Um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial, Gabriel Omar Batistuta está completando 50 anos neste 1º de fevereiro. Atacante que balançava as redes com facilidade, o argentino foi um dos primeiros jogadores a receber a alcunha de gol junto a seu sobrenome (era chamado de Batigol), o que se tornou comum depois dele. Ele teve muito sucesso no futebol italiano, principalmente com as camisas da Fiorentina e Roma, mas quando atuava em seu país já chamava, e muito, a atenção.
Batistuta escolheu já muito tarde no futebol, pois só aos 17 anos deixou o basquetebol para dedicar-se à modalidade onde fez carreira como goleador. A mudança foi feita inspirada pela Copa do Mundo de 1986, vencida pela Argentina. Ele debutou no Newell's Old Boys em 1988, com 19 anos, quando o técnico Marcelo Bielsa o integrou ao elenco principal para substituir Abel Balbo, recém-vendido ao River Plate, após o Ñuls ter conseguido faturar o Campeonato Argentino na temporada de 1987/88.
Em seu primeiro semestre no time de Rosário, Batistuta chegou à final da Taça Libertadores da América. O clube chegou a vencer por 1 a 0 o jogo de ida da decisão, em casa, contra o Nacional do Uruguai, mas o título ficou com o Bolso, que ganhou por 3 a 0 a partida de volta. Na liga argentina, a equipe terminaria a temporada de 1988/89 apenas em 12º lugar.
Comemorando o título argentino em 1988
O clube seguiu entre os postulantes para a vaga na Libertadores seguinte, por meio da Liguilla Pre-Libertadores. Porém, após a eliminação do Newell's, Batistuta, que vinha fazendo gols importantes no minitorneio (incluindo dois em um 5 a 3 sobre o arquirrival Rosario Central), foi contratado pelo River Plate (que curiosamente havia vendido o mesmo Abel Balbo), pelo qual disputou a final da competição. Chegou bem, marcando o único gol na decisão contra o San Lorenzo, que deu o título e a vaga no torneio continental aos Millonarios.
O início promissor, porém, não teve continuidade. O River chegou às semifinais da Libertadores de 1990 (caindo apenas nos pênaltis) e faturou o Campeonato Argentino de 1989/90, mas sem contribuição efetiva do jovem: ele não teria espaço com o técnico Daniel Passarella e acabou saindo da equipe ao fim da temporada. Trocaria o clube pelo arquirrival Boca Juniors.
Teve poucas chances pelo River Plate
A temporada 1990/91 marcaria a introdução do sistema Apertura e Clausura no futebol argentino, dividindo o Campeonato. No Apertura, o Boca não foi bem e terminou apenas em oitavo. Seria no Clausura que Batistuta enfim começaria a demonstrar sua melhor forma, marcando cinco vezes nos três primeiros jogos. Em grande e invicta campanha, com treze vitórias e seis empates, 32 gols (vinte dos quais marcados pela dupla Batistuta e Diego Latorre) a favor e apenas seis contra, o Boca faturou a segunda metade do campeonato.
Para Batistuta, nem um pênalti perdido contra o antigo clube o atrapalhou e naquela campanha ele conseguiu suas primeiras chances na Seleção Argentina. E contra o próprio arquirrival se recuperou, tornando-se parte da equipe que iniciaria um memorável período de domínio auriazul nos Superclásicos: os dois clubes se enfrentaram duas vezes na Taça Libertadores da América, naquele semestre, e Batigol marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 na La Bombonera, após o Boca ter conseguido vencer, por 4 a 3, também no Monumental. O Boca ainda passou pelos brasileiros Corinthians e Flamengo no mata-mata, mas o sonho do título continental parou nas semifinais, contra os eventuais campeões do Colo Colo.
No Boca virou ídolo e foi para a Seleção Argentina
A convocação de Batistuta para a Seleção acabaria atrapalhando, na verdade, o próprio Boca: o campeão argentino seria determinado em uma final reunindo o vencedor do Apertura (o Newell's) e o Clausura. Batistuta (sendo substituído pelo brasileiro Gaúcho, que veio do Flamengo) não pôde participar, pois os jogos seriam disputados no período da realização da Copa América de 1991. Após vitórias por 1 a 0 para cada lado, os xeneizes perderiam o título nos pênaltis, em plena La Bombonera. Ironicamente, determinou-se que a partir da temporada seguinte os times que vencessem o Apertura e o Clausura seriam considerados campeões conjuntamente.
Batistuta não ficaria para a próxima temporada e nunca mais atuaria no futebol argentino: após a Copa América, vencida pela Argentina com ele como artilheiro, foi transferido para a Itália, contratado pela Fiorentina. Sua passagem efêmera e sem títulos oficiais não o impediria de ser considerado, todavia, como um dos maiores ídolos da história do Boca Juniors.
O artilheiro ficaria incríveis 12 anos atuando no calcio, tendo defendido, além da Fiorentina, a Roma e a Internazionale. Batistuta foi encerrar a carreira em 2005, jogando pelo Al-Arabi Doha, do Catar. Nesta época, suas lesões no joelho já não o deixavam ter o mesmo desempenho de antes e, assim, ele parou de jogar sem voltar ao futebol de sua terra natal.