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Ricardo Rocha: o imprescindível 'psicólogo' da Seleção na Copa de 1994

Com informações da CBF
Foto: arquivo

Ricado Rocha fez apenas um jogo na Copa de 1994, mas sua experiência foi importante

Ricardo Rocha, que completa 60 anos neste 11 de setembro de 2022, disputou apenas uma partida da Copa do Mundo 1994: a estreia da Seleção Brasileira na competição, diante da Rússia. O zagueiro teve uma lesão muscular no duelo e não conseguiu voltar ao campo até o fim da competição. Ainda assim, conseguiu ter uma participação fundamental na conquista do tetracampeonato. O defensor pediu para permanecer com o grupo na concentração e não foi cortado. E é por isso que é praticamente impossível conversar com qualquer um dos nossos campeões sem ouvir o nome do pernambucano.

Ricardo ficou decidido em ajudar o grupo de alguma forma. A Seleção Brasileira vinha de um jejum de 24 anos sem conquistar uma Copa do Mundo e estava sob forte pressão. Conhecido pela irreverência até os dias de hoje, o então zagueiro viu ali uma oportunidade de contribuir e passou a ser uma espécie de psicólogo do elenco.

"A gente tinha um cara muito bom que me ensinou muito, que era o Evandro (Motta), mas ele não acompanhou a gente. Aprendi muito com ele na viagem. O que aconteceu foi que pela minha liderança dentro na Seleção, eu fiquei muito mal quando me machuquei. Mas para estar ali eu não podia continuar daquele jeito, não era o que eu queria. Os jogadores fizeram uma reunião, falaram a importância de eu ficar... Por isso eu não podia ficar triste, eu tinha de tentar melhorar o astral da melhor maneira possível. Brincadeiras normais no dia a dia, o Parreira me deu essa liberdade, conversou comigo, ele e o Zagalo, sobre a minha importância no grupo... Isso para mim foi muito bom, eu tinha muita liberdade com os jogadores, e isso é muito legal, principalmente em uma Copa do Mundo", declarou o ex-jogador em entrevista ao site da CBF.

A pressão já era grande, mas foi aumentando conforme os avanços da Canarinho na competição. Nas oitavas de final, por exemplo, um dos grandes adversários: os anfitriões dos Estados Unidos. O duelo aconteceu no dia 4 de julho, quando os norte-americanos comemoram o Dia da Independência. Ricardo Rocha revela uma das táticas para descontrair o grupo no caminho para o estádio: uma canção de seu conterrâneo Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

"Eu cantei uma da época do São João, que eu gosto muito. Era assim: - De pé em pé, a bola no gramado, vai de lado a lado e lá vai... Pitomba! Do meio do campo, vai para o ataque, que não é de araque e lá vai... Pitomba!' Essa música foi como um hino para gente, foi muito legal - revelou o ex-jogador, que puxou a mesma canção na festa de comemoração aos campeões oferecida pela CBF no último final de semana, na Granja Comary".

A realização de Ricardo Rocha com a participação que teve naquele Mundial é enorme. O jogador revela que gostaria de ter jogado mais minutos com a Amarelinha, mas exalta os companheiros que fizeram um excelente trabalho na defesa brasileira e não esconde a satisfação que sente ao ouvir dos colegas que foi fundamental para o título.

"Valeu como se eu tivesse entrado em campo até o final, com certeza. Eu queria jogar e sempre falei depois da Copa que os dois maiores zagueiros da Copa foram justamente Márcio Santos e Aldair. Jogaram muito, substituíram muito bem, são dois craques de bola. Às vezes na vida as coisas não acontecem como você quer. A lesão foi assim. Fiquei triste no momento, mas cada um tem a sua participação e o meu orgulho maior é quando eles falam que contribuí. Eu tentei ajudá-los de outra maneira. Muitas vezes as pessoas falam que o Ricardo era o cara que brincava, era sim, verdade, mas também era quem puxava a orelha na hora em que era necessário. Eu puxava oração, puxava reza... Tudo! Eu tinha uma liberdade muito grande com eles e isso me ajudou muito", finalizou o ex-zagueiro.


Ricardo Rocha é enorme. Só por estar lá já conseguiu fazer a diferença. Uma lenda do futebol brasileiro. O que fizermos para reverenciar ele e todos os nossos campões mundiais será pouco diante de tudo o que representam para nós e pela forma como honraram a Amarelinha. Ainda assim, seguiremos demonstrando a nossa total gratidão.

A passagem de Ricardo Rocha pelo Newell's Old Boys

Por Lucas Paes

Ricardo Rocha em clássico contra o Rosário Central

Ricardo Rocha foi durante os anos 1980 e 1990 um dos principais zagueiros que o Brasil formou. O pernambucano jogou duas Copas do Mundo de 1990 e 1994, quando se lesionbou no começo do torneio, mas ficou com o grupo. Em 1996, já no final de sua trajetória como jogador, com 34 anos, passou pelo futebol argentino, mais precisamente pelo Newell's Old Boys.

Ricardo chegou ao Newell's após passagem curta e ruim pelo Fluminense, que foi rebaixado naquele ano de 1996. Desembarcou na Argentina já no final do ano com os Leprosos buscando adicionar experiência a sua defesa. Ao zagueiro brasuca, foi a chance de se reinventar e se adaptar a um futebol diferente na Argentina. Sua qualidade faria rapidamente com que caísse nas graças da torcida.

Estreou no dia 13 de outubro, diante do Deportivo Español em jogo que curiosamente foi disputado no Gigante de Arroyto, casa do arquirrival eterno do rubro-negro de Rosário. Marcou um dos gols da vitória por 2 a 0 dos Leprosos. Num torneio apertura onde seu clube terminaria em nono lugar, Ricardo Rocha marcou dois gols em 9 jogos. Foi um bom começo, que fez com que equipes brasileiras se interessassem pelo retorno do zagueiro, principalmente o Grêmio, mas Ricardo permaneceu em Rosário.

No Clausura seguinte, ele jogou 15 dos 19 jogos possíveis, sem marcar nenhum gol, mas sendo peça chave na defesa da equipe que ficou na terceira colocação, atrás do campeão River Plate e do Colon de Santa Fé. No biênio seguinte, conseguiria jogar um total de 11 partidas e marcar outros dois gols pelo campeonato argentino. Terminou sua trajetória pelos Leprosos com seis gols em 35 jogos, fazendo com que a torcida guardasse com carinho a passagem do brasileiro por lá.

Deixou o Newell's Old Boys em 1998, voltando ao Brasil para jogar pelo Flamengo. No rubro-negro, faria os últimos jogos de sua carreira como profissional antes de pendurar as chuteiras e encerrar a trajetória dentro das quatro linhas como um dos mais regulares zagueiros que o Brasil já formou. Teve experiências como treinador passando duas vezes pelo Santa Cruz e pelo CRB e foi coordenador de futebol do São Paulo em 2018. 

Ricardo Rocha no Santos FC

Por Victor de Andrade

Ricardo Rocha na estreia pelo Santos, contra o Sport, na Ilha do Retiro (foto: arquivo Santos FC)

Um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro, principalmente na virada das décadas de 80 e 90, Ricardo Rocha ganhou a alcunha de 'xerife' por sua postura de respeito dentro de campo. O zagueiro teve grandes passagens por clubes como Guarani, onde apareceu para o cenário nacional, São Paulo e Real Madrid. Porém, em 1993, o defensor foi muito bem no Santos, apesar de ter ficado pouco tempo no clube.

Jogador do Real Madrid e titular da Seleção Brasileira que disputava as Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994, Ricardo Rocha, que na época estava prestes a completar 31 anos, queria voltar ao Brasil e convenceu a diretoria merengue a emprestá-lo. E que poucos esperavam é que ele fosse anunciado pelo Santos.

Apesar de estar montando um forte time, através das contratações feitas pelo presidente Marcelo Teixeira, em sua passagem pelo clube, o Santos vivia uma das piores épocas de sua história, bem no meio da fila que durou entre 1984 e 2002. Então, a vinda de Ricardo Rocha para o Peixe foi uma surpresa, pois era um jogador titular da Seleção indo para o clube que não vivia um grande momento.

Ainda em meio à Eliminatória (até 1993, o qualificatório sul-americano para a Copa era realizado em um espaço curto, cerca de um mês, e as seleções se reuniam para disputá-la por completo, como em uma Copa do Mundo ou Copa América), Ricardo Rocha fez sua estreia pelo Santos na folga do Time Canarinho, contra o Sport, na Ilha do Retiro, em 7 de setembro de 1993. O Peixe venceu por 2 a 0, com gols de Zé Renato e Almir.

Ricardo Rocha, que ainda foi capitão da equipe, foi fundamental na boa campanha do Santos naquele brasileiro. O time foi segundo colocado do Grupo B da primeira fase, ficando atrás somente do Palmeiras. Aliás, o Verdão foi o campeão do Brasileirão de 1993 sofrendo apenas duas derrotas em toda a competição. As duas pelo Peixe.

O zagueiro, em volta com as convocações para a Seleção, que já se preparava para a Copa, e ainda por conta de umas contusões, acabou fazendo 15 dos 20 jogos do Peixe na competição, sem marcar gol. Por conta de suas atuações, Ricardo Rocha ganhou a Bola de Prata da Revista Placar, como um dos melhores defensores da competição. Ao fim do torneio, o Santos ficou em quinto na competição.

Para 1994, houve a troca da presidência do clube, saindo Marcelo Teixeira, que não tentou a reeleição, e entrando Miguel Kodja Neto. O Santos diminuiu o investimento em contratações e desmontou praticamente toda a equipe montada em 1993, devido aos altos salários. Entre as saídas, estava Ricardo Rocha, que acabou indo para o Vasco. Mas esta é outra história.

Ricardo Rocha como jogador do São Paulo

Ricardo Rocha disputando lance com Mauro Silva: São Paulo e Bragantino decidiram título em 1991

Atual coordenador de futebol do São Paulo, assumindo o cargo no fim de 2017, Ricardo Rocha conhece bem o Tricolor e fez parte de uma das gerações mais vitoriosas na história do clube. Contratado do Sporting de Portugal, em 1989, o defensor integrou a equipe são-paulina que encantou o mundo no início da década de 90 ao lado de grandes craques.

O jogador, que chegou experiente ao Tricolor para fortalecer a defesa e ser um dos líderes do elenco, assumiu o seu protagonismo e foi um dos pilares do time na conquista do Campeonato Brasileiro de 1991. O Mestre Telê Santana, diversas vezes, destacou a presença do zagueiro na São Paulo naquele período.

“A presença do Ricardo foi fundamental para a conquista do título”, afirmou o comandante. Com bagagem e respeitado pelos companheiros, o defensor recuperou o bom momento na carreira após a passagem pelo futebol europeu e tomou conta do sistema defensivo tricolor.

O zagueiro no time campeão paulista em 1989

Ao todo, disputou 70 jogos pelo clube: 32 vitórias, 26 empates e 12 derrotas. Neste período, além da conquista nacional, foi bi-campeão paulista em 1989 e 1991. A regularidade pelo São Paulo, assim como em grande parte de sua trajetória, também rendeu prêmios: recebeu uma Bola de Ouro, em 1989, e duas de Prata, em 1989 e 1991.

O jogador representou o Tricolor na Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália, e esteve em campo com a Seleção que caiu frente a Argentina, nas oitavas de final. O zagueiro são-paulino atuou em dois dos quatro jogos do Brasil naquela copa, contra Escócia e Argentina, vestindo a camisa 19.

No ano seguinte, ainda como atleta do São Paulo, disputou a Copa América de 1991 e foi vice-campeão com a Seleção Brasileira – derrotada pelos argentinos na decisão. As exibições pelo Tricolor despertaram o interesse do poderoso Real Madrid, que acertou a contratação de Ricardo Rocha em 1991.

Ricardo Rocha no Real Madrid

Por Lucas Paes


Ricardo Rocha com a camisa do Real Madrid (Foto: Mundo Deportivo)


Campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994, Ricardo Rocha foi um dos melhores defensores brasileiros durante as décadas de 1980 e 1990. Após ser Campeão Brasileiro pelo São Paulo, no ano de 1991, ele acabaria transferido para o Real Madrid, sendo o primeiro brasileiro a jogar no clube em muitos anos.

Ricardo chegou para fazer parte de um time que era até então hegemônico na Espanha. Conhecido como a "Quinta del Buitre", o time montado pelos Merengues era praticamente inteiro formado em casa, com destaques como Hugo Sanchez, Butragueño, Míchel, Hierro, etc. Porém, como o próprio zagueiro afirmou em entrevista, o time já estava envelhecido quando ele chegou.

O brasileiro acabou dando azar. Durante as duas temporadas em que esteve no Real Madrid, foi titular da equipe, fazendo 88 jogos com a camisa madridista. Entre suas desventuras pelas terras espanholas, marcou uma expulsão em clássico diante do Barcelona, na semi-final da Copa do Rei, em 1993. O time de Madrid passou para a final e acabou campeão, mas Ricardo acabou não jogando o jogo decisivo.

Foram duas temporadas em Madrid

Deixou o Real Madrid em 1993, indo jogar no Santos. Aquela não foi a primeira passagem de Ricardo Rocha pelo futebol europeu, já que em 1988 passou um ano no Sporting, deixando o clube lisboeta para jogar no São Paulo, devido a crise vivida pelos Leões, que na época estavam a meses sem conseguir pagar os salários de seus jogadores.

Além de São Paulo, Santos, Sporting e Real Madrid, Ricardo ainda jogou pelo Santo Amaro e pelo Santa Cruz, ambos de Pernambuco, pelo Guarani, Vasco, Olaria, Fluminense, Newells Old Boys e Flamengo, além da Seleção Brasileira, onde jogou duas Copas do Mundo.

O Curioso do Futebol

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