sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Mazurkiewicz no Atlético Mineiro

Foto: arquivo Atlético Mineiro

Foram 89 partidas com a camisa do Galo, entre 1972 e 1974

Quando se fala que o futebol de clubes do Brasil era muito mais forte nas décadas de 60 e 70, se comparado mundialmente, tem gente que não acredita. Os grandes jogadores do país raramente iam jogar em outros centros e as agremiações ainda contratavam boa parte dos atletas que se destacavam nas seleções dos vizinhos. Um exemplo claro foi quando o Atlético Mineiro foi buscar, em 1972, o goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, um dos maiores do mundo naquele momento.

Nascido em 14 de fevereiro de 1945, na cidade de Piriápolis, famoso balneário uruguaio, já no Rio da Prata, era filho de pais poloneses, iniciou sua carreira no futebol pelo Peñarol do Uruguai, onde se profissionalizou em 1965. Reserva do então titular Luis Maidana, Mazurkiewicz estreou como titular numa partida contra o Santos, de Pelé, válida pelas semifinais da Copa Libertadores da América, em 1965. Acreditando em uma derrota certa, os uruguaios se surpreenderam quando terminaram o jogo com uma vitória por 2 a 1. Eleito como o melhor em campo, aquela noite marcou o início da carreira desse goleiro que se tornou uma lenda viva no futebol.

No ano seguinte, foi convocado para a Copa do Mundo de 1966, realizada na Inglaterra. Mesmo novo para um goleiro, virou um dos grandes nomes do Peñarol, conquistando diversos títulos. Em 1970, foi o titular da meta uruguaia no Mundial realizado no México. A Celeste foi a terceira colocada e Mazurkiewicz escolhido o melhor jogador da posição.

Em 1972, chegou ao Atlético Mineiro, nos tempos de Dario, Lôla, Vantuir e outros, mas sua contratação não foi fácil! Teve sua vinda a Belo Horizonte recheada por problemas. O então presidente do Atlético, Nelson Campos, por pouco dispensou o jogador por cause da mudança de valores, sugerida pelos empresários do jogador, no momento da assinatura do contrato, na Sede de Lourdes. O impasse com a diretoria permaneceu durante o dia todo. Os cartolas exigiam que o Atlético assumisse uma dívida do Peñarol com o jogador, motivo de sua briga com a equipe. O presidente se recusou e pediu à imprensa que fosse noticiado a desistência da contratação.

Mazurkiewicz, entretanto, demonstrou grande vontade de vestir a camisa alvinegra e as negociações continuaram positivamente. As negociações voltaram a se complicar quando o jogador exigiu que o Atlético assumisse o pagamento de seu imposto de renda. O dirigentes atleticanos, furiosos, encerraram a reunião pela segunda vez. Dizem que Nelson Campos já estava no carro, quando ouviu o chamado de um funcionário que informou que o uruguaio havia aceitado a proposta final. Já era noite quando tudo se resolveu. Veio assumir a camisa 1 do Galo, sendo vaiado, no aeroporto de Montevidéu, por uma multidão de torcedores uruguaios que o acusavam de "traidor".

E o goleiro não decepcionou o esforço da diretoria. Durante seu tempo no Galo, o goleiro mostrou os prodigiosos reflexos, sua segurança, o extraordinário oportunismo somado à frieza que aumentavam a confiança absoluta dos companheiros. "Foi uma época inesquecível." , lembra o jogador.


Mazurkiewicz chegou ao Galo um ano após à conquista do Campeonato Brasileiro. Estreou com a camisa do Atlético Mineiro em 5 de março de 1972, pela terceira rodada da fase de grupos Copa Libertadores da América, daquele em uma partida no Mineirão, contra o Olimpia do Paraguai. Mazurkievicz foi bem e evitou a derrota atleticana, sendo um dos responsáveis pelo 0 a 0.

Porém, apesar de ter caído no gosto da torcida, não teve muita sorte. O Galo não conseguiu repetir a façanha, até hoje, de ganhar novamente o Brasileirão. Já o Mineiro foi, nas temporadas em que o uruguaio jogou pelo Atlético, dominado pelo Cruzeiro. Em resumo: o goleiro não conquistou títulos com a camisa do Galo, fazendo 89 partidas e sofrendo 67 gols, sendo sua última partida um clássico contra o Cruzeiro, em 8 de setembro de 1974, que terminou em empatada em 1 a 1.

O goleiro foi à Copa do Mundo de 1974 como atleta do Galo e depois transferiu-se para o Granada, da Espanha. Também passou por Cobreloa e América de Cali, antes de retornar ao Peñarol em 1981, clube no qual encerrou a carreira. No dia 2 de janeiro de 2013, o ex-goleiro faleceu na capital uruguaia. Há alguns dias estava internado por complicações respiratórias e chegou a ficar em coma induzido
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