Mostrando postagens com marcador Mídias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mídias. Mostrar todas as postagens

A mídia e a contusão de Neymar

Por Lucas Paes

Neymar no aeroporto, antes de fazer a cirurgia: cobertura grande da mídia

O Neymar é o principal jogador da Seleção Brasileira de futebol, seleção esta que está às vésperas de uma Copa do Mundo onde esse mesmo Neymar é, junto ao treinador Tite, o maior responsável por ser uma das maiores favoritas ao título mundial. Seleção esta que é um dos maiores motivos de orgulho do Brasil.

O futebol é o esporte mais popular do mundo, do planeta inteiro! Querer fazer qualquer falso moralismo sobre atenção, nesse caso, ou crucificar o Neymar por problemas do qual ele não é culpado é burrice, imensa, diga-se de passagem.

O camisa 10 da Seleção tem zero culpa dos problemas sociais do Brasil. Portanto, querer falar que ele vai ser operado por um hospital excelente enquanto vários morrem tendo trabalhos mais difíceis é burrice. Se o Neymar vai ser operado num hospital espetacular e ter uma atenção de médicos internacionais é porque ele lutou para isso e conquistou esse status, se ele merece ou não tudo isso por "chutar uma bola" ai já é outro juízo de valor, mas, lembro de novo, o futebol é o esporte mais popular do mundo e lutar contra isso é burrice.

O Neymar é atualmente o mais próximo que temos de um ídolo nacional, relativamente parecido com o que Ronaldo era em 2002 e, em proporções muito menores (porque não existia quem odiasse ele), algo como Senna nos anos 80 e 90. Portanto, se o Neymar tem uma lesão tão séria a ponto de que ele volte a jogar apenas semanas antes da Copa, isso com certeza vai virar pauta para a mídia, independente de contratos que sabemos que foram feitos anteriormente. Apenas aponto aqui que, não sei se via contrato, mas Senna também era um "príncipe" da Globo e amigo pessoal de Galvão Bueno, então isso não é inédito.

Pode existir algo errado nessa cobertura excessiva, mas cansa ler a mesma baboseira toda hora. Não é possível que a galera falando esse monte de besteira tenha um cérebro, qualquer pessoa com o mínimo de QI sabe que algo com o principal jogador do esporte mais popular do Brasil seria exaustivamente mostrado na mídia. Uma lesão séria a pouco tempo de uma Copa que boa parte (e eu não tenho vergonha nenhuma de me incluir nela) da população está sedenta por uma conquista brasileira vai causar sim um "circo midiático", porque repito, é o principal jogador brasileiro atualmente.

"Ah mas a mídia não cobre assim escândalos com políticos a população blábláblá..." Aí a gente tá lidando com problema de memória né? Faz nem dois anos que tivemos manifestações enormes pelo impeachment da presidente(a) Dilma Roussef (chamem como quiser, presidente, presidenta, você que sabe), ao mesmo tempo que o Jornal Nacional cobre a operação do Neymar, no bloco seguinte surgem notícias da Lava Jato. Às vésperas de uma eleição, a população está sim interessada, não da forma ideal, porque temos alguns candidatos sendo tratados como deuses pelos seus respectivos lados, mas já é um começo.

Na descida do avião

Como diz Rica Perrone, a Seleção Brasileira importa sim, pelo pessoal reunido, pela camisa, pelos amigos que levamos para comemorar uma vitória numa Copa e sim, pelo orgulho que ela trás para este país, que não deveria ter vergonha nenhuma do maior símbolo de sucesso verde e amarelo. É muito estranho um país com tantos problemas fazer tanto escarcéu por uma das poucas (já não é mais a única) coisas que dá certo dentro dele. O gosto pela seleção não impede ninguém de se indignar com algo errado. A relação não é excludente.

Então sim, vai ter muita notícia do Neymar, vai ter gente fazendo #ForçaNeymar, vai ter tudo isso porque hoje ele é o mais próximo que temos de um ídolo nacional. Se ele tá lá, se teve condições de um contrato que, duvidoso e incorreto sim, colocou ele mais na mídia, foi porque ele conquistou esse espaço com esforço e sorte, porque ninguém chega lá só com esforço, mas não da para tirar os méritos do cara.

E que o Neymar se recupere e traga essa taça pro Brasil, porque na boa, eu não preciso esquecer o futebol para várias outras coisas e eu quero muito ter um motivo gigante pra me reunir com meus amigos e sair pela rua comemorando. Uma pena para você, amargo que é, torcendo contra a recuperação dele, torcendo contra a seleção, que nunca irá entender isso. O êxtase de um gol e de um título é uma das sensações mais fantásticas que existem e eu só posso lamentar por quem não gosta, vocês não sabem o que estão perdendo.

De resto, se recupera logo Neymar! Traz a sexta estrela pra essa camisa, cala os que duvidaram de ti e os que vão torcer contra só pra poderem dar risada. Dia 15 de julho, daqui a pouco mais de quatro meses, se Deus quiser, estaremos comemorando o hexa. E pra você que não vai querer estar nessa festa, azar o seu.

Futebol por e para as mulheres é com o ~dibradoras


Apesar de as mulheres cada vez mais terem espaço no Futebol, alguns setores da modalidade ainda têm preconceito com a presença feminina no esporte, infelizmente. Porém, há vários grupos que lutam contra isso e um dos mais importantes é o ~dibradoras, que faz um excelente trabalho, através da internet, para a inserção das mulheres no esporte bretão.

Formado por Angélica Souza (30 anos), publicitária e palmeirense, Júlia Vergueiro (26), internacionalista e são paulina, Nayara Perone (28), designer e corintiana, Renata Mendonça (26), jornalista e são paulina, e Roberta Cardoso, a Nina (33), jornalista e são paulina, o ~dibradoras faz um trabalho interessante, agindo em várias plataformas da rede mundial de computadores: site, podcast, Facebook e Twitter.

O trabalho chamou a atenção de muita gente e, atualmente, o ~dibradoras expandiu seu trabalho para outras modalidades esportivas. Para conhecer mais a ação do grupo, O Curioso do Futebol bateu um papo com a Nina Cardoso, que você pode conferir abaixo.

As formadoras do ~dibradoras

O Curioso do Futebol: Quem teve a ideia de criar o ~dibradoras e como foi o início? Em qual plataforma vocês começaram?

Nina: Angélica, Júlia e Nayara se conheceram jogando futebol. Renata e Nina conheceram as outras três por meio de um grupo de discussão de futebol que todas elas participam no Facebook.

A ideia de criar o projeto ~dibradoras surgiu porque todas nós, como apaixonadas por esporte, sentíamos falta de uma cobertura esportiva que incluísse a mulher. A cobertura tradicional da mídia esportiva adota uma abordagem pensando apenas no público masculino heterossexual. Toda e qualquer abordagem da mulher na mídia esportiva é sempre pelo lado da "musa", da "gata", das "fotos sensuais das esposas dos jogadores", etc. A gente queria fazer algo diferente, queria falar de futebol também para mulheres que acompanham esse esporte, queria falar de modalidades femininas, que nunca são abordadas na imprensa. Por isso começamos com o projeto. Temos o site, a página no facebook, twitter, instagram, um podcast na rádio Central 3 - onde sempre levamos convidadas mulheres (atletas, ex-atletas, gestoras, dirigentes, etc) - e um canal no Youtube, onde também divulgamos vídeos falando sobre mulheres no esporte. 

Começamos pelo site, facebook, twitter e instagram (as redes sociais básicas). O podcast semanal na Central3 surgiu na sequência e depois partimos para os vídeos no Youtube. 

Interessante vídeo sobre a questão de intitular as atletas de musas

OCDF: Quem hoje faz parte do ~dibradoras?

N: Além das cinco co-fundadoras (NR: citadas na abertura da entrevista), que administram a marca. Contamos com algumas colaboradoras que nos escrevem textos e ajudam no desenvolvimento de pautas. São elas: Maria Guimarães, redatora publicitária, Gabriela Abrunheiro, jornalista, Maiara Beckrich, internacionalista, e Thaissa Cordeiro, estudante de RP, que é a nossa correspondente de Manaus.

Em dia de gravação no Pacaembu

OCDF: Vocês, atualmente, atuam em várias plataformas (podcast, vídeos, site, facebook...) qual a importância deles para o trabalho?

N: Todos eles, em conjunto, acabam complementando nossas ideias e bandeiras que levantamos. O conteúdo é nosso forte e pelo podcast conseguimos criar muita matéria exclusiva (a cada semana recebemos uma convidada no programa e falamos sobre diversos temas: machismo, mulheres dirigentes, jogadoras de futebol, vôlei, handebol, futsal, basquete judô, ex-atletas e por aí vai).

No Youtube, nosso conteúdo é mais descontraído, onde nos posicionamos sobre alguns temas e tentamos discorrer sobre ele em até 5 minutos.

Vídeo "Agora é que são elas"

OCDF: Algo que acho muito interessante no trabalho do ~dibradoras é que vocês não abordam apenas o Futebol Feminino competitivo. Há o incentivo para que as mulheres (seja de qual idade) pratiquem o futebol, nas famosas peladas, inclusive em equipes mistas e que homens aceitem isso. Fale um pouco sobre este assunto, até por vocês sempre participarem destes jogos.

N: Bom, apesar de falarmos da mulher em geral no meio esportivo, o futebol feminino é nosso principal mote. Todas nós amamos o futebol e já praticamos – algumas seguem jogando até hoje – e por ser uma modalidade ainda tão carente de apoio e respeito, levamos sempre o futebol feminino em primeiro lugar.

Além de incentivar pela importância da prática esportiva (saúde, bem estar, companheirismo, liderança, espírito de grupo), o futebol, para nós, é uma resistência! É uma causa que apoiamos e incentivamos para que outras garotas ocupem esse espaço e não tenham que provar que jogam bem ou que entendem do jogo. A relação entre mulher e futebol tem que ser natural, assim como acontece para os homens.

Com a ex-jogadora e atual dirigente Michael Jackson

OCDF: Outro trabalho interessante é o incentivo para que mulheres frequentem os estádios e que os homens respeitem-nas (o que deveria ser óbvio, mas infelizmente, ainda não é 100%). Como as mulheres recebem esses incentivos? E os homens, estão apoiando a iniciativa?

N: Sim, nós também incentivamos a presença das mulheres nos estádios, exigindo seu espaço e produtos para que possam comprar. As torcedoras ficam muito felizes quando levantamos essa causa e cobramos mais atenção para elas, pedindo camisetas femininas dos clubes, por exemplo. Isso é o mínimo que os clubes podem oferecer e ainda assim ficam devendo. Fizemos um texto sobre isso: http://dibradoras.com.br/por-que-os-clubes-de-futebol-ainda-ignoram-o-publico-feminino/

As torcedoras pedem nosso posicionamento e endossam o coro. Os homens, em sua maioria, também apoiam e ficam indignados com certas diferenças de tratamento (muitos nem fazem ideia do quanto é difícil encontrar uma camisa feminina, por exemplo).

Vídeo "Respeita"

OCDF: Falando do Futebol Feminino competitivo, o que vocês acham do atual estágio da modalidade no País e da organização e nível dos campeonatos locais?

N: Muita coisa já melhorou, mas ainda é preciso de mais investimento e apoio. Muitos casos bizarros acontecem em jogos do Brasileiro, Paulista e até mesmo da Libertadores. Falta de ambulância, arbitragem, campo em péssimo estado ou com grama sintética, falta espaço para que as meninas possam se trocar antes do jogo e por aí vai. Falta total de estrutura e respeito!

O nível do jogo em si tem melhorado. Não vemos mais muitas goleadas como antes, que mostravam o desnível das equipes. As partidas são bem mais competitivas e cheias de rivalidade.

O que falta mesmo é mais incentivo na base por parte da CBF e fomentar a prática nas escolas, entre as crianças. A CBF é a responsável por vender seu “produto” e atrair mais parceiros. Depois, as marcas também precisam se interessar e a mídia deve informar o público sobre os jogos e atletas.

Com a zagueira Aline Pellegrino

OCDF: Neste ano, teremos os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. O que vocês esperam do torneio de Futebol Feminino do evento? Acham que pode haver alguma surpresa? E, na opinião de vocês, como será o desempenho da Seleção Brasileira na competição?

N: O nível do futebol feminino nessa edição olímpica, acredito, será de nível altíssimo. A Copa do Mundo do ano passado foi fantástica e não espero nada menor do que isso. Temos ótimas seleções como favoritas (EUA e Alemanha) e outras que estão se tornando potência na modalidade, como a França. Também temos o Canadá e a Suécia que são países com uma cultura muito forte de futebol feminino. Daqui da América Latina, temos o Brasil e a Colômbia, apenas.

A seleção brasileira melhorou muito fisicamente com a criação da seleção permanente. As meninas estão ótimas no preparo físico, aguentam bem a correia e os encontrões do jogo, mas taticamente ainda peca muito. A Marta é ainda nossa grande referência e quando ela está bem marcada e não consegue jogar, o time sente bastante.

A equipe do Vadão fez muitos amistosos ano passado e recentemente disputou a Copa Algarve (perdeu na final pro Canadá), mas ainda falta mais organização e um esquema tático que funcione. Difícil não acreditar nelas, mas o caminho para o ouro vai ser bem complicado.

Vídeo "Pergunta pro seu pai"

OCDF: Para finalizar, deixo o espaço aberto para vocês acrescentarem algo.

N: Nosso projeto surgiu da necessidade de falar mais sobre a presença feminina no esporte brasileiro. As mulheres sofreram muitas proibições ao longo de sua história na sociedade e essa nova geração não aceita mais certos tipos de imposições que nos limitem. As mulheres – antes tão competitivas entre si – estão mais unidas do que nunca, buscando seu espaço na sociedade e seus direitos como cidadãs.
O esporte é a ferramenta mais eficaz na hora de ensinar valores para alguém e nós acreditamos muito na força da prática esportiva como elemento fundamental no desenvolvimento do ser humano.

Com a 'Magic' Paula

Conheça os links de trabalho de ~dibradoras:

Instagram: @dibradoras

O Curioso do Futebol

O Curioso do Futebol
Site do jornalista Victor de Andrade e colaboradores com curiosidades, histórias e outras informações do mundo do futebol. Entre em contato conosco: victorcuriosofutebol@gmail.com

Aceisp