peças por enquanto porque já conheço. Treinamos algumas movimentações e procurei dar confiança aos atletas”, explicou.
Questionado sobre a indicação de Bolívar para que assumisse o Santa Cruz, Iarley respondeu que são bons amigos, assim como o diretor de futebol colorado, Magrão. “Ele sabe do profissionalismo que tenho e do amigo que sou. Fico feliz pela indicação”, resumiu. “A direção do clube é muito boa, consciente do que está fazendo. Espero que minha passagem possa deixar algo na metodologia e na estrutura de trabalho”, complementou.
Iarley saindo para comemorar um dos gols mais icônicos da história do Paysandu
Um dos atacantes de maior sucesso por clubes do Norte e Nordeste brasileiro e que também teve grandes passagens por times do sul e exterior, Pedro Iarley Lima Dantas, ou simplesmente Iarley, está completando 46 anos neste 29 de março de 2020. Entre as tantas façanhas feitas por este cearense de Quixeramobim em sua carreira está, sem dúvida alguma, o gol de uma das grandes vitórias da história do Paysandu, contra o Boca Juniors, em La Bombonera, pela Libertadores de 2003.
Iarley começou no Ferroviário, de seu estado natal. Depois, passou pelo Quixadá e foi para a Espanha, onde defendeu o Real Madrid, em meados do anos 90. Sem muitas chances nos Meregues, foi rebaixado para o time B e, em seguida, se transferiu para o Ceuta e, sem seguida, Mellila, clubes pequenos do futebol espanhol. Entre 2001 e 2002, esteve no Ceará e se destacou.
Campeão da Copa dos Campeões de 2002, o Paysandu conquistou uma vaga para a Libertadores do ano seguinte. Com isto, passou a reforçar a sua equipe para não fazer feio na competição continental. Entre as contratações estava Iarley. E o Papão da Curuzu fez uma bela campanha na primeira fase, terminando na liderança do Grupo 2, com 14 pontos, fazendo a terceira melhor campanha de toda a etapa inicial.
Porém, nas oitavas-de-final, quis o destino que o Paysandu encarasse o poderoso Boca Juniors, que havia ganho duas das três Libertadores anteriores. Porém, o time argentino não foi lá muito bem na primeira fase, conseguindo passar apenas como segundo colocado do Grupo 7, tendo feito 11 pontos.
Então, no dia 24 de abril de 2003, o Paysandu ia para o seu jogo internacional mais complicado de sua história, atuando na temida La Bombonera. No vestiário, antes de subir para o aquecimento, os jogadores do Papão só escutavam as 45 mil pessoas cantando. Era algo que poucos tinham passado na carreira de jogador.
Várias narrações do gol de Iarley
Porém, o Paysandu não sentiu a pressão, principalmente Iarley, que aos 17 minutos fez Pato Abbondanzieri se esticar todo para evitar o gol. Mas logo depois o primeiro drama para a equipe brasileira, em lance de Clemente Rodriguez com Robgol, o árbitro Carlos Amarilla mandou os dois para o chuveiro mais cedo. O técnico do Papão, o uruguaio Dário Pereyra, fechou mais ainda o time alviceleste, a defesa ficou mais compacta e só afastava a bola para longe da área paraense. Já Carlos Bianchi, que deixou Tevez no banco, via sua equipe sem criatividade. Assim, o primeiro tempo terminou com o placar de 0 a 0.
Na segunda etapa, mais um drama para o Papão: aos 10 minutos, Vanderson acerta uma cotovelada em Schelotto e é expulso pela arbitragem. Com nove em campo, contra um a mais do adversário, o Paysandu foi pressionado e quase sofreu um gol, em lance de Moreno, mas Jorginho salvou a equipe paraense.
Aos poucos, mesmo com um a menos, o Paysandu se tranquilizou e passou a trocar passes, fazendo com que a bola sempre chegasse a seu jogador mais perigoso e que, mesmo com a desvantagem de atletas, ainda causava preocupação à defesa do Boca: Iarley.
E foi dessa forma que saiu o gol do Papão da Curuzu! Aos 23 minutos, Sandro buscou Iarley na esquerda e com os dribles que infernizava a defesa argentina passou com facilidade por dois marcadores e tocou na saída do goleiro do Boca. A bola foi mansinha, para o fundo das redes: Paysandu 1 a 0! Os gritos que saíram de Belém deram para ser escutados em toda a América do Sul!
No final, o Boca Juniors, já com Tévez em campo, fez de tudo para tentar buscar o empate, mas o Paysandu foi guerreiro, segurou o resultado e, com o gol de Iarley, triunfou por 1 a 0. Um brasileiro não ganhava em La Bombonera pela Libertadores a 40 anos, quando o Santos derrotou o time argentino e ficou com o título da competição naquele ano.
Porém, a 'magia' do Papão da Curuzu parece ter terminado naquele dia. No jogo de volta, na semana seguinte, com um Mangueirão com mais de 40 mil torcedores do Papão, o Boca mostrou porque é temido na Libertadores e venceu por 4 a 2, eliminando o Paysandu e avançando na competição onde conquistou o título, batendo o Santos na final.
Depois desta façanha, Iarley acabou sendo contratado pelo próprio Boca Juniors, conquistando a Copa Intercontinental em cima do Milan. Em seguida, ele atuou pelo Dorados, do México, Internacional, onde foi importantíssimo na conquista do Mundial Interclubes de 2006, Goiás, Corinthians, Ceará e, no final da carreira, voltou ao Paysandu e ao Ferroviário, onde 'pendurou as chuteiras' em 2014.
Lenda no Paysandu, passagem marcante no Boca Juniors, com direito a gol em clássico e título mundial, e ídolo no Internacional, onde também foi campeão do mundo, o cearense Iarley, que nasceu em 29 de março de 1974, em Quixeramobim, teve uma belíssima carreira no futebol, mas que acabou aparecendo tarde no cenário brasileiro. Tudo isto por causa de uma estadia obscura no Real Madrid.
Iarley foi revelado pelo Ferroviário, de Fortaleza, e teve passagem pelo Quixadá. Aos 21 anos, um negócio possibilitado por seus novos empresários o levaram para o que parecia ser o grande momento da sua vida como jogador de futebol. Ele foi comprado por eles e repassado à equipe B dos merengues.
No Castilla, Iarley teve a companhia de jogadores que explodiram no cenário mundial, como o volante argentino Esteban Cambiasso e o atacante camaronês Samuel Eto'o. "Eu fazia a dupla de ataque com o Eto'o. Ele já era como é hoje: uma máquina. É um jogador com raciocínio muito rápido, goleador e uma boa pessoa também", revelou.
À espera de uma chance na equipe principal, Iarley via no maior rival do Real Madrid o surgimento de um certo fenômeno. Nos dois anos que esteve na Espanha, Ronaldo foi eleito o melhor jogador do planeta, assombrando defensores com a camisa do Barcelona. Anos depois, os dois jogaram juntos no Corinthians, em 2011. "Eu via o Ronaldo jogar no Barcelona. Ele tem algumas semelhanças com o Eto'o. É um jogador que dribla correndo. É muito difícil de ser marcado", acrescentou.
Outro companheiro de Iarley no Corinthians em 2011 chegou ao Real Madrid em 1996. Depois de uma passagem apagada pelo Internazionale-ITA, Roberto Carlos desembarcou na Espanha para fazer história. "O Roberto foi para o Real no mesmo ano que eu. Nós éramos muito amigos, sempre jantava na casa dele. Infelizmente, quando saí, perdemos contato. Quando o encontrei no Corinthians, ele me disse: 'Estamos juntos novamente'. Isso me deixou muito emocionado".
Apesar destes encontros, a passagem de Iarley pelo Real Madrid acabou não tendo muito sucesso. Os empresários e a diretoria dos merengues não se entenderam na negociação da venda dos direitos dele para o clube. No meio da confusão, o atacante optou por ir embora e recomeçar a carreira em clubes menores, como Ceuta-ESP, Melilla-ESP, Uniclinic-CE, até ganhar destaque novamente no Ceará. Depois disso, passou por Paysandu, onde fez história, marcando em La Bombonera, Boca Juniors-ARG, quando fez gol no superclássico, Dorados-MEX, Internacional, sendo importante na conquista do mundial, Goiás, Corinthians e Ferroviário, onde encerrou a carreira em 2014.
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