Accra Sports Stadium – 19 anos do maior desastre do futebol africano

Por Diely Espíndola

Sangue nas escadarias do estádio: tragédia no estádio da capital de Gana

Como muitas coisas que envolvem o continente, a mídia mundial não dá tanta atenção, espaço ou importância para o futebol africano. Mas algumas coisas simplesmente não podem passar em branco, como o terrível episódio acontecido no Accra Sports Stadium, e que deixou 127 mortos. 

No último dia 9 de maio, a maior tragédia do futebol africano completou 19 anos. Uma série de infortúnios, atos impensados e uma confusão generalizada levaram os torcedores presentes no principal estádio de Accra, capital de Gana, a viverem momentos de terror eternizados até hoje na memória do país. 

No dia 9 de maio de 2001, os dois maiores clubes de Gana entrariam em campo, sem ter ideia do rumo que a partida tomaria. Hearts of Oak e Asante Kotoko, formavam também a maior rivalidade do país, o que já deixava os ânimos exaltados para a disputa. Mas o que os torcedores não esperavam, é que quem mais se exaltaria naquele dia, seria a polícia. 


A partida era válida pelo campeonato nacional de Gana, a Ghana Premier Football League. O Asante Kotoko segurou o placar de 1 a 0 até perto do fim da partida. Mas o Hearts of Oak levantou a torcida fazendo dois gols nos minutos finais, virando o placar para 2 a 1. 

Sabemos duas coisas sobre uma virada nos minutos finais: para quem vira, é uma das melhores sensações como torcedor. Já para quem perde, fica o gosto amargo da derrota depois de estar praticamente com as duas mãos na vitória. E nem sempre é fácil lidar com essa frustração, principalmente quando a derrota é contra seu maior rival. 

Não surpreende que a torcida do Kotoko tenha perdido a cabeça. Atiraram objetos, garrafas e cadeiras no campo. Era a forma de externar a indignação por aquela derrota difícil de engolir. Pro rival. De virada. Nos minutos finais. 

Mas não era só o Kotoko que estava naquele estádio. Nem era só o Hearts of Oak. Nem só suas torcidas. Tinha também a polícia. E, bem, ela terminou de forma catastrófica e desproporcional, uma confusão que a torcida do Kotoko sofreu a tentativa de ser responsabilizada. Mas não foi difícil os inocentar. A punição foi muito mais criminosa do que o crime.

Confira o vídeo do Brisa Esportiva

Para conter os torcedores que arremessavam objetos em campo, a polícia disparou balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, enquanto encurralava a torcida. Com os portões ainda fechados, os torcedores não tinham como escapar. Se amontoaram e tentavam fugir do ataque da polícia, que não parava mesmo vendo que seus alvos não tinham chance de defesa. E o saldo foi desastroso: 127 pessoas mortas, a maioria por esmagamento e sufocamento. 127 vidas, outrora vibrando e torcendo pela alegria que só o futebol proporciona. 127 torcedores pouco lembrados pelo mundo. 

Seis policiais acabaram sendo responsabilizados pela tragédia, mas pouco tempo depois estavam em liberdade. O nome do estádio foi mudado numa tentativa de amenizar a memória daquele lugar que ainda abriga tantas partidas importantes para o país. O agora Ohene Djan Stadium, nunca mais presenciou cena parecida com a daquele 9 de maio de 2001. Ainda bem. Em sua entrada, uma estátua em homenagem aos torcedores foi colocada, com a frase “eu sou guardião do meu irmão”. E na voz dos torcedores ganeses, um coro: “Never Again”. Nunca mais. Assim esperamos.
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