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Urbano Caldeira, patrono da Vila Belmiro

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória do Santos FC
Colaboração de José Roberto Brandi dos Santos, da Assophis
Foto: arquivo

Urbano Caldeira

Nascido em 6 de setembro de 1890, em Desterro (conhecida hoje como Florianópolis), em Santa Catarina, chega a cidade de Santos, em janeiro de 1913, o jovem Urbano Caldeira, transferido de São Paulo para trabalhar na Alfandega. Ele seria importantíssimo para o Santos FC, inclusive dando o seu nome ao estádio localizado na Vila Belmiro.

Urbano tornou-se sócio do Santos Futebol Clube assim que soube da existência de um clube de futebol na cidade. Foi amor à primeira vista. Logo no ano de 1913 tornou-se jogador e assim foi até o ano de 1918, atuando na maioria das vezes como zagueiro, fazendo exatos 41 jogos e 2 gols e tornando-se bicampeão santista em 1913 e 1915.


Posteriormente tornou-se técnico e decidiu se dedicar a administração do clube, chegando ao cargo de Vice-presidente do Santos Futebol Clube. No ano de 1924 montou o famoso ataque dos 100 gols, formado por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista. Dedicava-se boa parte do tempo cuidando do estádio, aparando o gramado, envolvido em obras independentemente da posição que ocupava no clube.

Cuidava da Vila Belmiro como se fosse a sua casa, sempre com muito amor e dedicação até o dia 13 de março de 1933, quando aos 42 anos, veio a falecer por conta de uma pneumonia, sendo considerado até os dias de hoje um dos dias mais tristes da história do Santos Futebol Clube.


Exatamente quatro dias após a sua morte, em 17 de março de 1933, uma proposta encaminha por Ricardo Pinto de Oliveira foi aprovada por unanimidade pela diretoria do Santos Futebol Clube e o Estádio da Vila Belmiro passou a se chamar “Estádio Urbano Caldeira” ou, na época, “Praça de Esportes Urbano Caldeira”.

Grande festa para os 100 anos da Vila Belmiro

Fotos: divulgação / Facebook Santos FC

Uma grande festa para a centenária Vila Belmiro

Uma grande festa! Foi assim que o evento em comemoração do centenário do Estádio Urbano Caldeira, em Santos, foi realizada na tarde deste sábado, dia 8 de outubro (o centenário será completado no dia 12), na cidade de Santos. Desde as apresentações, até o amistoso entre Santos FC e Benfica, que terminou empatado em 1 a 1, tudo foi do tamanho da importância de um dos estádios mais antigos do Brasil.

A festa começou com diversas apresentações, entre elas de grupos folclóricos portugueses, em homenagem ao convidado da grande festa. Aliás, a escolha do Benfica foi por vários motivos: o primeiro, é que a equipe lusitana foi adversária do Peixe em uma de suas maiores conquistas, a Copa Intercontinental de 1962. A segunda, é porque o lateral-esquerdo Léo, homenageado na partida, jogou muitos anos pelo Benfica. Aliás, o Guerreiro da Vila fez questão de convidar o craque Giovanni, o Messias, para a festa.

E para quem achava que o amistoso seria calmo, se enganou. As duas equipes entraram duro na partida e houve jogadores saindo machucados, como o meia Renato, e entradas mais fortes, causando, inclusive, início de confusão, com o famoso empurra-empurra. Mas no futebol, o jogo foi morno. A torcida só se levantou nas entradas de Giovanni, pelo Santos, e Léo, que jogou alguns minutos da primeira etapa com a camisa do Benfica. Com isso, a partida foi para o intervalo com o placar de 0 a 0.

Fogos após o fim da partida

O intervalo foi marcado pelas homenagens. Primeiro foi a vez do 'Messias' Giovanni, que ganhou uma placa por sua grande passagem pela Vila Belmiro, consertando um erro da diretoria anterior, que deixou Giovanni sem um jogo de despedida, mesmo com a promessa. Depois, foi a vez de Léo. No telão da Vila, passou um vídeo com os grandes momentos do lateral-esquerdo com a camisa do Santos, além da entrega de placas.

Já o segundo tempo foi movimentado. Logo no primeiro minuto, o estreante do time português, José Gomes, invadiu a área, sofreu falta de Lucas Veríssimo na área santista e o árbitro assinalou pênalti. Salvio bateu no meio do gol e inaugurou o placar da festa de 100 anos da Vila Belmiro.

E o Benfica ainda teve a chance de ampliar. Aos 39 minutos do segundo tempo, José Gomes sofreu mais um pênalti. O próprio jogador foi para a cobrança e o goleiro João Paulo defendeu, salvando o Santos da derrota.

E, para fazer a festa dos mais de 10 mil torcedores, o Peixe conseguiu o empate aos 42 minutos. Após cobrança de falta de Matheus Oliveira, Fabián Noguera cabeceia firme e o goleiro Ederson falhou. Final de jogo na Vila Belmiro: Santos FC 1, Benfica 1.

Bela festa da torcida no fim do jogo

Ficha Técnica

SANTOS FC 1 X 1 BENFICA

Data: 8 de outubro de 2016
Local: Vila Belmiro - Santos-SP
Público: 10.149 pagantes
Árbitro: Raphael Claus
Auxiliares: Rogério Pablos Zanardo e Bruno Salgado Rizo

Cartão amarelo
Santos: Luiz Felipe

Gols
Santos: Fabián Nogueira, aos 42' do segundo tempo.
Benfica: Salvio, ao 1' do segundo tempo.

Santos: Vanderlei (John Victor/João Paulo), Victor Ferraz (Daniel Guedes), David Braz (Lucas Veríssimo), Luiz Felipe (Fabián Noguera) e Zeca (Caju); Thiago Maia (Léo Cittadini/Fernando Medeiros), Renato (Yuri/Matheus Oliveira), Jean Mota (Paulinho/Joel), Elano (Vecchio/Walterson) e Copete (Rafael Longuine); Ricardo Oliveira (Giovanni/Rodrigão/Léo) - Técnico: Dorival Júnior.

Benfica: Ederson; André Almeida (Alan Benitez), Lisandro López (Rúben Dias), Luisão e Eliseu; Celis, Danilo e Cervi; Luka Jovic (José Gomes), Salvio e Carillo (Léo/Diogo Gonçalves) - Técnico: Rui Vitória.

Urbano Caldeira, um abnegado pelo Santos FC

Urbano Caldeira

Jogador, técnico, vice-presidente e até jardineiro. Quando passava sua infância em Florianópolis, provavelmente nem imaginava que sua maior paixão estaria em uma cidade do litoral de São Paulo. Isto é um resumo da história do abnegado Urbano Caldeira, uma pessoa que foi muito importante no início do Santos Futebol Clube.

Urbano Caldeira nasceu em Florianópolis, no dia 9 de janeiro de 1890. No início da vida adulta, tornou-se funcionário da Alfândega, onde de transferiu para São Paulo. Na capital paulista, o catarinense conheceu o futebol e tornou-se um dos jogadores do início do esporte no planalto.

Urbano foi jogador do Germânia e da AA das Palmeiras. Inteligente, logo começou a se destacar por aprender a parte tática do jogo. Quando foi um dos fundadores do Vila Buarque, Urbano Caldeira tornou-se, pela primeira vez, técnico, mas continuava com sua função dentro de campo também.

No início de 1913, já com 33 anos, a Alfândega transferiu Urbano Caldeira para o Porto de Santos. Chegando na cidade, o jogador foi logo procurar ainda poderia praticar o esporte bretão. Foi aí que Urbano Caldeira encontrou o Santos FC e marcaria seu nome na história do clube.

Santos FC de 1913

Com um ano de fundação, o Santos havia se inscrito no Campeonato da Liga Paulista de Futebol. Apesar de contar com jogadores que haviam jogado o Paulistão pelo CA Internacional (primeiro clube da cidade a disputar o certame estadual), faltava alguém que conhecesse de tática e pudesse treinar a equipe. Então, a chegada de Urbano Caldeira a Santos uniu o útil ao agradável.

Além de formar entre os onze titulares, marcando inclusive um dos gols da vitória do Santos contra o Corinthians por 6 a 3, a única na competição, Urbano Caldeira virou o treinador do time.

Com a desistência da equipe do campeonato, devido aos gastos de viagem à São Paulo, já que a equipe não pôde mandar seus jogos na cidade, o Santos FC disputou os campeonatos municipais. Urbano Caldeira, como sempre, acumulava a posição de zagueiro com a de técnico, inclusive no título santista de 1915, quando o Santos teve que jogar como União Futebol Clube.

Urbano Caldeira fez parte do União FC

Em 1916, o Santos conseguiu adquirir um terreno na Vila Belmiro, onde começou a montar sua Praça de Esportes. Urbano Caldeira foi muito importante neste processo, pois coordenou toda montagem do campo, chegando a , inclusive, plantar grama no terreno. A partir deste momento, os fãs de futebol da cidade começaram a perceber a abnegação do atleta pelo clube.

Ao parar de jogar, Urbano Caldeira não deixou o Santos. Além de ser o treinador, ele virou dirigente, chegando a ser até vice-presidente do clube. Até os últimos dias de vida, Urbano Caldeira sempre se dedicou ao clube.

Inauguração da Vila Belmiro, em 1916. Urbano Caldeira ajudou a plantar a grama

O ex-jogador, treinador e dirigente do Santos faleceu ainda novo, no dia 13 de março de 1933, aos 43 anos, um dia após o primeiro jogo profissional do Brasil, quando o Santos FC perdeu para o São Paulo da Floresta por 5 a 1.

Em 1938, o Santos instituiu que o dia 9 de janeiro, data de seu aniversário, seria o dia Urbano Caldeira. Porém, as homenagens não ficariam apenas na data. A Praça de Esportes do Santos Futebol Clube ganhou o nome dele, se transformando em Estádio Urbano Caldeira, uma justa homenagem, já que Urbano Caldeira foi muito importante para a implantação do estádio. Como diziam seus amigos, Urbano Caldeira acordava Santos FC, vivia Santos FC e dormia Santos FC.

O Curioso do Futebol

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