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Os vinte anos da vitória de Senegal sobre a França na abertura da Copa de 2002

Por: Emerson Gomes
Foto: arquivo

O lance do gol de Senegal

Há vinte anos atrás, na manhã de 31 de maio de 2002 quem parou seus afazeres para ver a primeira partida da Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, esperava uma grande estreia de uma França atual Campeã do Mundo e Europeia, com atletas experientes e badalados, contra uma equipe para muitos ainda desconhecida, que viria a espantar a todos noventa minutos mais tarde, o Senegal, que com uma bela vitória e com muita dança e festa surpreendeu o mundo.

Os franceses vinham do título da Copa de 98, do Europeu de 2000 e naquela que seria a última vez que os atuais campeões não disputariam as eliminatórias, chegavam com pompa e como francos favoritos para mais um título. Já os senegaleses venceram o grupo da morte na África, passando por Marrocos, Egito, Argélia e Namíbia para chegar a seu primeiro mundial. Ainda em 2002 os Leões de Teranga foram vice campeões da Copa das Nações Africanas perdendo nos penais para Camarões.

Pouco conhecidos para muitos naquela noite coreana no Seoul World Cup Stadium, os senegaleses não eram tão ocultos assim para os adversários, 21 dos 23 convocados jogavam nas três principais divisões da França. E na partida, o que se viu foi uma França estrelada, mas pouco produtiva, tentando ataques em velocidade com o trio Wiltord (substituindo Zidane, machucado), Henry e Trezeguet, sem sucesso. Já os africanos utilizavam a velocidade de um endiabrado El Hadji Diouf.

E aos 30 minutos veio a maior surpresa da noite, em descida em velocidade de Diouf, a defesa francesa se atrapalhou e Papa Bouba Diop, que caíra sentado na jogada, escreveria seu nome na história, 1 a 0 Senegal. O primeiro gol daquela Copa de 2002 e que desestabilizou os adversários, que tentaram, mas sofreram também com os contra-ataques do adversário.

A segunda etapa veio, a partida melhorou, os Franceses tentaram, Henry acertou o travessão, e do outro lado Khalilou Fadiga também. Os minutos passaram, e ao fim, o inesperado aconteceu, Senegal venceu a França. O fim de partida já trouxe a primeira zebra do torneio, e abrira os olhos do mundo para o futebol alegre e colorido como as cores de sua bandeira. Após a partida, Senegal fez grande campanha, sendo eliminado nas quartas de final pela Turquia. Já os franceses fizeram um torneio pífio e voltaram para casa na primeira fase na Copa que foi conquistada pelo Brasil.


Dos grandes heróis daquela noite na Coréia do Sul e manhã no Brasil, o treinador Bruno Metsu, que reuniu um elenco antes desacreditado e o levou a glória, nos deixou em 2013. Já Papa Bouba Diop, o autor do gol da partida faleceu em 2020. Ambos nos deixaram, mas tem seus nomes escritos em uma das histórias mais lindas das Copas do Mundo, naquela manhã de 31 de maio que deixaria a todos mais alegres. Sene, Sene, Senegal!

Em meio ao coronavírus, K-League começa com portões fechados

Por Lucas Paes
Foto: AFP

Campeonato Coreano teve início nesta sexta-feira

Em meio a uma pandemia que fez o mundo parar, o futebol não conseguiu escapar da equação e viu diversos campeonatos ficarem paralisados. Em alguns locais, porém, por motivos culturais ou por ações rápidas, o coronavírus teve impactos muito menores. Um dos países em que a situação foi bem controlada foi a Coréia do Sul, que com isso iniciou a sua liga nacional, a K-League, que iniciou seus jogos na última sexta-feira, dia 8.

Claro que o campeonato não se inicia sem prevenções. Num país onde culturalmente qualquer resfriado já vira motivo para uso de máscaras, somando-se a ações rápidas e eficientes do governo, a COVID-19 conseguiu ser minimamente controlada. Porém, os estádios ainda seguem com portões fechados e diversos dos profissionais envolvidos devem usar máscaras e luvas. Há a orientação até para a contenção em comemoração de gols, evitando abraços, em um futebol no mínimo diferente do que era.

O primeiro jogo, na sexta-feira, envolveu o atual campeão, o Jeonbuk Hyunday Motors contra o Suwon Bluewings. Jogando em casa, no Jeobunk World Cup Stadium, o atual campeão venceu pelo placar mínimo, com um gol de Lee Dong-Gook, que é o maior artilheiro da história da K-League. No Jeonbuk joga o brasileiro Murilo, que se destacou jogando a Série B do ano passado pelo Botafogo de Ribeirão Preto e acabou contratado pelo campeão sul-coreano. 

Obviamente não foi só o campeão que jogou. No sábado, o Ulsan Morang jogou em casa e goleou o Sangju Sangmu por 4 a 0, com dois gols do brasileiro Junior Negão, que já joga há terras sul-coreanas. O resultado compensou a falta de gols do duelo entre Icheon United e Daegu. O Seongnam, que já foi casa do colombiano Molina, de boa passagem pelo Santos, venceu o Gwangju fora de casa, no último jogo no sábado.

Já neste domingo, tivemos dois duelos. O tradicional Pohang Steelers venceu o Busan Park por 2 a 0, jogando em seus domínios, enquanto o Gangwon bateu o Seul FC por 3 a 1, também em casa. Os resultados colocaram o Ulsan na liderança, obviamente, mas com uma rodada o campeonato apenas tem seu início, sendo complicado fazer quaisquer previsões neste momento, por motivos óbvios. Em relação a transmissão, a K-League aproveitou o momento para fechar acordos com diversos países do mundo, desde a Austrália, com televisão mesmo, até streamings na Inglaterra. Até o momento, não temos nenhuma novidade de transmissão para o Brasil.


A K-League funciona da seguinte forma: primeiro, todos os 12 clubes jogam todos contra todos em três turnos que acabam definindo a classificação final da primeira fase da competição. A partir disso, as equipes que ficam entre o primeiro e o sexto lugar entram na disputa pelo título, enquanto os seis últimos disputam para escapar do rebaixamento, num torneio onde desce um clube de maneira direta e um disputa um playoff contra o vice-campeão da K-League 2. A partir daí, os seis clubes em cada disputa jogam todos contra todos em um turno. O campeão será quem somar mais pontos ao longo das duas disputas.

A K-League está estabelecida desde 1983, sendo que os times são geralmente fundados por empresas locais. Seongnam e Jeonbuk são os maiores campeões com 7 títulos cada um. Além deles, temos o Seul FC com 6 títulos, Pohang Steelers com 5, Suwon Samsung Bluewings e Busan Park com 4, Ulsan Hyunday com 2 e Jeju United e Hallelujah FC com um título cada um. O Hallelujah foi dissolvido em 1998. 

Arriba, México!!!

Por Victor de Andrade
Fotos: Getty Images.com/Fifa.com

Chicharito Hernandez comemora o segundo gol mexicano na partida

A Seleção Mexicana, do treinador Juan Carlos Osorio, está provando que a grande vitória na estreia, contra a Alemanha, por 1 a 0, não foi apenas uma mera obra do acaso. Neste sábado, dia 23, na Arena Rostov, a "La Tri", como é conhecida carinhosamente, bateu a Coreia do Sul pelo placar de 2 a 1, jogando da mesma forma que derrotou os germânicos.

Era uma grande expectativa de ver os mexicanos em campo novamente. No domingo, dia 17, eles venceram a Alemanha, por 1 a 0, jogando um belo futebol, convincente, merecendo o resultado. Tudo bem que o retrospecto de campeões mundiais nos torneios seguintes vêm sendo pífios (desde 1998, apenas o Brasil, por duas vezes, foi o campeão que avançou na fase de grupos na Copa seguinte), mas bater um time que levantou a taça quatro anos antes, na estreia, é sempre impactante.

E neste sábado o México, contra um adversário teoricamente mais fraco, fez o resultado calmamente. É verdade que o jogo começou equilibrado e a Coreia do Sul não ficou atrás, apenas marcando, fez seu time ir para cima, buscando também o gol. Porém, aos 24 minutos, Jang Hyun-Soo dá um carrinho de braço aberto, dentro da área, e nem preciso dizer onde a bola foi: pênalti! Carlos Vela foi para a cobrança e abriu o marcador.

A Coreia do Sul está agora com mínimas chances de classificação

O México continuava melhor na partida e Lozano fez uma belíssima jogada, quase marcando um golaço. Os sul-coreanos tentavam reagir, mas esbarravam na falta de precisão no último passe, não conseguindo finalizar as suas jogadas. Com isto, o primeiro tempo terminou com o placar de 1 a 0 para os mexicanos.

Na segunda etapa, a "La Tri" atraiu a Coreia do Sul para o seu campo, tentando explorar os contra-ataques. Apesar de a tática quase ter ido por água abaixo algumas vezes, como quando o goleiro Ochôa e o zagueiro Rafa Marques quase "entregaram a rapadura", os mexicanos conseguiram marcar aos 21', com Chicharito Hernandez, meio que apagando a má impressão que ele deixou na estreia.

Ainda teve tempo para a Coreia do Sul diminuir a contagem já nos acréscimos, com Son, mas a vitória dos mexicanos estava garantida. Aliás, triunfo importantíssimo: é apenas a segunda vez na história das Copas em que o México consegue vencer os dois primeiros jogos da competição. A primeira oportunidade foi em 2002, quando a "La Tri" bateu a Croácia (1 a 0) e o Equador (2 a 1).

Bélgica 1 x 0 Coréia do Sul - A festa compensou a partida sonolenta

Bélgica jogou 'para o gasto' e conseguiu a vitória

* por Genilton Lucas

Sempre quis estar em um jogo de Copa do Mundo. Sou fã de futebol e sempre acompanhei as partidas dos Mundiais anteriores pela televisão. Fazer parte do evento era um sonho que consegui realizar com a Copa do Mundo sendo aqui no Brasil.

Fiz as inscrições nos sorteios para a venda dos ingressos. Na segunda fase, consegui comprar entrada para o jogo Coréia do Sul e Bélgica, que foi realizado no dia 26 de junho. Estava a caminho de realizar o desejo de assistir a um jogo de Copa do Mundo.

Chegado o dia da partida, me preparei para ir. A minha viagem até a Arena Corinthians foi muito tranquila. Como eu moro em Suzano, na grande São Paulo, utilizei os trens da CPTM. Foi genial ver o pessoal nas estações de trem já no clima da Copa. Foi algo que nunca senti na vida. Demorei cerca de 30 minutos entre minha residência e o local da partida e tudo funcionou perfeitamente.

Já do lado de fora da Arena Corinthians deu para perceber o quanto é legal o clima da Copa. Muita alegria e confraternização, coisas que nunca havia visto em jogos de futebol. Sem muita fila, entrei no estádio, procurei o meu lugar e fiquei esperando o início do jogo, observando o movimento de pessoas de várias partes do mundo.


Já na parte de dentro da Arena

As seleções da Coréia do Sul e Bélgica não apresentaram um grande futebol. Para ser sincero, o dia valeu mais  por todo o clima que se faz presente em uma partida de mundial. Vários jogadores belgas foram poupados, já que a equipe já estava classificada para as oitavas. Porém, foi a própria Bélgica que comandou o jogo, mesmo jogando com um menos por causa da expulsão justa de Defour.

Os sul-coreanos pareciam abatidos pelas chances mínimas de classificação. Pareciam até que queriam que o jogo terminasse logo para voltar para casa mais cedo. Mesmo levando o jogo a ‘banho-maria’, a Bélgica garantiu a vitória com o gol de Jan Vertonghen aos 33 do segundo tempo.

Durante a partida e ao final dela, conversei com pessoas que vinham de várias regiões do país. Todos estavam felizes por estarem ali, participando de uma Copa do Mundo. A sensação de estar ali é única, principalmente por ser um Mundial no Brasil.

Acho que esse clima de Copa do Mundo vai viver para sempre dentro de quem teve a experiência de estar em pelo menos um único jogo desse Mundial. Infelizmente, tudo isso não voltará a acontecer em nosso país tão cedo. Fomos uma geração contemplada!


* Genilton Lucas da Silva, o Nilton, 31 anos, é líder de Logística, mora em Suzano-SP mas é potiguar de nascimento e torce para o Palmeiras e América de Natal.


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Lembrando do passado e curtindo o presente


O jogo não foi dos melhores, mas o clima estava ótimo

* por Sérgio Oliveira

Para falar de 2014, preciso voltar 20 anos no tempo. 

EUA , copa do mundo de 1994, minha primeira copa do mundo . Já tinha acompanhado as duas anteriores como fã, mas essa era diferente  pois estava em solo Americano no período da copa curtindo férias e senti na pele aquele clima. No auge dos meus 13 anos de idade ainda um pimpolho começando na arte do fanatismo futebolístico me recordo da festa dos holandeses nas ruas todos pintados de laranja dos pés a cabeça, ou dos brasileiros no hotel comemorando o gol nas oitavas de final contra os EUA.

Tudo melhorou quando meu tio largou a excursão para ir ver Holanda x Bélgica.

Foi ai que coloquei copa do mundo no meu CV. Infelizmente, graças minha memoria de idoso esquecido pouco lembro daquele dia, me restam apenas o guia oficial do jogo, os ingressos e as fotos. Foram 20 anos com este trunfo genial que usava contra os amigos que nunca tinham visto um jogo de copa. Tudo acabou em 2014.

Estádio lotado

20 anos depois daquele Holanda e Bélgica, poucas eram as minhas esperanças de conferir uma copa no meu país, a falta de grana para ingressos e viagens era o principal motivo.  Já estava conformado em curtir o clima na Fan Fest e pegar carona no planejamento dos amigos mais endinheirados.

Tudo mudou quando ganhei de presente do amigo Luiz Gustavo folego, um ingresso para conferir Bélgica x Coréia na Arena Corinthians . É na dificuldade que se reconhece um grande amigo e até hoje agradeço a generosidade do maior torcedor vivo do Grêmio Mauaense.

A empolgação de rever um jogo de copa 20 anos depois era muito grande. Por isso cheguei bem cedo ao itaquerão para curtir o evento, tive até tempo de sofrer com Portugal na primeira partida do dia num boteco risca faca próximo ao estádio.

Especial da Copa na FATV

Aos poucos os gringos foram chegando e na minha cabeça todo o Déjà vu de 20 anos atrás, a mente foi clareando, Os belgas alcoolizados cantando em 2014 eram uma versão mais moderna dos mesmos holandeses na rua em 1994, as pessoas das mias diversas nacionalidades com bandeiras , as mais diferentes camisas de times. Tudo que já havia conferido nos EUA estava ali, e o mais legal, no meu país, na cidade que vivi quase que toda minha vida.

O jogo em si foi o de menos, nível técnico baixo, mas era o que menos interessava. Valeu a festa dos gringos, valeu pelos vários amigos que encontrei, valeu pelas quase 20 horas que passei respirando 100% futebol, desde cedo no boteco sofrendo com Portugal até o jantar no fim de noite com os amigos no shopping Itaquera.

Quero e preciso ter essa experiência mais uma vez na vida, não importa qual seja a copa, 2018, 2022 ou tá mesmo 20130. Preciso ver uma copa pela Terceira vez, quem não teve essa oportunidade, faça como eu, comece o pé de meia e junte uma grana. Com certeza vale a pena.


* Sérgio Oliveira, 34 anos, é jornalista, apresenta o programa Futebol Alternativo TV na AllTV, mora em São Paulo e torce para a Portuguesa de Desportos.

Coréia do Sul 2 x 4 Argélia - Jogo de seis gols em Porto Alegre

Argelinos comemoram um dos gols contra os coreanos

* por Jonathan Queiroz Marques da Silva

Quando soube que a Copa do Mundo de 2014 seria realizada no Brasil, a primeira coisa que pensei foi em ir aos jogos da seleção e, se possível, tirar férias no período para acompanhar a nossa equipe. Infelizmente, isto não foi possível, mas aproveitei o evento do início ao fim, indo à Fan Fest em praticamente todos os dias, a bares e tive a sorte de ir a uma partida. 

Comprei o ingresso para o jogo Argélia e Coréia do Sul pelo site da FIFA, após várias tentativas e uma corrida insana em uma manhã de meio de semana. Essa partida era a opção mais barata e acessível em final de semana. Além disso, era um dos últimos jogos disponíveis naquele dia. Na hora em que obtive o ingresso, minha menor preocupação era chegar a Porto Alegre. 

A ida para a capital gaúcha foi tranquila. Saímos de São Paulo na manhã de domingo, dia 22 de junho para um bate e volta, pois o voo de retorno estava marcado para logo depois do término da partida.

Beira-Rio antes da partida

Recordo-me que, na saída de Guarulhos, viajamos com um avião cheio de argelinos e sul- coreanos que estavam bastante animados. A chegada ao estádio não foi complicada, porque já conhecia Porto Alegre. Para que ficássemos nas proximidades, pedimos ao taxista que nos levasse ao Shopping Praia de Belas. De lá, fomos à Fan Fest e depois, uma hora antes da partida, caminhamos ao Gigante da Beira Rio.

A partida começou com as duas equipes jogaram um futebol muito ofensivo. Os argelinos mostravam mais qualidade individual e facilidade em manter a posse. Além disso, o time africano também possuía atletas fisicamente mais fortes, o que facilitou nas jogadas aéreas. 

A Argélia marcou 3 a 0 ainda no primeiro tempo. A Coréia do Sul descontou com um gol, mas os argelinos aumentaram com um golaço do Brahimi logo em seguida. Menos de cinco minutos depois, os sul-coreanos anotaram seu segundo gol, dando números finais. Argélia 4, Coréia do Sul 2. Em resumo: a partida foi ótima! 

Além da ótima partida, o clima dentro e fora do estádio era o melhor possível. Houve muita interação, conversas sobre cultura dos países, como cada um vivia o futebol e vontade de conhecer tudo o que era possível sobre os locais visitados.

Ao final da partida

Conversei com diversas pessoas, sobretudo argelinos, que eram muito acessíveis. Muitos deles mostravam vídeos sobre a seleção argelina, apresentando jogadores e sempre mantendo suas vestimentas que os caracterizavam.

Nas Fan Fests de São Paulo, fiz amizade com uma família chilena e uma fotógrafa escocesa que acompanhava a torcida inglesa no dia da estreia deles contra a Itália. Os encontrei outras vezes ainda durante o evento, sendo que com os chilenos ainda mantenho contato via internet. 

A Copa do Mundo foi uma experiência completamente diferente daquilo que estamos acostumados com nossos clubes. O publico é excelente, pois o desejo geral é de participar da festa e curtir o futebol sob uma organização fora de série. Foi algo ótimo, indescritível!

A Copa ainda deixa saudades em quem gosta de futebol, pois  foi a COPA DAS COPAS!


* Jonathan Queiroz Marques da Silva (ao centro), 32 anos, é analista jurídico, mora em São Paulo e torce para o Juventus



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Realizando um sonho no dia da Argélia


* por Emerson Ortunho

Como um apaixonado por futebol, eu fiquei entusiasmado em poder presenciar o maior evento esportivo do mundo no meu país quando anunciaram que o Brasil seria a sede da Copa do Mundo de 2014.

Tentei adquirir entradas para algumas partidas. Comprei ingresso em uma das vendas livres no site, nas primeiras fases de sorteio e confesso que não me agradou o sistema. Talvez nunca na história desse país tenha havido tantos crimes de falsidade ideológica num curto espaço de tempo. Por ética me mantive firme com um único “login” e fui praticamente engolido pelo que se sucedeu, ficando quase sem opções.

Torcida argelina ficou alegre pela vitória

Depois, entre os jogos que se fizeram disponíveis, decidi por um conjunto de fatores, levando em conta ser tecnicamente um “jogo perdido”, ter uma logística financeiramente viável e ainda se encaixar nas minhas folgas. Por isso, escolhi a partida entre Coréia do Sul e Argélia.

O jogo foi disputado em Porto Alegre e fiz praticamente um bate e volta dormindo na cidade de Montenegro, já que em Porto Alegre os hotéis estavam inacessíveis. Mas a estada foi super agradável e o clima de Copa do Mundo ajudou muito no dia.

A partida entre sul-coreanos e argelinos foi ótima, com muita garra e disposição das equipes em um jogo de seis gols. Já em termos de qualidade técnica, não tinha em mente exigir muitos das equipes, pois minha proposta era mesmo assistir um jogo alternativo na Copa.

Surpreendentemente, a Argélia abriu 3 a 0 no primeiro tempo, atropelando a Coréia do Sul. Logo no início do segundo tempo, a Coréia diminuiu, o que deixou o jogo eletrizante, mas o dia era mesmo da Argélia. Fizeram 4 a 1 e mesmo sofrendo mais um gol no fim, conseguiram faturar a partida.

Seis gols em uma partida animada

O clima fora do estádio foi extremamente fascinante. Ver pessoas de vários países se divertindo pelas ruas, interagindo, com um clima de cooperação foi muito agradável, como nunca tinha visto em nenhuma situação ou evento.

Aproveitei para conversar bastante e tirar fotos com pessoas de vários países. Não fiz nenhuma amizade nova, pois na época eu não tinha Facebook e esse era meio que o cartão de visita das pessoas. Em compensação, encontrei velhos amigos por lá e juntos curtimos os afazeres além-jogo que a capital gaúcha nos proporcionou.

Depois de anos me emocionando em assistir a Copa do Mundo somente pela TV, enfim ter a oportunidade de estar dentro de um estádio lotado, com pessoas do mundo todo, unidas pelo futebol, foi genial.

Ver duas pátrias de origens totalmente distintas, enfrentando-se em igualdade de condições, sob as mesmas regras, na nossa casa, foi de derramar lágrimas nos olhos. Realmente um momento único, que talvez só possa ser superado por outro jogo de Copa do Mundo.

Durante a Copa, tentei não ir para nenhum extremo em relação a sua questão social. Não engrossei o coro dos descontentes, mas também não me uni aos altanados que não suportavam nenhuma critica. No fim cheguei à conclusão de que a Copa foi fantástica e me sinto realizado de tê-la vivenciado.



* Emerson Ortunho (o terceiro da esquerda para a direita, com a camisa do Jabaquara), 43 anos, é jornalista, mora em São Paulo e torce para o Jabaquara, o Leão da Caneleira de Santos. Emerson é um dos membros fundadores do blog Jogos Perdidos.

Rússia 1 x 1 Coréia do Sul - O carro quebrou e o Afinkeev falhou

Coréia do Sul abriu o placar em falha de Afinkeev

* por Guilherme Monteiro

Quando anunciaram que o Brasil ia ser a sede da Copa do Mundi, achei interessante que ia haver um evento desse tamanho aqui. Porém, assim como muitos, fiquei desconfiado se o Brasil teria mesmo a capacidade de sediar um evento deste tamanho. Ficou provado que a organização, no geral, foi aprovada.

Eu gostaria muito de assistir um jogo da Copa e aí tive muita sorte. Ganhei o ingresso do jogo Rússia e Coréia do Sul, que foi realizado no dia 17 de junho, de um amigo. Ele ia à partida com seu pai, que acabou desistindo. Para não perder a entrada, ele me chamou e , é claro, eu fui!

A viagem até o local da partida foi interessante. Moro em São Paulo e o jogo foi em Cuiabá. Planejamos ir no carro do meu amigo, mas ele quebrou na altura da cidade de São José do Rio Preto, no interior do Estado. Ficamos emergencialmente hospedados na casa dos pais de um conhecido nosso que moravam lá e concluímos a viagem de ônibus. Em uma das paradas, inclusive, cruzamos com um ônibus cheio de coreanos. Tudo isso durou cerca de um dia e meio, mas chegamos no destino final, que era a Arena Pantanal.

Após os apuros para chegar em Cuiabá, ir até o estádio ficou fácil demais. Localizamos nossos assentos e esperamos o jogo, que tecnicamente foi fraco, iniciar. Partida muito truncada, com poucas chances de gol e muita briga no meio de campo. Acho que como era estreia, os dois times estavam com medo da surpresa.

Coreanos em festa antes da partida

A Coréia do Sul abriu o placar numa falha grotesca do goleiro russo Akinfeev. Foi um chute fraco de fora da área em cima dele. O tão falado arqueiro tentou agarrar a bola e ela escorregou das mãos deles. Acredito que tenha sido o frango da Copa e um dos maiores da história do Mundial. A partir desse lance, a Rússia pressionou jogou os coreanos para a sua defesa, pressionou até empatar o jogo no final. Depois de 90 minutos, o placar foi 1 a 1.

O clima  de festa foi muito bom. Os russos estavam em muito maior número e eram muito simpáticos. Dentro do estádio, os torcedores locais pareciam torcer mais para a Rússia que para a Coreia do sul, por conta do número maior de russos. Tudo foi bem tranquilo.

Aproveitei esta confraternização e conversei com bastante gente. Todo mundo se misturava na Praça Popular, que no entorno havia muitos barzinhos, como se fosse a Vila Madalena aqui de São Paulo. Lá conheci um pessoal local que me indicou alguns bares.

Estádio estava em festa. Russos eram a maioria

Acabei me envolvendo em uma história muito interessante. Ao final do jogo, estávamos à procura de um bar, mas no entorno do estádio não havia nenhum e acabamos parando numa distribuidora de bebidas que o dono improvisou umas mesinhas de plástico. Só estavam eu, meu amigo e dois russos numa mesa ao lado. Na hora de pagar vimos que um deles falava português e paramos para conversar.

Os dois com importações entre Rússia e Brasil e na hora de nos despedir um deles se apresentou como Vladimir Prestes e meu amigo perguntou: “tem alguma relação com Luís Carlos Prestes (o famoso militar e político comunista do século passado)?” Ele respondeu que era seu neto e nos convidou a ficar na casa dele em Moscou, na Copa de 2018.

Havia muitos estrangeiros em Cuiabá, sendo a maioria sul-americanos. Disseram que dias antes, os chilenos tinham ‘tomado’ a cidade, já que jogaram contra a Austrália na Arena Pantanal.

A sensação é totalmente diferente de qualquer jogo por aqui. É tudo muito mais organizado e com várias atrações para criar um clima diferente. A Arena Pantanal é belíssima, além de pessoalmente me causar um contentamento de ver um jogo do maior campeonato de futebol do planeta. Porém, não tem a mesma euforia e tensão de um jogo decisivo do meu time do coração.


* Guilherme Monteiro Cardoso de Lucca, 24 anos, é estudante, mora em São Paulo e torce para o São Paulo FC.

O Curioso do Futebol

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