Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Projeto que pode proibir patrocínios de apostas no futebol brasileiro avança no Senado Federal
A possível proibição da publicidade e do patrocínio de casas de apostas no Brasil acende um alerta máximo nos clubes de futebol. O projeto de lei aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado pode provocar um efeito financeiro profundo no esporte nacional, especialmente nas equipes das Séries A e B.
Hoje, as chamadas bets representam uma das principais fontes de receita comercial dos clubes, seja por meio de patrocínios máster, propriedades de camisa, placas de campo, ativações digitais ou acordos com naming rights. Em muitos casos, esses contratos superam os valores pagos por bancos, empresas de telecomunicações ou marcas tradicionais.
Dependência financeira crescente
Levantamentos recentes indicam que a maioria dos clubes da Série A possui ao menos um contrato ligado a casas de apostas. Para algumas equipes, o valor anual recebido com esse tipo de patrocínio chega a representar uma fatia relevante do orçamento total, ajudando a custear folha salarial, contratações e dívidas acumuladas.
Caso o projeto avance e seja aprovado em definitivo, todos esses acordos podem ser encerrados ou não renovados, criando um cenário de incerteza financeira. Clubes com estrutura mais frágil tendem a sentir o impacto de forma imediata.
Mercado publicitário mais restrito
Outro ponto de atenção é a dificuldade de reposição desses patrocinadores. O mercado publicitário esportivo brasileiro já é limitado, e a saída das bets reduziria drasticamente o número de empresas dispostas a investir valores elevados no futebol.
Especialistas apontam que marcas tradicionais dificilmente conseguiriam absorver, no curto prazo, os espaços deixados pelas casas de apostas. Isso pode gerar queda nos valores de patrocínio e renegociações para baixo.
Reflexos dentro e fora de campo
O impacto não seria apenas financeiro. Menos recursos podem significar:
- Redução de investimentos em elencos;
- Enfraquecimento técnico das equipes;
- Menor competitividade em torneios nacionais e internacionais;
- Corte de projetos sociais e de base.
Além disso, federações e organizadores de campeonatos também seriam afetados, já que parte significativa da arrecadação vem de parcerias comerciais ligadas ao setor de apostas.

Debate segue no Senado
O projeto agora será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) antes de seguir para o plenário do Senado. Até lá, clubes, ligas e dirigentes devem intensificar o diálogo político em busca de alternativas ou ajustes no texto.
Enquanto isso, o futebol brasileiro acompanha com apreensão um debate que pode redefinir completamente o modelo de financiamento do esporte nos próximos anos.



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