sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Rogério Ceni, obrigado por ter me feito te odiar

* por Lucas Paes

Rogério Ceni é considerado mito pelos sãopaulinos

Aqui no Brasil é estranho, quase raro, você ter admiração por um ídolo de um rival, talvez algum respeito, em geral ódio, mas admiração, idolatria? Algo raro, pois vivemos o futebol muito fortemente. Porém, há casos que extrapolam rivalidades, como o ex-goleiro Marcos. Infelizmente, o “cara” que vou citar aqui não é um desses.

Sou torcedor santista e isso é um detalhe importante neste texto, pois vou falar de um dos jogadores mais odiados por muitos santistas, corintianos e palmeirenses. Um cara que, apesar de ser ídolo no São Paulo, possui uma das características que mais admiro em um jogador de futebol: a fidelidade a um único clube e a vontade de ser uma bandeira de uma única equipe em sua carreira.

Não pense que eu não ‘tirava onda’ de Rogério Ceni. Não pense que eu não odiava tê-lo como adversário. Mas há um respeito e admiração por um cara que sempre foi extremamente identificado com as cores do seu time, um cara que eu vi fazer jogos espetaculares contra o meu time, como quando ajudou a definir um titulo perdido pelo Santos em 2000 ou neste ano de 2015, no 0 a 0 no Campeonato Paulista, que assisti na Vila Belmiro. Meio que na força, aprendi a respeitá-lo e, conhecendo sua história, passei a tê-lo como um “ídolo proibido”.

Capitão no título mundial do São Paulo

Vi também cometer erros cruciais contra o Santos e nos entregar valiosas vitórias. Vi falhas e, muitas vezes, dei risada de montagens e apelidos criados para ele, mas sempre possui respeito pela sua história, pelo que ele representa para um dos maiores clubes da América do Sul, o São Paulo três vezes campeão da Libertadores. 

Também vi partidas espetaculares como um espectador não envolvido. Vi atuações como contra a Universidad Católica, na Copa Sul-Americana de 2013, ou contra o Liverpool, no Mundial de 2005. Vi gols importantes feitos (sim, feitos) por ele na Libertadores de 2005. Vi o gol 100 contra o Corinthians. Realmente, vi muita coisa deste grande goleiro.

Talvez se alguém ler isso daqui a 30 anos, vai se perguntar sobre os gols feitos. Não, você não está lendo errado: Rogério também tinha isso de diferente, pois batia faltas e pênaltis, ambos com qualidade. Marcou mais de 130 gols e é o maior goleiro artilheiro do mundo e o décimo goleador da história do São Paulo, só isso. Com 1237 jogos, é o jogador que mais atuou por um único clube (passou Pelé pelo Santos) em todos os tempos.  Também esteve em duas Copas do Mundo: 2002, onde foi campeão sem jogar, e 2006, quando entrou nos minutos finais da partida contra o Japão. Realmente é muito!

Comemorando mais um título

Não se trata de carisma, pois Rogério Ceni não é igual a Marcos neste aspecto. Muitos o consideram mascarado, orgulhoso, ranzinza, chato pra c..., como definiu uma vez o narrador Milton Leite. Na verdade. é respeito e admiração, pois Ceni, provavelmente, nunca procurou agradar outras torcidas, afinal ele é a referência, o símbolo maior do São Paulo, de uma torcida que chama seu clube de soberano e que sempre possui certa soberba. Logo, Rogério Ceni não poderia deixar de adquirir essa característica, quase como se refletisse a torcida dentro de campo.

Recentemente, fiquei tocado por uma carta de um fã do Celtic para Kobe Bryant, astro da NBA, que anunciou sua despedida recentemente e que jogava pelo arqui-rival do time de Boston, o Los Angeles Lakers. Isso me inspirou de certa forma, mas Rogério de qualquer forma sempre foi um cara ao qual respeitei.

Então, encerro este texto agradecendo a ele por essa incrível trajetória que escreveu em um clube rival do qual eu torço, agradecendo por em tempos de transferências com cifras astronômicas e em tempos de jogadores que trocam de clube como quem troca de carro, ter se mantido fiel a uma única camisa, ter dado a este projeto de jornalista e eterno fã de futebol uma aula de como ter fidelidade a um clube e ter me dado motivos para odiá-lo, para rir, para comemorar gols feitos nele e para lamentar defesas dele.

Campeão do mundo com a Seleção em 2002

Engraçado, quis o destino que seu último jogo oficial tenha sido contra o Santos em uma partida onde o Peixe trucidou o São Paulo pela Copa do Brasil. Rogério Ceni saiu no intervalo e não voltou mais em 2015, pelo menos em jogos oficiais. Se soubéssemos que era a última partida, teríamos feito uma despedida mais digna, ou seja, mais gols! Brincadeiras a parte, ali se encerrou a trajetória de um mito.

Enfim, obrigado Rogério Ceni por tudo. Vai ser muito estranho não ver mais você defendendo a meta do São Paulo. Mas, infelizmente, nada dura para sempre, nem mesmo um mito.

* Lucas Paes é estudante de Jornalismo, santista e colaborador de O Curioso do Futebol.
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