"Em segundo às vezes, na segunda jamais" - Uma frase que nunca esteve tão em perigo

Por Lucas Paes
Foto: Ivan Storti/SFC

O Santos, presidido por José Carlos Peres, vive momento complicadíssimo

Entre as várias conquistas e diversas grandezas relacionadas ao Santos, um dos motivos de maior orgulho da torcida alvinegra é o fato de nunca ter caído para a segunda divisão de nenhum campeonato, sendo ao lado de Flamengo e São Paulo os únicos clubes brasileiros a conseguirem tal façanha. Porém, com a situação de calamidade administrativa que esbarra de maneira catastrófica dentro do futebol do clube, esse orgulho nunca esteve tão em perigo. Nos últimos tempos, o Alvinegro Praiano tem preenchido assustadoramente rápido os quesitos da "Cartilha do Grande Rebaixado" e se algo não for feito a tragédia pode vir, num ano onde dificilmente haverá sequer as vozes da arquibancada para salvar a derrocada.

Tudo começa é claro na desastrosa gestão do presidente José Carlos Peres. Com diversos erros e com uma absoluta falta de entendimento entre diretoria e elenco, o presidente santista é contestado dentro do conselho desde o dia em que foi eleito. Ano passado, as notícias deixavam claro que o ex-treinador alvinegro Jorge Sampaoli e Peres não se entendiam. No ano de 2020, apesar do começo claudicante de Jesualdo Ferreira no comando, talvez a crise não explodisse não fosse a pandemia do coronavírus. Porém, a paralisação evidenciou a falta de diálogo entre presidente e jogadores, culminando em processos de Éverson e Eduardo Sasha, após o descumprimento do acordo verbal de corte salarial dentro do clube.


A partir de toda a crise, a situação parece degringolar. O Peixe sofre com processos na FIFA que já custaram uma proibição para registro de novos jogadores e podem ainda vir a custar pontos no Brasileirão. As dívidas envolvidas nos processos são de gestões anteriores, o que parece ser um ciclo eterno na vida do clube de Vila Belmiro. O Peixe vive num eterno deixa de dívidas para novas gestões. Ano passado, por exemplo, o alvinegro investiu para buscar um possível titulo do Campeonato Brasileiro, mas as finanças pareceram ruir com a pandemia. Porém, é fato que o clube quitou os salários de Agosto de forma antecipada e integral antes do duelo contra a Ponte Preta, o que possivelmente pode representar um problema a menos fora de campo.

Só que nem isso parece animar as coisas, já que tal fato não alivia os problemas vividos pela gestão do clube ou mesmo a completa falta de diálogo entre diretoria e elenco. A cada dia parecem estourar novas bombas nos bastidores do Santos e crescem os pedidos de renúncia para o presidente. Pouco antes do retorno das competições, em meio aos processos para rescisão de contratos, a Torcida Jovem, principal torcida organizada do Santos, anunciou o completo rompimento de relações, que já eram estremecidas, entre a instituição e a gestão Peres. A acalorada reunião entre as partes teve cobranças fortes dos organizados e um claro tom de que, como uma instituição que se diz força fiscalizadora do clube, a torcida não ia admitir que as bombas internas culminem num rebaixamento do clube. Desde então, houveram protestos e cobranças, pequenos é claro diante da pandemia, porém existiram.


Dentro de campo, os problemas também existem. Os comandados de Jesualdo Ferreira estão numa terrível sequência de derrotas e as seguidas expulsões mostram que claramente o extracampo está afetando o elenco do Alvinegro Praiano, que parece entrar pilhado de nervos nos jogos. É complicado que se cobre alguma coisa do português quando ele sequer pode reforçar sua equipe e claramente aceitou o desafio de trabalhar com as poucas peças que tem, inclusive dando oportunidades a jovens da base. O Paulistão, que parece pouco importante, se tornou uma panela de pressão após a eliminação para a Ponte, que foi causada diretamente por uma das maiores carências que os santistas possuem, já que a atuação desastrosa de Vladimir culminou na virada e na derrota. Sem Éverson e sem poder contratar um goleiro, resta torcer ou para que o inseguro goleiro comece a atuar bem ou para que João Paulo seja uma joia e assuma a posição de maneira confiável.

Porém, outro problema vivido em Urbano Caldeira é a própria incerteza sobre o futuro do trabalho de Jesualdo Ferreira, que pode ser demitido a qualquer momento. Há a informação de que José Carlos Peres tentaria um acordo para que o lusitano saísse sem cobrar valores de rescisão do clube, que já tem de pagar outros técnicos que saíram anteriormente. Tais dívidas apertam ainda mais a forca da difícil situação financeira do Santos, que parece ser uma bomba relógio que pode explodir novamente a qualquer momento.


Talvez lendo este título você pense que seja um exagero pensar que o time que tenha o que é talvez a melhor dupla de pontas entre os times brasileiros, ou pelo menos uma das, possa vir a ser rebaixado. A despeito de carências em alguns pontos, o time santista não é ruim e possui bons jogadores, como uma competente dupla de zaga formada por Luan Peres e Lucas Veríssimo e um bom meio com jogadores como Sanchez, Jóbson e Diego Pituca. É preciso lembrar, porém, que há pouquíssimo tempo, o Cruzeiro foi rebaixado com Fábio, Dedé e Thiago Neves estando no elenco, que também tinha outros bons jogadores. O desastre não vem diretamente das limitações dentro de campo, mas da "lava" da erupção de problemas internos, que pode tranquilamente incinerar o trabalho dentro das quatro linhas.

O fato é que o Santos precisa imediatamente de ações. O gigante praiano não pode mais ser administrado de maneira caótica, tem de urgentemente parar de "vender o almoço para pagar a janta" e precisa, no momento em que se avizinha um dos Brasileirões mais complicados da história, de paz. O campeonato desse ano terá uma tabela apertadíssima, com poucos dias entre os jogos e não há margem para erros. Um começo ruim pode condenar o time e uma possível troca de treinadores em meio ao campeonato poderia significar uma tragédia devido ao pouco tempo para trabalhar. Seja trocando o treinador, seja forçando a saída de membros da diretoria, seja como for, o Peixe precisa urgentemente agir para evitar uma tragédia. Num ano em que sequer terá o calor da torcida dentro do estádio, a permanência dos santistas dentro do seleto grupo dos que nunca foram rebaixados nunca esteve tão ameaçada.

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