O furto da Taça Jules Rimet em 1983

Por Ricardo Pilotto
Foto: Divulgação

Taça Jules Rimet furtada em 19 de dezembro de 1983

Nesta segunda-feira, dia 20 de dezembro de 2021, se completam 38 anos que a Taça Jules Rimet foi roubada do prédio da CBF. Este troféu havia sido conquistado pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, edição na qual a Amarelinha se sagrou tricampeã mundial.

Cerca de 17 anos atrás, a taça já havia sido roubada em Londres, e foi achada alguns dias após o ocorrido por Pickles, um cachorro. Porém, dessa vez, o troféu foi furtado da sede da Confederação Brasileira de Futebol e causou um grande espanto na nação, já que aquele objeto era considerado um símbolo de "orgulho nacional".

A taça tinha cerca de 3,8 quilos de ouro e poderia valer aproximadamente 18 milhões de cruzeiro, equivalente a mais de R$ 189 mil nos dias atuais. Com a polícia se movimentando a procura do objeto e os jornais, tanto nacionais quanto internacionais, noticiando o que aconteceu, o pânico do que havia sido feito com aquele ícone que representava um tricampeonato mundial.

Os envolvidos no furto do troféu foram: Sérgio Pereira Ayres, popularmente conhecido como Sérgio Peralta, era representante do Clube Atlético Mineiro na CBF e foi o mentor de tudo; Francisco José Rocha Rivera, ou Chico Barbudo, que foi um dos invasores; José Luiz Vieira da Silva, ou Luiz Bigode, que ajudou no roubo e Juan Carlos Hernandez, um ourives argentino que derreteu a taça. Além destes nomes, Antônio Setta, também conhecido como Broa, era um dos maiores arrombadores do Rio de Janeiro e tinha experiência com esse tipo de furto.

Furto - Sérgio Pereira Ayres (Sérgio Peralta), mentor do roubo, já sabia de tudo do prédio da CBF e também tinha acesso ao local onde estava a taça. Em um jogo de cartas com Antônio Setta (Broa) no Bar Vila Verde, Peralta propôs o roubo, mas acabou sendo prontamente negado. Alguns dias após esse episódio, Sérgio chamou Francisco Rivera (Chico Barbudo), que após uma longa conversa, aceitou todos os termos. Em conjunto, José Luiz Vieira da Silva (Luiz Bigode), amigo de Francisco também entrou no esquema.

Tendo o mapa desenhado por Peralta, Chico Barbudo foi personificar um jornalista, pedindo para ir até o nono andar e entrevistar o presidente da instituição Giulite Coutinho, mas acabou sendo barrado pela secretária da CBF, Sônia Mecare. Foi então, que às 21 horas do dia 19 de dezembro de 1983, Chico Barbudo e Luiz Bigode invadiram o prédio. Eles renderam João Batista Maia, vigia que tinha 55 anos de idade e sobem para furtar a taça. Com a chave da sala onde se encontrava o troféu, eles efetuaram o roubo e depois se encontraram com Sérgio Peralta, que estava com os outros comparsas do lado de fora aguardando os dois para fugir do local.

No dia 20 de dezembro, às investigações de resgate ao “orgulho nacional” foram iniciadas. No entanto, achar os criminosos parecia uma missão muito mais do que difícil, já que nenhuma das suspeitas pareciam ser concretas para que fossem feitas as acusações. Mal se sabia que apenas um delator poderia dar uma luz para que os responsáveis fossem encontrados.

Toda essa história passou a mudar quando Antônio Setta, denunciou Sérgio Peralta, mas acabou não sendo levado a sério pelas autoridades. Apesar disso, os agentes passaram a investigar Peralta depois de mais uma busca frustrada. Somente no 25 de janeiro do ano seguinte, Sérgio foi preso. Peralta só confessou o que cometeu tal crime depois de ter sido torturado pelos mesmo polícias que haviam batido em Luiz Bigode. Por outro lado, Chico Barbudo teve aproximadamente 2,5 quilos de joias de ouro confiscados de sua casa, mas não foi agredido em momento algum.


No mês de março em 1988, o trio foi a julgamento e condenado a 9 anos de cadeia. Carlos Hernandez, argentino que derreteu a taça, pegou uma penalizado por três anos. Ele fugiu para a França no mesmo ano, e lá, teve de cumprir sete anos de prisão por tráfico de drogas. Depois disso, nunca mais foi encontrado.

Chico Barbudo conseguiu a apelação de sua pena e quando estava em liberdade, acabou sendo assassinado por cinco homens no dia 28 de setembro no ano de 1989. Sérgio Peralta chegou a ser detido em 13 de julho de 1994, ganhou sua liberdade condicional no mês de setembro de 1998 e em agosto de 2003, sofreu um infarto fulminante e morreu.

Luiz Bigode, que atualmente mora no Rio de Janeiro, ficou preso em Bangu até ser solto em 1998. Por fim, Antônio Setta veio a falecer no dia 3 de dezembro de 1985 após sofrer um acidente de carro próximo à Lagoa Rodrigo de Freitas. Um fato que causou grande suspeita de ter sido uma queima de arquivos, é que este ocorrido foi justamente no dia em que Broa teria uma audiência para depor.
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