Martim Francisco - Um revolucionário treinador brasileiro

Por Lucas Paes
Foto: arquivo histórico

Martim Francisco foi o inventor do 4-2-4

Apesar de fazer sucesso com jogadores, o Brasil não é lá grande produtor de treinadores cobiçados mundialmente. Porém, grandes gênios da casamata vieram destas bandas e um deles é Martim Francisco Ribeiro de Andrada, mineiro, aristocrata e que mudou o futebol nacional e mundial. Seu nascimento está completando 92 anos neste dia 21 de fevereiro.

Antes de ser treinador, Martim teve uma carreira de jogador frustrada por uma lesão. Em 1951, se tornou treinador do Villa Nova, de Minas Gerais, e reinventou a equipe, mudando sem saber os rumos do futebol como um todo, com a criação e aperfeiçoamento do sistema tático 4-2-4. Formação que além de ainda ser usada hoje, ajudaria a originar muito das táticas atuais. 

Saindo do uso comum do WM, esquema de sucesso no mundo nos anos 1920 e 1930, Martim montou um sistema onde no momento ofensivo, o time ocupava o ataque com 4 jogadores, sendo que na hora de defender, um deles voltava para fechar espaços. Com essa ideia, fomentou uma mudança positiva no Villa Nova que levou a equipe ao título mineiro, conquistado diante do Atlético Mineiro. O 4-2-4 passaria a ser amplamente utilizado no Brasil. Já a carreira de seu treinador seria alavancada pela conquista.

Conta-se que a ideia inicial do 4-2-4 veio a Martim quando ele viu a final da Copa Rio entre Juventus de Turim e Palmeiras, onde ele achou que a Velha Senhora poderia ter parado o Palmeiras com um defensor a mais no seu esquema, recuando um meia. Dessa ideia foi surgindo a pedra fundamental do sistema tático que ele inventou. 

Depois do título com o Villa Nova, ele passou por diversos clubes no Brasil, ganhando vários campeonatos estaduais, principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. O 4-2-4 foi quebrando barreiras e acabou usado pela própria seleção brasileira, nas Copas do Mundo de 1958 e 1962. Martim acabou causando uma revolução no esporte bretão. O Brasil encantava o mundo com seu futebol e o Planeta Bola seguia tentando copiar os canarinhos, o que levou o 4-2-4 a quebrar fronteiras internacionais.


Com um certo sucesso e com bom nome construído, ele acabou indo para a Espanha, onde treinou o Athletic Bilbao em duas temporadas e meia, terminando duas vezes em terceiro lugar a La Liga. Passou ainda por Elche, Betis e Logroñes em terras hispânicas, fazendo bons trabalhos principalmente no Bilbao e no Elche. Foi um dos poucos brasileiros que conseguiu trabalhos de respeito na Europa até hoje. Voltou para o Brasil depois, onde seguiu com conquistas. Treinou equipes praticamente até sua morte, que veio em 1982, com 54 anos. Partiu sem ter talvez o devido prestígio e reconhecimento.

Princípios do 4-2-4 de Martim são usados até hoje. A própria ideia do ataque posicional, tão usada hoje em dia, bebe um pouco dessa fonte. Pep Guardiola, considerado o melhor treinador do planeta, já usou principios semelhantes a ideia de aumentar a presença ofensiva com quatro atacantes. O próprio Liverpool joga atualmente com algumas variações que se transformam em um 4-2-4 na fase ofensiva. A mudança imposta por Martim chacoalha o futebol ainda tantas décadas depois. Em um país que parece sofrer para criar treinadores para o mundo, há também gênios revolucionários e Martim Francisco sempre será um deles, tendo ou não o reconhecimento que deveria por isso.
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