O dia em que Iarley, pelo Paysandu, silenciou a 'temida' La Bombonera

Foto: Daniel Garcia / AFP Photo

Iarley saindo para comemorar um dos gols mais icônicos da história do Paysandu

Um dos atacantes de maior sucesso por clubes do Norte e Nordeste brasileiro e que também teve grandes passagens por times do sul e exterior, Pedro Iarley Lima Dantas, ou simplesmente Iarley, está completando 46 anos neste 29 de março de 2020. Entre as tantas façanhas feitas por este cearense de Quixeramobim em sua carreira está, sem dúvida alguma, o gol de uma das grandes vitórias da história do Paysandu, contra o Boca Juniors, em La Bombonera, pela Libertadores de 2003.

Iarley começou no Ferroviário, de seu estado natal. Depois, passou pelo Quixadá e foi para a Espanha, onde defendeu o Real Madrid, em meados do anos 90. Sem muitas chances nos Meregues, foi rebaixado para o time B e, em seguida, se transferiu para o Ceuta e, sem seguida, Mellila, clubes pequenos do futebol espanhol. Entre 2001 e 2002, esteve no Ceará e se destacou.


Campeão da Copa dos Campeões de 2002, o Paysandu conquistou uma vaga para a Libertadores do ano seguinte. Com isto, passou a reforçar a sua equipe para não fazer feio na competição continental. Entre as contratações estava Iarley. E o Papão da Curuzu fez uma bela campanha na primeira fase, terminando na liderança do Grupo 2, com 14 pontos, fazendo a terceira melhor campanha de toda a etapa inicial.

Porém, nas oitavas-de-final, quis o destino que o Paysandu encarasse o poderoso Boca Juniors, que havia ganho duas das três Libertadores anteriores. Porém, o time argentino não foi lá muito bem na primeira fase, conseguindo passar apenas como segundo colocado do Grupo 7, tendo feito 11 pontos.

Então, no dia 24 de abril de 2003, o Paysandu ia para o seu jogo internacional mais complicado de sua história, atuando na temida La Bombonera. No vestiário, antes de subir para o aquecimento, os jogadores do Papão só escutavam as 45 mil pessoas cantando. Era algo que poucos tinham passado na carreira de jogador.

Várias narrações do gol de Iarley

Porém, o Paysandu não sentiu a pressão, principalmente Iarley, que aos 17 minutos fez Pato Abbondanzieri se esticar todo para evitar o gol. Mas logo depois o primeiro drama para a equipe brasileira, em lance de Clemente Rodriguez com Robgol, o árbitro Carlos Amarilla mandou os dois para o chuveiro mais cedo. O técnico do Papão, o uruguaio Dário Pereyra, fechou mais ainda o time alviceleste, a defesa ficou mais compacta e só afastava a bola para longe da área paraense. Já Carlos Bianchi, que deixou Tevez no banco, via sua equipe sem criatividade. Assim, o primeiro tempo terminou com o placar de 0 a 0.

Na segunda etapa, mais um drama para o Papão: aos 10 minutos, Vanderson acerta uma cotovelada em Schelotto e é expulso pela arbitragem. Com nove em campo, contra um a mais do adversário, o Paysandu foi pressionado e quase sofreu um gol, em lance de Moreno, mas Jorginho salvou a equipe paraense.

Aos poucos, mesmo com um a menos, o Paysandu se tranquilizou e passou a trocar passes, fazendo com que a bola sempre chegasse a seu jogador mais perigoso e que, mesmo com a desvantagem de atletas, ainda causava preocupação à defesa do Boca: Iarley.

E foi dessa forma que saiu o gol do Papão da Curuzu! Aos 23 minutos, Sandro buscou Iarley na esquerda e com os dribles que infernizava a defesa argentina passou com facilidade por dois marcadores e tocou na saída do goleiro do Boca. A bola foi mansinha, para o fundo das redes: Paysandu 1 a 0! Os gritos que saíram de Belém deram para ser escutados em toda a América do Sul!

No final, o Boca Juniors, já com Tévez em campo, fez de tudo para tentar buscar o empate, mas o Paysandu foi guerreiro, segurou o resultado e, com o gol de Iarley, triunfou por 1 a 0. Um brasileiro não ganhava em La Bombonera pela Libertadores a 40 anos, quando o Santos derrotou o time argentino e ficou com o título da competição naquele ano.


Porém, a 'magia' do Papão da Curuzu parece ter terminado naquele dia. No jogo de volta, na semana seguinte, com um Mangueirão com mais de 40 mil torcedores do Papão, o Boca mostrou porque é temido na Libertadores e venceu por 4 a 2, eliminando o Paysandu e avançando na competição onde conquistou o título, batendo o Santos na final.

Depois desta façanha, Iarley acabou sendo contratado pelo próprio Boca Juniors, conquistando a Copa Intercontinental em cima do Milan. Em seguida, ele atuou pelo Dorados, do México, Internacional, onde foi importantíssimo na conquista do Mundial Interclubes de 2006, Goiás, Corinthians, Ceará e, no final da carreira, voltou ao Paysandu e ao Ferroviário, onde 'pendurou as chuteiras' em 2014.
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