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Maidstone United segue escrevendo a grande história da FA Cup

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/FA Cup 

Treinador e atacante do Maidstone comemoram vitória na FA Cup

A Copa da Inglaterra é um dos maiores campeonatos de futebol que existem no futebol. A FA Cup permite a praticamente todo e qualquer time da Inglaterra chegar a um dia enfrentar um dos grandes do país. Em 2024, uma dessas histórias vai sendo escrita de uma maneira muito bonita, já que um time semi-amador da sexta divisão segue avançando e já arrancou da competição times da terceira e da quarta divisão que são profissionais. Se trata do Maidstone United, que eliminou o Stevenage, da terceira divisão e está na quarta fase da competição.

O Maidstone United é um time que é relativamente novo no cenário do futebol. A equipe é uma espécie de "filho" do antigo Maidstone United, que também se chamou durante um tempo Maidstone Invicta e que faliu ao final da era Football League no futebol inglês, dando origem ao atual Maidstone United, que surgiu como um clube de juvenis e depois foi avançando na pirâmide do futebol da cidade de Kent. Na verdade, a equipe tem dado passos bem interessantes até chegar no ponto atual, na sexta divisão.

Este ano, o time faz até boa campanha na sexta divisão, brigando ali para chegar na zona de disputa pelo acesso a National League e ficar mais um passo perto de conquistar uma vaga na pirâmide profissional do futebol inglês, mas ninguém esperaria que a equipe iria conseguir ir tão longe na FA Cup, que costuma ser muito indigesta para equipes do nível dos Stones, que não estão na pirâmide profissional do país. 

A equipe entrou na FA Cup já na segunda qualificatória, quando pegou o Steyning Town e goleou a equipe amadora por 4 a 1, depois a equipe tirou o Winchester City, que também é um time non-League, fora de casa, vencendo por 2 a 0. Na terceira classificatória, triunfo também por 2 a 0 sobre o Torquay United, que também é da sexta divisão. Depois, outro 2 a 0 no Chesham United e aí chegou o primeiro adversário onde qualquer um pensou que o Maidstone cairia: o Barrow, da quarta divisão.

Quarto colocado e dono de ótima campanha na League Two, o Barrow não foi páreo para o inflamado ambiente do Gallagher Stadium e sucumbiu numa derrota por 2 a 1, na primeira grande zebra protagonizada pelos Stones. Diante do Stevenage, o desafio era ainda maior, já que o time faz boa campanha na League One, que é a terceira divisão e inclusive está nas cercanias da zona de classificação aos playoffs. Pouco adiantou, pois o gol de pênalti de Sam Corne classificou o time da sexta divisão.


Agora, o Maidstone aguardará um adversário que pode ser ainda mais conhecido na FA Cup, sonhando com voos mais altos e já escrevendo uma linda página de sua "curta" história. A equipe jamais havia sequer chegado perto dessa fase, caindo na segunda rodada na temporada 2017/2018, em seu voo mais longo na competição. Agora, pode até ter um confronto contra um time da Premier League. 

Só o tempo dirá onde o sonho do Maidstone na Copa da Inglaterra vai terminar, sendo uma probabilidade muito grande disso acontecer já nesta fase. Mesmo assim, a história escrita nesse ano é uma das mais legais de um país marcado por aqui pelos gigantes ricos da Premier League, mas que possuí uma cultura de futebol gigantesca que está a mostra nos corredores da FA Cup. 

The English Game - A série que dramatiza o início da maior paixão do planeta

Por Lucas Paes
Foto: Divulgação/Netflix


Série foi lançada no dia 20 de março pela Netflix

O futebol, por todo o status que alcançou na cultura mundial, é muito mais que um simples esporte. Virou um estilo de vida, uma razão e motivo para pessoas buscarem coisas novas, enfim, virou quase um traço cultural da maior parte do planeta. Nesse mundo bola muita coisa acontece e dá fundo para a dramaturgia, afinal, as vezes as hitórias de alguns jogos são tão loucas que não poderiam ser imaginadas nem pelos melhores roteiristas. Mas, num esforço elogiável e que rendeu uma boa minissérie, a Netflix usou da dramaturgia para contar um pouco sobre o começo dessa paixão, com a série The English Game.

Lançada recentemente, no dia 20 de março, na plataforma de streaming, a série foi criada por Julian Fellowes e tem como ponto central dois responsáveis pela profissionalização do futebol na Inglaterra e a história de como se chegou a isso, Fergus Suter, interpretado por Kevin Guthrie, operário de origem escocesa e Arthur Kinnaird, interpretado por Edward Holcroft, um aristocrata de família rica. O plano de fundo do primeiro episódio é um jogo válido pela FA Cup, que faz com que Suter e o amigo Jimmy Love (Jarmes Harkness) sejam convidados por Jame Walsh (Craig Parkison) para jogar no time da pequena cidade de Darwen, recebendo por isso,  numa época em que o futebol inglês era amador e não pagava salários, sendo um jogo de cavalheiros. A partir daí, se desenrola a trama.

Na verdade a série não fala só sobre futebol. O esporte é usado para explicar também o momento social na Inglaterra, com a divisão de clases de um esporte que até então era da elite e ia aos poucos abrindo suas portas ao proletariado, com vários times se registrando. Isso é história no futebol da Terra da Rainha, já que a Copa da Inglaterra em poucos anos foi de 12 participantes para mais de 100. Hoje, são mais de 700 times disputando a FA Cup, de toda a Inglaterra e até da Escócia. O personagem de Edward tem justamente o papel da visão aristocrata sobre o esporte e sobre as lutas sociais do proletariado na época.


Na série, como pede a dramaturgia, são cometidas imprecisões históricas. Na Série, Fergus e Jimmy teriam sido levados ao Darwen para o jogo da copa nacional diante do Old Etonians, mas o fato é que Jimmy ja jogava na equipe no ano de 1878. Suter na verdade vai para Darwen devido a problemas financeiros e escreve uma carta pedindo para jogar no Darwen e trabalhar na fábrica de algodão. Os dois são até hoje conhecidos como os primeiros jogadores a receberem salário na Inglaterra.

O jogo entre Darwen e Etonians mostrado no primeiro episódio realmente ocorreu na Copa da Inglaterra de 1878. As cenas do jogo na série são até meio pitorescas devido a uma certa falta de produção, mas é possivel ignorar isso para ter gosto pela história, que retrata a partida que termina com o Darwen buscando um heroíco empate de 5 a 5 com o time da elite. No replay, porém, os Old Etonians se classificaram, pelo menos na série, no segundo jogo. Na realidade foram necessários três jogos, já que o segundo replay também termina em outro empate.

Depois disso, a série segue mostrando passos em caminho ao profissionalismo no futebol inglês, com o fundo histórico e dramático. A trama mostra por exemplo o fato de Suter ter deixado o Darwen e ido jogar em Blackburn logo após conquistar o título da Copa de Lancashire. As duas equipes eram rivais e seus primeiros jogos eram muito tensos, algo que a série aproveitou bem. O único erro da trama é que nessa época haviam dois times na cidade, o Rovers, famoso e vivo até hoje e o Olympic, que na série são retratados como uma única equipe.

Ainda se mostra na história o fato de várias equipes serem questionadas e até excluídas pela Football Association de seu quadro quando a prática de pagar salários ainda não era legalizada. A situação foi se tornando comum ao redor do país já naqueles anos. A trama se desenrola até chegarmos ao climax, no "Season Finale", que trata o embate entre o time de Blackburn e o time de Ethon.  O roteiro dá a entender que o confronto ocorre em 1880, mas mistura elementos de três finais distintas, é aqui que a dramaturgia entra para dar um toque. Além de dar a entender que o Blackburn Rovers conquistou a competição, quando foi o Olympic que o fez.

Um problema encontrado na trama é a aceleração na primeira metade, que não nos permite entender tão bem a história por trás de Fergus e de sua relação com Martha Almond (Niahm Walsh). Além de ele virar ídolo da cidade muito rapidamente, jogando apenas um jogo. A história de Arthur Kinnaird, porém, é bem explorada, mostrando como a perda de seu filho afeta o aristocrata e a diferença entre sua atitude e de outros de sua classe, além da visão dele da classe trabalhadora e de suas lutas.


No epílogo do fim da temporada, é explicado sobre o papel dos dois protagonistas na oficialização da profissionalização do futebol inglês, que ocorre em 1885. Tal fato abriu caminho para a criação da Football League e para a expansão do jogo por todo o resto do globo. Seria assim que lá nos meados de 1890, um tal de Charles Miller traria o jogo para o Brasil e o resto é história, e bota história nisso. Arthur Kinnaird, um dos protagonistas, seria anos mais tarde presidente da Football Association, cargo que ocupou por singelos 30 anos.

A série é um ótimo passatempo para os fãs do esporte bretão num momento onde o futebol anda paralisado e sem previsão de volta no mundo inteiro. Não há informações ainda muito claras sobre uma possível segunda temporada ou continuações, mas The English Game cumpre seu papel, apesar das falhas de produção e é um ótimo programa de entrenimento para o torcedor que pede ansiosamente por bola rolando. É claro, também, que se a Netflix quiser pode sim continuar a série, já que, obviamente, o futebol não saiu da profissionalização para a criação da Premier League.

É importante frisar que a série não é a única sobre futebol na Netflix, que tem a alemã Trainer, interessantíssima e até essencial para quem queira seguir carreira como treinador de futebol, já que ela mostra a formação alemã de treinadores. Temos também Apache, sobre a vida de Tevez, que figura em outra série, que trata sobre o Boca Júniors. Existem várias outras relacionadas ao tema, como Sunderland até morrer, que também tem o futebol inglês como plano de fundo. Outra boa pedida recente é o filme Ultras, também recém lançado na Netflix, sobre torcidas organizadas européias. Já que não da para pegar o controle e assistir jogos de futebol, pelo menos é possível abrir a internet e ver séries sobre ele.

O "pontapé inicial" do futebol como conhecemos

Por Lucas Paes

Harry Hampton marca um gol pelo Aston Villa na final da FA Cup de 1905

Antes do futebol virar um fenômeno de mídia, popularidade, dinheiro e tudo mais que o esporte bretão envolve hoje em dia, muito antes da Copa do Mundo, muito antes da Liga dos Campeões, da Libertadores e de tudo o que conhecemos, houve um começo, um "big-bang", um ponto de eclosão para o futebol virar o que virou: em 26 de Outubro de 1863, acontecia a primeira reunião daquelas que definiriam as regras do futebol como o conhecemos hoje.

Chutar uma bola não é exatamente algo exclusivo dos ingleses no século XIX, já que a origem do futebol remonta à tempos muito mais antigos. Mas o jogo foi mudando, passando pelos violentos festivais do "Calcio" de Firenze, do antigo futebol que surgiu na era medieval e era uma atividade violenta e fatal até chegar num jogo que tinha diversas regras diferentes em distintas escolas da Inglaterra. Foi entre os séculos XVII e XVIII que o jogo começou à evoluir para o que é hoje. Em jogos organizados entre equipes de escolas e faculdades de diversos pontos da Inglaterra. Nos anos 1600, começaram a surgir, na terra da rainha, descrições de jogos muito semelhantes ao nosso esporte bretão.

Um exemplo está no "Livro dos Jogos" de Francis Willughby, onde ele cita um jogo onde se organizavam times, haviam "dois portões" em cada lado do campo para determinar o objetivo do jogo e não se podia acertar o adversário acima da bola. A separação entre o futebol e o rugby, por sua vez, começa com de William Webb Ellis, que costumava sair correndo para frente com a bola nas mãos no jogo. Neste caso, ele quebrava as regras correndo para frente, já que usar as mãos era bem comum no "futebol" desta época. 

Pouco antes da reunião de 1863, surgiram as regras que começaram acima de tudo a determinar o futebol como conhecemos hoje. As regras de Cambridge e de Sheffield foram o pontapé inicial do "Association Football", que virou o jogo que todos nós conhecemos. Ambos os códigos permitiam cada vez menos o uso das mãos no jogo. Porém, regras de outras regiões incentivavam tanto o uso da mãos quanto ações mais "violentas" para evitar o avanço de um jogador com a bola.

Em 26 de Outubro de 1863, ocorre a primeira reunião de clubes londrinos que daria origem a Football Association, na Freemasons Tavern. Os clubes presentes na fundação foram o  Barnes, o Civil Service, o Crusaders, o Forest of Leytonstone (que depois virou Wanderers F.C.), o N.N. (No Names) Club, o antigo Crystal Palace, que, apesar do nome, não tem a ver com o atual, o Blackheath, e as escolas Kensington School, Perceval House (Blackheath), Surbiton and Blackheath Proprietary School e Charterhouse. Desses clubes todos, o único ainda ativo na prática do futebol é o Civil Service, que joga em uma das infinitas divisões amadoras inglesas. Já nessa época, a escola de Rugby deixou a FA por divergências. Dali a alguns anos, surgiria a Rugby Union, que daria origem ao Rugby.

A curiosidade interessante que surge é que o futebol, popular e enorme que hoje é, surgiu como um jogo universitário e escolar. As reuniões para definição das "Leis do jogo" seguiram até dezembro daquele ano de 1863. No dia 19 de dezembro ocorreu o primeiro jogo, entre Morleys Barners e Richmond, que terminou zero a zero. Dois times escolhidos por dois diretores da FA fizeram outro jogo em janeiro de 1864. Em 1872, mais precisamente no dia 16 de Março, no Estádio The Oval, que hoje é um campo de Cricket, o Wanderers foi campeão da primeira edição da FA Cup, em cima do Royal Engineers, com uma vitória por 1 a 0. A partir dali, o resto é história.

O Curioso do Futebol

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