segunda-feira, 27 de abril de 2020

Jalisco - A "casa" do Brasil em Copas do Mundo

Por Lucas Paes
Foto: Getty Images


O Brasil jogou todos os jogos da Copa do Mundo de 1986 no Jalisco


O Brasil é o maior campeão da Copa do Mundo, com cinco títulos ganhos na competição. Dono de diversos recordes do torneio mais importante do futebol, a Seleção Canarinho nunca ganhou a copa em casa, sendo batida pelo Uruguai em 1950 e sofrendo a histórica derrota por 7 a 1 para a Alemanha em 2014, nas semifinais. Com isso, a principal casa do Brasil em copas não é o Maracanã, nem nenhum estádio brasileiro. O local que mais recebeu os pentacampeões é o Jalisco, em Guadalajara, que aliás, é quase um calabouço, um alçapão para a Amarelinha.

O México, assim como o Brasil, sediou por duas vezes a Copa do Mundo. A primeira vez em que os mexicanos receberam o mundial traz lindas e ótimas lembranças aos brasucas. Em 1970, o Brasil não só venceu a Copa do Mundo como deu verdadeiros espetáculos no país da tequila, com a seleção colocada por muitos como a mais espetacular de todos os tempos. Foi com ela que essa história começa, lá no dia 3 de junho de 1970.

A partida era a estreia canarinha, depois de uma longa preparação, contra a Tchecoslováquia. Forte, o time europeu pulou na frente aos 11 minutos, com gol de Petras. O Brasil, com elenco estrelado, buscou a virada com gols de Rivellino, Pelé e Jairzinho, furacão e matador da Copa do Mundo de 1970, marcando duas vezes e fechando a virada e vitória por 4 a 1, em jogo que ainda teve o famoso "gol que Pelé não fez", em chute do Atleta do Século do meio de campo. Quatro dias depois, aquele mesmo local seria testemunha de uma das histórias mais incríveis das Copas, quando jogaram Brasil e Inglaterra.

A bola vem cruzada para Pelé, que cabeceia e já prepara-se para celebrar o gol diante dos ingleses, porém, Gordon Banks, com o que foi talvez a maior defesa da história, nega ao Rei a comemoração. Num jogo tenso e extremamente disputado entre os dois últimos campeões do mundo na época, um gol do consagrado e eterno Jairzinho dá os dois, sim, dois pontos da vitória por 1 a 0 ao Brasil, que dispara na liderança do grupo. A terceira partida seria então no dia 10, diante da Romênia.

Este jogo em si, a despeito do favoritismo brasuca, foi bem mais complicado do que se esperava. Pelé, o Rei de todos nós meros mortais e Jairzinho fizeram com que os brasileiros abrissem 2 a 0. Dumitrache diminuiu o placar, mas Pelé ainda faria o terceiro, em meio a pressão romena. No finalzinho, Dembrowski ainda marcou mais um, não suficiente para a Romênia buscar algo. O placar terminou mesmo 3 a 2. No dia 14 de junho daquele ano, os Canarinhos voltariam a jogar naquele palco, na sua "casa", diante do Peru.


O duelo contra o Peru, já pelo mata-mata, foi um jogo muito bom. Rivellino e Tostão, desencantando na Copa, colocaram o "Brasa" em vantagem. Gallardo diminuiu, mas viu Tostão marcar mais um no começo do segundo tempo. Cubillas tentou botar fogo no duelo, mas viu seu esforço ser destroçado por um furacão chamado Jairzinho, que seguia sua rotina semanal de gols no mundial de 1970 e fechou o placar em 4 a 2. Brasil na semifinal, que seria novamente disputada no Jalisco, diante do Uruguai, numa tentativa de apagar os traumas de 1950.

Aquele foi um dos épicos daquele torneio. Cubilla abriu o placar cedo naquele 17 de junho, com colaboração crucial de Félix. Porém, o Brasil não só virou como exorcizou o fantasma, com Clodoaldo, Jairzinho e Rivellino marcando. Pelé ainda protagonizou com Marzurkiewicz o lance eterno do drible da vaca que terminou em chute pra fora do Rei. O marcador ficou mesmo em 3 a 1. Foi um belo jeito de fechar o primeiro ciclo com o Jalisco. Agora era a vez do Azteca.

Em 1986, de novo o México recebia a Copa do Mundo. Por coincidência ou não, de novo o Jalisco seria a sede principal do Brasil na copa. Tentando apagar o doloroso trauma de 1982, o Brasil contava com boa parte da base daquele time para tentar buscar o quarto título mundial. Num grupo com Espanha, Irlanda do Norte e Argélia, os Canarinhos estrearam diante da Fúria no dia 1 de Junho, no calor do meio dia mexicano. A vitória veio com gol de Sócrates, magra e sofrida por 1 a 0.

Cinco dias depois, era a vez do jogo contra a Argélia. Sem ser brilhante, mais uma vez, o Brasil venceu pelo placar mínimo. Careca marcou o único gol da partida. O atacante, decisivo no título brasileiro daquele ano pelo São Paulo, havia feito muita falta em 1982 e começava a mostrar ali sua imensa qualidade. A próxima partida viria no dia 12 de junho, a oitava do Brasil naquele palco. Finalmente mostrando a que veio, o time bateu a Irlanda do Norte por 3 a 0, com dois de Careca e um de Josimar.


Curiosamente, o que talvez tenha sido a melhor atuação do Brasil no Jalisco não veio em 1970, mas em 1986. No dia 16 de junho, os Canarinhos não tomaram conhecimento da Polônia e deram um verdadeiro espetáculo aos presentes em Guadalajara. Com gol de pênalti de Sócrates, e gols de Josimar, Edinho e Careca, novamente de pênalti, veio uma goleada de 4 a 0 pra cima da Polônia, resultado que deu grandes esperanças aos torcedores para aquela competição. 

Dia 21 de Junho, meio dia, estádio lotado e Brasil e França e uma das histórias mais tristes da vida de Zico. Logo aos 17 minutos, Careca tratou de colocar o Brasil na frente. Platini deixou tudo igual no finalzinho do primeiro tempo. Na segunda etapa, o Brasil teve a chance de marcar o segundo, mas o Galinho de Quintino parou em Bats, goleiro dos Bleus. O mesmo arqueiro que seria responsável pela eliminação brasileira nos pênaltis e do fim, pelo menos por enquanto, da história da Seleção Brasileira no Jalisco.

No total, o Estádio de Jalisco recebeu 10 jogos do Brasil em Copas do Mundo. Foram no total, 9 vitórias e apenas um empate, que ocorreu no jogo da eliminação para a França, em 1986. No total, foram 25 gols marcados e 7 sofridos. Em 2026, o México será um dos países a sediar a Copa do Mundo de sede tripla envolvendo ainda Canadá e Estados Unidos. Portanto, a história de 10 jogos com o Jalisco pode aumentar e quem sabe trazer de volta os ótimos momentos vividos em 1970 e em 1986.
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