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Careca e sua grande passagem pelo Napoli

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Careca quando defendeu o Napoli

Antônio de Oliveira Filho, mais conhecido como Careca, foi um dos grandes atacantes do século XX, tendo passagens por times gigantescos e conquistando diversos títulos. O jogador foi importante por onde passou, e conseguiu ganhar a idolatria em alguns clubes, e um deles foi no Napoli. 

O atacante nasceu em Araraquara, interior de São Paulo, no dia 5 de outubro de 1960, e começou a sua carreira na base da equipe de sua cidade natal. O apelido de careca veio ainda quando era criança, pois costumava cantar músicas do palhaço Carequinha. 

O apelido pegou nas categorias de base e permaneceu no restante de sua carreira. Careca mostrava muito potencial, e começou a chamar a atenção de grandes clubes do estado de São Paulo, e acabou sendo contratado pelo Guarani em 1978, quando deu início a sua carreira no profissional. 

Mesmo jovem, o jogador foi aos poucos conquistando sua vaga na equipe titular, mostrando todo seu talento e faro de gol. Em seu primeiro ano conquistou o Campeonato Brasileiro, e Careca marcou o gol do título, e conseguiu se firmar como titular da equipe. 

O jogador contava com uma grande velocidade e habilidade, e isso impressionou a todos, o colocando como um dos principais jogadores jovens do país. Em 1979, alguns clubes já começaram a ficar de olho no atleta, inclusive do futebol europeu, mas ninguém conseguiu sua contratação. 

O jogador permaneceu no Guarani até 1982, pois quando se recuperou da sua lesão, que acabou o tirando da Copa do Mundo, o São Paulo contratou o atacante para substituir Serginho Chulapa. 

Pelo tricolor paulista, Careca construiu uma linda história, conseguindo ainda mais se firmar, saindo de uma promessa para se tornar uma grande realidade, fazendo parte já da Seleção Brasileira. Careca, conquistou mais títulos em sua carreira, e mais um título do Campeonato Brasileiro, além do Campeonato Paulista e Taça dos Campeões Estaduais Rio- São Paulo.

Careca ficou durante quatro temporadas no clube, e deixou a equipe em 1987, pois foi contratado pelo Napoli, da Itália. O clube que já havia tentando a sua contratação em 1979, conseguiu finalmente contar com o atacante em seu plantel, para fazer dupla com o argentino Maradona.

Logo em sua estreia já marcou o seu primeiro gol, e foi na partida de fase de grupos da Coppa Itália, contra o Modena. Carena ganhou a posição rapidamente, pois chegou para ser titular na equipe, com toda sua habilidade, velocidade e o faro de gol impressionante. 

Mas em sua primeira temporada, a equipe não viveu uma boa fase e acabou não conquistando nem um título. Era um período de adaptação para o atacante, que estava vivendo pela primeira vez fora do Brasil, e mesmo assim conseguiu marcar 13 gols. 

Já na temporada seguinte (1989-90), tudo mudou, e o Napoli voltou a conquistar títulos. A equipe conquistou a Copa da UEFA, e Careca marcou um gol na final, sendo muito importante para a conquista do clube, mas pelo campeonato nacional, o time acabou ficando na segunda colocação. 


Em 1990, o Napoli voltou a conquistar o scudetto com o Napoli, e foi a última temporada de Maradona pelo clube, pois acabou tomando uma suspensão de seis meses por ser pego no exame antidoping. A conquista foi muito importante para o clube, e Careca teve uma participação fundamental durante a campanha, fazendo gols extremamente importantes. 

Porém, após essa temporada, Careca não conseguiu conquistar mais títulos pelo clube italiano,e acabou deixando a equipe em 1993. Pela equipe italiano, o jogador marcou 95 gols, e na época se tornou o 9° maior artilheiro de todos os tempos do clube. 

Carena esteve presente em 221 partidas pelo clube, e foi atuar no Kashiwa Reysol, do Japão, em 1994.

Careca "encerrando a carreira" no Santos em 1997

Por Lucas Paes
Foto: Acervo/Gazetapress

Careca atuando no Santos

Antônio de Oliveira Filho, que é mais conhecido pelo seu apelido de Careca foi dentro de campo um dos maiores centro-avantes formados no futebol brasileiro nos anos 1970. Parte do time campeão brasileiro de 1978 do Guarani, o matador é um dos maiores ídolos da história do São Paulo e divide com Maradona uma divindade na cidade de Nápoles. Curiosamente, ele que está completando 62 anos neste dia 5, jogou no Santos, seu time de coração, no final de carreira.

Chegou ao Alvinegro Praiano já muito experiente, em 1997, após passagem de alguns anos pelo Kashiwa Reysol, do Japão, entre 1994 e 1996. Chegou a Vila Belmiro para a disputa do Paulistão daquele ano, mais um campeonato onde o Santos objetivava sair da incômoda fila de títulos que já durava 13 anos (e que, a lei da verdade, acabaria no ano seguinte).

Desde o começo atuou apenas pelo campeonato estadual, que foi o campeonato para o qual foi trazido para jogar. Atuou em algumas partidas durante a competição, marcando seu primeiro gol pelo clube em uma goleada diante da Portuguesa Santista, fazendo o quarto na vitória por 5 a 0 aproveitando um rebote do goleiro Ivan para marcar. 

Apesar do gol ser bastante celebrado pelo atacante, pouco conseguiu fazer no resto de sua passagem, que se encerrou de maneira melancólica diante do Palmeiras, já no quadrangular final, quando o Peixe venceu por 4 a 0 num jogo onde nenhum dos dois times tinha chances de ser campeão durante o quadrangular final da competição. Foi seu último jogo pelo Alvinegro antes de encerrar sua passagem e naquele momento imaginava-se que encerrar sua carreira.


Careca marcou dois gols em nove jogos pelo Santos, encerrando sua trajetória ao fim do Paulistão. Em 1999 resolveu voltar a jogar, pelo São José, defendendo o Zequinha no Campeonato Gaúcho. Depois, ainda resolveu jogar novamente, fazendo valer a máxima de que o "presidente tem que bater o pênalti", atuando pelo Campinas, clube em que foi proprietário junto com Edmar.

Ídolo de Guarani, São Paulo e Seleção Brasileira, Careca completa 60 anos

Com informações da FPF
Foto: arquivo CBF

Careca foi titular em duas Copa do Mundo pela Seleção Brasileira

Expoente da força do futebol do interior na década de 1970, o atacante Careca completa 60 anos nessa segunda-feira, 5 de outubro. Revelado pelo Guarani e ídolo do São Paulo, se destacou ao lado de Diego Maradona com a camisa do Napoli e defendeu a Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo. Ainda se aventurou como dirigente, fundando o Campinas Futebol Clube.

Natural da cidade de Araraquara, fã do palhaço Carequinha, Antônio de Oliveira Filho ganhou o apelido ‘Careca’ nas categorias de base do Guarani, time pelo qual despontou para o futebol brasileiro no final da década de 1970. Na ocasião, a equipe de Campinas entrava na disputa do Campeonato Brasileiro de 1978 sem maiores pretensões, mas com o destaque de alguns garotos, em especial de Careca, o time ficou com o inédito conquistado por uma equipe do interior.

Foram cinco temporadas defendendo a equipe bugrina, com a conquista da Taça de Prata de 1981, antes de se transferir para o São Paulo, onde chegou em 1983. Pelo tricolor foram mais cinco anos, quando atingiu o ápice da carreira. Campeão paulista de 1985 e 1987 e Brasileiro de 1986 -com participação direta na conquista diante do próprio Guarani- foi titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México. Com 5 gols marcados, foi o vice-artilheiro do torneio, superado apenas pelo inglês Gary Lineker, que marcou seis vezes.

Destaque em terras brasileiras, Careca rumou para a Itália, onde foi defender o Napoli a partir de 1987. Principal jogador do Mundo na época, o meia Diego Armando Maradona era o camisa 10 do clube e a parceria com o genial argentino rendeu conquistas importantes. Campeão da Copa da UEFA -equivalente à atual Liga dos Campeões- na temporada 88-89 e do Campeonato Italiano de 89-90, ainda conquistou a Supercopa Italiana em 1990.


No mesmo ano, defendeu novamente a Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo, desta vez a da Itália, onde marcou mais dois gols, chegando a sete totais em mundiais. No clube italiano até 1993, se aventurou no futebol japonês, onde atuou pelo Kashiwa Reysol até 1996, antes de retornar ao futebol brasileiro, onde vestiu a camisa do Santos, time para qual torcia na infância, na disputa do Campeonato Paulista de 1997.

Em 1998, ao lado de Edmar, antigo companheiro de ataque, fundou o Campinas Futebol Clube, por onde também atuou, inclusive mais tarde, em 2004, quando encerrou a carreira. Antes, em 1999, disputou algumas partidas do Campeonato Gaúcho pelo São José, de Porto Alegre.

Em 1978, pelo Guarani, o primeiro gol de Careca como profissional

Com informações da FPF
Foto: Arquivo Guarani

Careca em ação pelo Guarani. Primeiro gol em 1978

Cria das categorias de base do Guarani, o ex-centroavante Careca saiu do interior paulista para conquistar o mundo com seus mais de 400 gols ao longo de sua carreira. Dono de técnica apurada, o ex-jogador é considerado um dos maiores centroavantes do futebol nacional e iniciou a sua fama de artilheiro contra o Confiança (SE), em partida válida pelo Brasileirão de 1978, em 20 de abril.

Sob o comando de Carlos Alberto Silva, Careca apareceu para o futebol com a camisa do Guarani. Com fama de artilheiro, o ex-jogador marcou o seu primeiro gol como profissional na goleada, por 5 a 0, diante do Confiança, do Sergipe, pela fase preliminar da Copa do Brasil. Neste mesmo ano, ajudou o clube campineiro a conquistar o Campeonato Brasileiro, sendo até hoje, a única equipe do interior do Brasil a ser campeão nacional.

Após brilhar com a camisa do Guarani, Careca se transferiu para o São Paulo, onde manteve o alto rendimento e conquistou mais um brasileiro, o de 1986. Pelo clube do Morumbi ainda levantou o título estadual em 1985.

O sucesso em solo nacional o credenciou para a disputa da Copa de 1986, já que quatro anos antes, Careca se contundiu e não fez parte da seleção que participou do mundial da Espanha. Em 1987, transferiu-se para o Napoli, da Itália, onde formou, ao lado do argentino Maradona, uma das duplas mais fatais da história do futebol.


Em solo italiano, conquistou a o Campeonato Italiano, na temporada 1989/1990, além da Supercopa da Itália, em 1990. Um ano antes, já havia conquistado a Copa UEFA, equivalente a atual Europe League.

Careca ainda atuou no futebol japonês, pelo Kashiwa Reysol, antes de retornar ao Brasil para defender o Santos, em 1997, clube pelo qual venceu o Torneio Rio-São Paulo. O ex-jogador ainda defenderia o São José (RS) e o Campinas antes de encerrar a sua trajetória como atleta.

Careca - Um grande craque revelado pelo Guarani

Foto: arquivo Guarani FC

Careca foi lançado muito jovem no Guarani e tornou-se um dos maiores centroavantes da história

O Guarani sempre foi conhecido por revelar grandes jogadores. A lista é grande e muito destes atletas ajudaram o clube em seus melhores momentos. Mas não dá pra negar que um dos maiores expoentes vestindo a camisa do Bugre foi Antonio de Oliveira Filho, o Careca, que está completando 59 anos neste 5 de outubro de 2019.

Nascido em Araraquara, Careca começou a jogar na cidade e em 1975, o Guarani realizou uma peneira na "Morada do Sol" e o jogador acabou sendo escolhido, indo para Campinas jogar nas categorias de base do clube. A história do menino, que na época estava completando 15 anos, mudaria naquele momento.

No ano seguinte, quando tinha apenas 16 anos, Careca foi lançado no time principal do Bugre, em um derby contra a Ponte Preta. Os dois gols que marcou nesse jogo foram a certeza que o time comandado por Carlos Alberto Silva se tornaria um dos mais fortes do final da década de 1970.

"Fui ver o Careca na base do Guarani porque todos falavam bem dele. Depois que coloquei para jogar e vimos a sua alta capacidade percebi que seria um grande jogador. Certamente ele foi um dos grandes atacantes com que trabalhei, acima da média", disse o treinador Carlos Alberto Silva.

Ao lado de vários grandes jogadores que formaram o melhor time do Guarani na história, Careca ganhou destaque e levou à equipe de Campinas ao primeiro título nacional de uma equipe do interior, em 1978. "Foram marcantes os jogos finais contra o Palmeiras, principalmente porque era muito jovem", recorda o ex-atacante.

O Guarani passou a ser presença constante nas fases finais de campeonatos, mesmo não conquistando os títulos. Careca chegou à Seleção sob o comando de Telê Santana, mas uma lesão o tirou da Copa do Mundo de 1982. O próprio titular da camisa 9 naquele mundial, Serginho Chulapa, admite que aquele momento era do Careca.

Depois de alguns meses de recuperação, Careca retornou aos gramados e logo aos gols. Ainda pelo Guarani. No início de 1983 o São Paulo fez a maior transação da história do futebol brasileiro, até então, e levou o craque para o Morumbi. Porém, mesmo com o Bugre tendo artilheiros do naipe de Edmar e Evair, Careca é até hoje considerado o melhor camisa 9 da história do clube.

A mortal dupla Careca e Maradona no Napoli

Por Lucas Paes

Careca e Maradona formaram uma das melhores duplas da história do futebol

O futebol é um esporte coletivo onde, porém, muitas vezes o individual prevalece. Porém, o esporte bretão já deu holofotes a duplas, trios e até quintetos famosíssimos, desde os imbatíveis Pelé e Garrincha, passando pelo quinteto que virou poesia Dorval, Mengálvio Coutinho, Pelé e Pepe, até os trios abreviados dos dias atuais, como o tridente mortal do Liverpool atual formado por Mané, Firmino e Salah ou o ainda recente MSN, de noites poéticas regadas à uma combinação de tango-samba protagonizadas por Suarez, Messi e Neymar. Nos anos 1980, a Itália testemunhou uma das maiores duplas que já pisou sobre os gramados desse planetoide: Careca e Maradona, com a linda camisa do Napoli. 

A história do duo, que na verdade era mesmo um trio, gerando o apelido de Ma Gi Ca Napoli (Maradona, Giordano e Careca), com os dois sul-americanos, municiados pelo ótimo meio-campista italiano Giordano, começa em 1987. Vivendo anos de franca ascensão, o Napoli, que era campeão italiano, trouxe o artilheiro brasileiro para integrar seu elenco naquele verão. Naquela época, os times italianos só podiam ter três estrangeiros, porém o Calcio era disparado o campeonato mais técnico do planeta, o olimpo do futebol. Apesar dos reforços, os Partenopei acabaram ficando atrás do Milan, que começava a montar seu super-esquadrão, e acabaram vice-campeões italianos. Foram 18 gols de Careca e 15 de Maradona. 

A derrota na liga ocasionou uma classificação para a Copa da UEFA. Seria lá que os napolitanos sairiam do limite das grandes equipes e entrariam nas páginas definitivas da história. Com uma campanha espetacular, que teve seus altos em partidaços contra Juventus, Bayern e uma final espetacular contra o Stuttgart, Maradona, Ferrara, Careca, De Napoli e o reforço brasileiro, o volante Alemão, tomaram o continente europeu de assalto e conquistaram a Copa da Uefa. Só que o time não pararia por aí, porque tomar o continente de assalto era pouco para Maradona, Careca e cia. Naquela temporada, o bi do Calcio não veio, porém, Maradona e careca combinaram juntos para 46 gols, com 27 do brasileiro e 19 de Don Diego. 

Se na temporada 1988/1989 a Série A ficou com a Inter, dos alemães Mattaus, Brehme e do holandês Bergkamp, no biênio seguinte, a briga ficou acirrada entre napolitanos e milanistas. Porém, a vitória por 3 a 0 sobre os rossoneros, numa das maiores atuações da história do clube, ajudou a vencer o secundo Scudetto, com apenas dois pontos de vantagem sobre o Diavolo. Maradona marcou 16 gols no torneio, Careca, numa temporada um pouco mais fraco, fez 11 gols. 

Aquele seria o canto do cisne do time do sul da Bota. Pego no doping por cocaína em 1991, Maradona deixou o Napoli naquele ano, após sofrer uma suspensão de 15 meses. O D10s ficou a temporada de 1991/1992 inteira longe dos gramados. No Campeonato Italiano da temporada 90/91, o Napoli terminou na metade final da tabela, porém a magia de Careca e Maradona ainda gerou outros 22 gols naquela temporada, 10 do Barrilete Cósmico e 12 do centro-avante brasuca. Era o final de uma das maiores duplas que o futebol já viu. 

Em entrevista no ano passado, o Pibe De Oro disse que Careca foi o melhor companheiro com quem já jogou em sua carreira. Careca foi para o Napoli para realizar o sonho de jogar ao lado do maior jogador da história da Argentina. A história está escrita e a cidade de Napolés nunca mais foi a mesma. Pois mesmo depois de Hamsik, Cavani e dos ótimos tempos atuais do Napoli, o Estádio de San Paolo sempre terá a energia dos tempos de ouro, quando dois brasileiros fizeram daquele estádio o mais temido palco da Europa, onde desfilava uma arte moderna italiana com maravilhosos toques latinos.

Os gols de Careca em Copas do Mundo

Careca anotou sete gols em Copas do Mundo, sendo cinco em 1986 e mais dois em 1990
(foto: Getty Images)

Careca foi um dos maiores centroavantes que o futebol brasileiro já produziu. Dono de um faro de gol diferenciado, o atacante foi ídolo de torcedores do São Paulo, do Guarani e do Napoli, onde junto com Don Diego Maradona formou o maior time da história dos Partenopei. Ele também foi destaque na Seleção Brasileira, onde disputou duas Copas do Mundo, em 1986 e 1990. Sua ausência em 1982 foi motivada por uma lesão. Quem sabe com ele a história seria diferente. 

Em 1986, o Brasil chegava a Copa com Telê Santana no comando e diversos remanescentes do encantador e maravilhoso time de 1982. Num grupo com Espanha, Irlanda do Norte e Argélia, o time fez grande campanha e passou em primeiro. Na estréia, em Guadalajara, no dia 1 de Junho daquele ano, Careca passou em branco e os brasileiros venceram a Fúria com gol de Sócrates. 

A história mudaria no jogo seguinte, cinco dias depois, também em Guadalajara, porém no Estádio Três de Março e não no Jalisco. Num jogo sofrido diante dos argelinos, onde os canarinhos meteram duas bolas na trave, a zaga do time africano não conseguiu afastar o cruzamento de Muller e Careca, como o centroavante que era, apareceu e tocou para o gol. Foi o primeiro gol dele em mundiais. 

Seu primeiro gol em Mundiais foi contra a Argélia

No dia 12 de Junho, há exatos 32 anos atrás, veio o primeiro show do Brasil naquela competição. O Jalisco assistiu o time de Telê Santana trucidar a Irlanda do Norte. O primeiro gol do jogo veio justamente de Careca, em belo chute de primeira, depois de jogada de troca de passes brasileira e cruzamento de Muller. O segundo gol brasileiro veio em um chute maravilhoso de Josimar que entrou no ângulo. O terceiro gol, outro de Carecone, foi espetacular, pois o camisa 9 brasileiro fez linda tabela com um certo Zico, que terminou em passe de calcanhar do Galinho de Quintino para bonita finalização para o gol do jogador são paulino à época. 

Nas oitavas, outra vez no Jalisco, aconteceu outro show da Seleção Canarinho. Os poloneses não foram páreo para o bom time brasileiro, que goleou por 4 a 0. O primeiro gol, em penal sofrido por Careca, veio com o Doutor Sócrates. Josimar fez o segundo fazendo fila na zaga polonesa, um golaço. O terceiro veio com Edinho. Careca fez o último da tarde, em pênalti onde a redonda ainda tocou caprichosamente na trave antes de ir as redes. 

Nas quartas, no jogo que marca até hoje (de maneira muito injusta, diga-se) negativamente a carreira de Zico na Seleção Brasileira, os canarinhos acabaram eliminados pela França nos pênaltis. Antes, durante o tempo normal, Careca marcou um belo gol, após tabela entre Júnior e Muller que terminou em passe deste último para finalização forte e alta do centro-avante brasileiro.

Contra a Suécia, em 1990, fez seus dois últimos gols em Copas

Quatro anos depois, na Itália, o Brasil já não era mais o time que encantava multidões. A equipe de Lazaroni chegava ao mundial ao mesmo tempo gabaritada pelo título da Copa América e questionada pelo fraco desempenho apresentado. Num grupo com Escócia, Suécia e Costa Rica, os Canarinhos estiveram longe de grande desempenho, apesar da primeira colocação com três vitórias.

Na estreia, no dia 10 de Junho, no Delle Alpi, em Turim, veio a Suécia foi a primeira adversária brasileira. Careca foi protagonista total da noite na casa bianconera e rossa. Primeiro, marcou um belo gol driblando o goleiro sueco, após belíssimo lançamento de Branco. O segundo veio após Muller receber bom passe e encontrar o camisa 9 sozinho na área, contando mais uma assistência dele para o ídolo do Napoli na época. 

Aquele foram os dois últimos gols de Careca em Copas, fazendo com que ele terminasse com a marca de sete tentos na maior competição de futebol de todas. Em 1986, havia ficado atrás apenas de Lineker na briga pela Artilharia, em 1990, acabou impedido de avanços maiores pela péssima campanha brasileira, que curiosamente acabou no melhor jogo daquele time na Copa, diante da Argentina de Maradona. O atacante deixou de atuar pela seleção em 1993, quando sentiu que não tinha mais condições físicas de vestir a amarelinha, depois de fazer jogos das Eliminatórias para a Copa de 1994.

As camisas do centroavante Careca

Por Victor de Andrade


Neste 5 de outubro, um dos maiores centroavantes da história do Brasil, dono da camisa 9 da Seleção entre os anos 80 e início dos 90, completa 57 anos de idade. Estamos falando de Antônio de Oliveira Filho, o Careca, ídolo do Guarani, São Paulo, Napoli e com passagens também por Kashiwa Reysol, do Japão, Santos FC e Campinas FC, clube que ele fundou, em parceria com o também ex-centroavante Edmar, na segunda metade dos anos 90. Confira como foi a passagem dele por estes clubes e, é claro, pelo time canarinho.

GUARANI


Careca começou a jogar futebol em Araraquara, cidade onde nasceu, e quando foi descoberto, o levaram para o Guarani, em Campinas, onde chegou em 1976. Dois anos depois, foi alçado ao time principal, com 18 para 19 anos, e, ao lado de outros jovens, como Zenon e Renato, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1978, em final contra o Palmeiras. Careca ainda conquistaria, pelo Guarani, a Taça de Prata de 1981. Em 1983, foi negociado com o São Paulo.


SÃO PAULO FC


Careca chegou no São Paulo com status de um dos melhores jogadores do País, mas com uma grande responsabilidade: substituir o ídolo Serginho Chulapa, que foi para o Santos. O centroavante não decepcionou e ao lado de outros grandes jogadores, como Müller, Sidney, Silas e Pita formou a geração conhecida como os "Menudos do Morumbi", em alusão ao jovem grupo musical porto-riquenho que fazia muito sucesso na época. Pelo Tricolor, conquistou os Paulistas de 1985 e 1987, além do Brasileirão de 1986, em uma final épica contra o Guarani.


NAPOLI


Careca deixou o São Paulo como o melhor jogador brasileiro da época e foi para o então campeão italiano: o Napoli. Além disso, passou a jogar ao lado do gênio Maradona. Os dois se deram muito bem e formaram uma das melhores duplas do futebol mundial. Era um momento mágico para o clube, foi foram anos brigando de igual para igual com as grandes forças italianas (Juventus, Milan e Internazionale). Careca conquistou, pelo Napoli, o Scudetto e a Supercopa da Itália, em 1990, e a Copa da Uefa em 1989. Careca saiu do time em 1993, quando o Napoli já entrava crise, principalmente devido a suspensão por doping de Maradona.


KASHIWA REYSOL


A recém-criada J-League e a profissionalização do futebol japonês atraíram muitos jogadores brasileiros para a terra do sol nascente e Careca também foi para o oriente. Porém, o Kashiwa Reysol não era um clube da elite, pois a primeira J-League teve apenas 10 equipes, mas o centroavante ajudou a equipe chegar à divisão principal do Japão e o Kashiwa Reysol, depois, se tornou um grandes do País. No início de 1997, Carece voltou ao Brasil para dar seus últimos passos na carreira.


SANTOS FC


Careca nunca escondeu que torce para o Santos e que gostaria de encerrar a carreira no Peixe. Seu pedido foi atendido e desembarcou na Vila Belmiro em 1997. Porém, como ele já não era o mesmo jogador e também com um problema na planta do pé, jogou pouco no Alvinegro Praiano, disputando apenas o Campeonato Paulista, mas, ainda assim, dando para reviver seus bons momentos com Müller, com quem fez dupla de ataque no São Paulo e na Seleção Brasileira. Seu único jogo como titular foi contra o Palmeiras, na Vila Belmiro, quando marcou o segundo dos dois gols dele na passagem pelo clube.


CAMPINAS FC


Após encerrar a carreira, Careca fez uma sociedade com o também ex-centroavante Edmar, "nascido" no mesmo Guarani, e montou o Campinas FC, que seria o terceiro time profissional da cidade na época. A equipe estreou em 1998, jogando o Campeonato Paulista da B1-B, a quinta na escala. Porém, a criação da agremiação fez com que Careca (e Edmar também) tirasse a poeira da chuteira e voltasse a atuar, fazendo até alguns gols. Careca em campo pelo Campinas FC personificou o ditado "pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube", que aliás ele fez contra o Osasco FC.


SELEÇÃO BRASILEIRA


"Voando" no Guarani, Telê Santana passou a convocá-lo para a Seleção Brasileira nos amistosos de preparação para a Copa de 1982. Com os problemas físicos de Reinaldo, o centroavante estava ganhando a briga pela titularidade, mas uma contusão o tirou do Mundial. Porém, a partir de 1983, Careca foi, praticamente, o dono da camisa 9 da amarelinha por 10 anos. Na Copa de 1986, jogou muito, marcou cinco gols e foi vice-artilheiro. No Mundial seguinte, marcou mais dois na estreia, mas caiu naquela que é considerada a pior campanha em Copas. Foi o titular de Parreira no ciclo para a Copa de 1994, mas depois de algumas fracas atuações nas Eliminatórias, em 1993, o próprio Careca pediu dispensa da Seleção, não voltando mais a jogar pelo time canarinho.

Estádio Pedro Benedetti: a casa do Mauaense

Mauaense enfrenta o São Paulo na inauguração
do Estádio Municipal Pedro Benedetti

Mauá sempre foi uma cidade que teve tradição no futebol amador, principalmente com os times bancados pelas fábricas de cerâmica do município, isto durou até o início dos anos 80. Em 15 de dezembro de 1981, vários adeptos do futebol se reuniram para fundar um novo clube, que representaria Mauá no futebol profissional. E assim nasceu o Grêmio Esportivo Mauaense.

Para o primeiro ano, o Mauaense fez uma seletiva entre os jogadores da várzea da cidade e montou seu elenco para o Campeonato Paulista da Terceira Divisão de 1982. Na primeira partida, ocorrida em 31 de janeiro de 1982, uma derrota por 3x0 para o Suzano FC. Os primeiros jogos do Grêmio Mauaense foram disputados no antigo campo do Cerâmica, na entrada do Jardim Zaíra. O campo não existe mais e em seu lugar está o Almoxarifado Central e a Secretaria de Serviços Urbanos da Prefeitura.

O Mauaense disputou o Paulista da Terceira no Campo do Cerâmica até 1984. Como o time atraia um bom público, a Prefeitura decidiu construir um novo estádio. A praça esportiva ganhou o nome de Pedro Benedetti, um ex-jogador que, na década de 1960, jogou em todas as seleções formadas em Mauá e no grande ABC, além de clubes como: Independente Futebol Clube, Associação Atlética Industrial, Cerâmica Futebol Clube, entre outros.

Para a inauguração do novo estádio, o São Paulo Futebol Clube foi o convidado de honra para enfrentar a equipe da casa. E no dia 8 de dezembro de 1984,  o tricolor paulista entrava em campo para enfrentar o Mauaense.

Estádio passou por reformulação em 2006

Com entrada franca, o estádio estava tomado por 15 mil torcedores. No primeiro tempo as redes não foram inauguradas. Já na segunda etapa da partida Cilinho ajustou o tricolor, que não demorou para marcar. O primeiro gol fora anotado por Careca, em seguida foi a vez de Pita balançar as redes do Mauaense.

Mas o público foi ao delírio somente aos 42 minutos do segundo tempo. Foi quando Valtinho aproveitou um cruzamento na área do tricolor, subiu entre o destemido zagueiro Oscar e acertou uma cabeçada fulminante, sem defesa para o goleiro Abelha. 

“No começo da partida eu apostei com o Bôni, zagueiro do São Paulo, que faria um gol em cima do Oscar, um jogador de seleção. O Bôni duvidou, mas no final da partida teve de me dar a camisa dele”, alegra-se Valtinho, em entrevista dada para o ABCD Maior, publicada em 1º de junho de 2013. Foi uma das suas últimas partidas como atleta profissional.

O novo estádio deu sorte para o clube já no primeiro ano. O Mauaense conquistou o título da Terceira Divisão, garantindo sua vaga no grupo de acesso em 1986. Com uma campanha praticamente impecável, onde só não liderou na primeira das quatro fases, o título veio após dois jogos contra o Mirassol. No jogo de ida, um sonoro 3 a 0 no Pedro Benedetti. Na volta, em Mirassol, o empate garantiu a taça.

Equipe do Grêmio Mauaense, campeão Paulista da B1 em 2003

O Mauaense jogou por dois anos o grupo de acesso, sendo rebaixado em 1987. Entre 1988 e 1991, o clube ficou na Terceira Divisão, sempre com campanhas medianas. No ano seguinte, os diretores do clube resolveram tirar um ano sabático, devido a problemas econômicos.

Depois dos 12 meses licenciados, o Mauaense volta a disputar a Terceira Divisão em 1993. Com a reformulação das divisões, em 1994 o clube disputou a Quarta Divisão, onde ficou por três anos. Em 1996, o Pedro Benedetti foi palco de mais uma bela campanha do clube. Com o vice-campeonato, o Mauaense conseguiu o acesso para a A3.

Entre idas e vindas de divisão, o Mauaense conquistou o título paulista da B1 de 2003. O estádio recebeu um dos jogos das finais da Copa Mauro Ramos de Oliveira, em 2002, entre Santo André e Ituano e, em 2006, passou por uma grande reformulação. Atualmente, o estádio tem capacidade para 10.800 pessoas, de acordo com o site da Prefeitura de Mauá, proprietária da praça esportiva.

Atualmente, o clube disputa o Campeonato Paulista da Segunda Divisão, mas que é equivalente à quarta. Todos os jogos em casa são disputados no Pedro Benedetti. Inclusive, amanhã (sábado, dia 25 de abril), o Mauaense faz seu segundo jogo pela competição, o primeiro em casa, contra o Diadema, às 15 horas.

* Quero aqui agradecer ao amigo e grande torcedor do Grêmio Mauaense, Luiz Gustavo Folego, que forneceu informações importantes para este artigo. Na foto abaixo, eu estou com ele no esquenta para o jogo Equador x Honduras, em Curitiba, na Copa do Mundo do ano passado. Um grande abraço, meu amigo!


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