segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Há 40 anos, Guarani fazia história com título do Brasileirão inédito no interior

Com informações do site oficial da FPF

Em pé: Neneca, Edson, Mauro, Gomes, Miranda e Zé Carlos
Agachados: Capitão, Renato, Careca, Manguinha e Bozó
O grande time do Bugre campeão brasileiro de 1978

Há 40 anos, o Brasil era pintado de verde por caipiras que faziam história ao contrariar todos os prognósticos e conquistar o inédito título do Campeonato Brasileiro por uma equipe do interior. Desacreditado e até motivo de piada, o Guarani do menino Careca, superou gigantes do futebol nacional com autonomia para ficar com a taça da chamada Copa Brasil de 1978.

Com 74 times, a primeira fase teve a divisão em seis grupos, em que se classificavam os seis melhores de cada chave, avançando 36 equipes à segunda fase. Nesta, divididos em quatro grupos de nove times, novamente seis avançariam. Além disso, considerando a somatória das fases, a melhor equipe fora da zona de classificação e outros sete times oriundos de uma repescagem, formariam os 32 times que seguiam na disputa pela taça.

Nesta terceira fase, divididos em quatro grupos com oito equipes, as duas melhores garantiriam vaga ao mata-mata da competição, que se iniciaria nas quartas de final, assim seguindo até a decisão do título. Com o campeão jogando 32 vezes, o torneio teve início em 26 de março e a decisão em 13 de agosto.

A campanha - Nestas 32 partidas, o Guarani venceu 20, teve oito empates e perdeu quatro vezes, marcando 57 gols e sofrendo 22. Individualmente, destaques para o meia Zenon e o jovem atacante Careca, que dava seus primeiros passos na carreira profissional. Ambos dividiram a artilharia da equipe com 13 gols. No comando, Carlos Alberto Silva, que mais tarde chegaria até à Seleção Brasileira.

Careca se revelou um grande jogador naquele Guarani

Início sem empolgar - Integrante do Grupo D na fase inicial ao lado de Bahia, Botafogo-RJ, Confiança-SE, CRB, CSA, Itabuna, Ponte Preta, Sergipe, Vasco da Gama, Vitória e Volta Redonda, a equipe campineira estreou com derrota em casa: Roberto Dinamite marcou três vezes na vitória do Vasco por 3 a 1, em pleno Brinco de Ouro da Princesa. As equipes ainda se encontrariam outras vezes no torneio.

Com oito jogos sem perder na sequência -destaque para as goleadas por 5 a 0 sobre o Confiança, 7 a 0 sobre o Sergipe e vitória por 2 a 1 sobre a Ponte Preta-, o time se consolidou entre os classificáveis de sua chave, embora não empolgasse. Foi apenas o quinto colocado, com 16 pontos contra 22 do líder Vasco. A vitória rendia dois pontos ao vencedor que, se vencesse por mais de três gols de diferença, ainda ganhava um ponto de bônus.

Integrando o Grupo J na segunda fase, o Guarani revia o Vasco e ainda teria como adversários Brasília, Caxias, Coritiba, Portuguesa, Remo, São Paulo e Villa Nova-MG. Ainda oscilando -perdeu para o Remo por 5 a 1 na terceira rodada com cinco gols de Bira- o time bugrino garantiu a classificação somente na última rodada, quando venceu o time mineiro em casa por 2 a 0. Encerrou a fase na quarta colocação, três pontos atrás do líder Vasco, e três à frente do Remo, primeiro fora da zona de classificação.

Arrancada do ‘ataque de riso’ - A partir da terceira fase da competição, a última antes do mata-mata, o Guarani é impecável e não perde mais, numa arrancada de 13 jogos sem ser derrotado. Com a divisão de quatro chaves de oito equipes, os campineiros ficam no Grupo Q, contra Botafogo-PB, Botafogo-SP, Goiás, Goytacaz-RJ, Internacional, Londrina e Santos. Apenas os dois melhores avançariam às quartas de final.

Suspenso, Zenon ficou de fora da final

No primeiro destes jogos, um dos mais importantes e emblemáticos da campanha. Diante dos colorados bicampeões nos brasileiros de 75/76 e octacampeões gaúchos entre 1969 e 1976, os bugrinos não tinham chances, conforme as previsões da imprensa de Porto Alegre, onde seria o jogo. Capitão, Careca e Bozó compunham um ‘ataque de riso’ e não poderiam superar o Inter em pleno Beira Rio, diziam.

Pois com quatro minutos o meia Renato já abria o placar. Bozó ampliou ainda aos 40 da primeira etapa e Zenon, aos 38 minutos do segundo tempo, definiria o histórico 3 a 0 sobre os gaúchos que terminaram essa fase na segunda colocação, atrás apenas do próprio Guarani que nos sete jogos venceu seis e empatou um, garantindo vaga nas quartas de final.

Avassalador no mata-mata - Adversário das quartas de final, o Sport não foi páreo à equipe bugrina que venceu os dois jogos: 2 a 0 na Ilha do Retiro e 4 a 0 no Brinco de Ouro da Princesa. Após dois confrontos ao longo da competição e nenhuma vitória, chegou a vez de reencontrar o forte Vasco da Gama que desta vez, porém, não teve chances. Vitória bugrina por 2 a 0 em Campinas e 2 a 1 em pleno Maracanã, com dois gols de Zenon.

Melhores momentos da grande decisão contra o Palmeiras

A decisão do título seria verde, diante do Palmeiras. Já um dos maiores campeões do futebol brasileiro, o clube de Palestra Itália dava início a um período de quase duas décadas sem títulos. Com moral após eliminar o Internacional, até então time com melhor campanha em todo o torneio, o alviverde contava com nomes importantes de sua história em seu elenco como o goleiro Leão, o zagueiro Alfredo, o meia Jorge Mendonça e o atacante Nei, dentre outros.

As finais - No Morumbi, o primeiro jogo da decisão foi marcado para uma quinta-feira, 10 de agosto. Mais de 100 mil pessoas lotaram as arquibancadas do estádio paulistano e se surpreenderam quando Zenon, de pênalti, marcou o gol da vitória bugrina por 1 a 0, já aos 31 minutos da segunda etapa. Pelo pênalti cometido com uma cotovelada em Careca, o goleiro Leão foi expulso, cabendo ao meia-atacante Escurinho defender a meta palmeirense na penalidade. Esforço inútil diante de um especialista em bolas paradas como era o meia do Guarani.

Por receber o terceiro cartão amarelo na partida, Zenon, cérebro do meio de campo bugrino, desfalca a equipe na decisão, disputada três dias depois, num domingo, 13 de agosto. Precisando da vitória diante de quase 30 mil torcedores no Brinco de Ouro, o Palmeiras pressiona e assusta os donos da casa que, no entanto, mantém-se perigosos nas respostas. Aos 37, os visitantes avançam, mas a bola fica com o goleiro Neneca que lança Bozó. O ponta ataca pela esquerda e chuta contra o gol de Gilmar que, com os pés, dá rebote que o jovem Careca aproveita para marcar o gol do título.
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