quarta-feira, 31 de julho de 2019

A pedrada que mudou a carreira de Elivelton

Por Lucas Paes

Elivelton acabou nunca atingindo seu potencial depois de levar uma pedrada em 1992
(foto: arquivo CBF)

Fazendo aniversário neste último dia de julho, Elivelton foi, quando surgiu, considerada uma das principais revelações do São Paulo. Subiu da base do São Paulo em 1990 e conquistava espaço aos poucos no Tricolor Paulista. Faria 12 gols em 69 jogos com a camisa são paulina. Em 1992, sem muitas surpresas, foi convocado para o Pré-Olimpico, disputado no Paraguai, onde um episódio tão relacionado a "raiz" do futebol sul-americano mudou para sempre sua carreira. 

O time brasileiro que chegou ao Torneio Pré-Olimpico de 1992, no Paraguai, era comandado por Ernesto Paulo, um até então desconhecido e que ficou famoso como falastrão. Entre os jogadores, nomes que fariam muito futuro como Márcio Santos, Denner, Cafu, Roberto Carlos, entre outros. Mas, o Brasil acabaria naquele ano dando vexame. Na partida contra o Paraguai, porém, tudo estava em aberto, era apenas o terceiro jogo brasuca na competição. O Defensores Del Chaco, tão hostil, daria mostras de um pouco dessa hostilidade com um episódio absurdo. 

Abarrotado com mais de 26 mil presentes, no dia 3 de fevereiro de 1992, o estádio viu Márcio Santos abrir o placar ainda cedo. Aos poucos, o clima ficou hostil e com a consolidação da vitória brasileira, choveram objetos no campo, principalmente pedras. Entre as vitimas da chuva de objetos, duas foram feridas gravemente, Eugênio Figueiredo, dirigente da Conmebol que foi preso recentemente em processos envolvendo Conmebol e FIFA e Elivelton, a revelação são-paulina, ambos de maneira um pouco mais séria.

Inicialmente, o susto foi maior do que o ferimento parecia na pedrada que Elivelton levou. A ferida, apesar de obviamente profunda não parecia tão grave. Elivelton, porém, chorava copiciosamente com a pancada e provavelmente com o susto. Porém, quando o Brasil finalmente conseguiu ir aos vestiários, o estado de saúde do jogador havia piorado e havia até o temor que entrasse em estado de coma. A pedra atingiu uma zona perigosa da cabeça. Aos poucos, Elivelton se recuperou e após ir para o hospital voltou ao hotel e voltou até a jogar naquele pré-olímpico, seja porém pelo susto ou por algum trauma gerado pela pedrada o futebol dele nunca mais foi o mesmo. Mesmo convocado pela Seleção Brasileira nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, sua presença foi bastante questionada.

Atingido psicologicamente pelo episódio e ainda com problemas entre treinador e jogadores, estes revelados publicamente pelo falastrão Ernesto Paulo, o Brasil acabou sucumbindo e depois de três vitórias seguidas perdeu para a Colômbia e empatou com a Venezuela, ficando fora da fase final. Foi um vexame para a Seleção Olímpica. Elivelton, por sua vez, voltou ao São Paulo, onde fez parte do elenco vencedor de Telê Santana. Sem nunca atingir, porém, seu potencial mostrado no início da carreira como profissional.

Matéria do Jornal Nacional no dia seguinte

Aliás, mesmo depois da pedrada, o técnico da Seleção Brasileira principal, Carlos Alberto Parreira, continuou o convocando, tanto que ele fez parte do elenco nas Eliminatórias para a Copa do Mundo e 1994, em 1993. Porém, como ele já estava na reserva no São Paulo, sua presença no time canarinho era muito criticada. Tanto que já próximo da Copa do Mundo, seu nome nem era ventilado como uma das possíveis presenças nos Estados Unidos.

O ponta, que virou meia, passou por diversos clubes depois do episódio, sem nunca conseguir se firmar, apesar de jogar em elencos vencedores, como o Corinthians campeão paulista em 1995, o encantador Palmeiras de 1996 e o Cruzeiro campeão da Libertadores de 1997, torneio onde marcou o gol do título. Tinha fama de talismã aliás, pois seus poucos gols costumavam ser importantes. Antes de passar por BH, marcou no Corinthians o gol do citado titulo paulista de 1995, num derby com o Palmeiras.

Apesar de nunca atingir seu potencial, conquistou muitos títulos. Anunciou aposentadoria no União de Rondonópolis, em 2006. Voltou a jogar no ano seguinte e encerrou definitivamente a carreira no Mixto. Além dos já citados, também jogou no Japão, no Nagoya Grampus, no Vitória, no Inter, na Ponte (onde marcou o gol da vitória da Macaca em um derby onde a arquibancada cedeu e deixou vários torcedores feridos), no São Caetano, Bahia, Uberlândia, no Vitória do Espirito Santo, no Alfenense e na Francana.
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