terça-feira, 24 de abril de 2018

Copa 1966: as surpresas do futebol e o grande esquadrão português

Por Alexia Faria

Portugal em 1966: liderados por Eusébio, lusitanos foram os terceiros colocados no Mundial

Era a hora da estreia no mundial e a seleção portuguesa não deixou seus admiradores esperançosos atoa. Com o esquadrão dos anos 60, o “rei” Eusébio e sua companhia fez a festa na terra da Rainha naquele ano. Com quatros homens na frente (José Augusto, Eusébio, Torres e Simões) e Coluna na armação o ataque português era o verdadeiro significado de “fazer gols”. 

Com seu futebol limpo, seguro e ofensivo, Portugal quase levantou a taça em sua primeira Copa, em 1966, na Inglarerra. Comandado por Manuel Luz Afonso, e outro técnico de campo, Otto Glória, este, brasileiro naturalizado português e que fez história no futebol da “terrinha” com os times Benfica, Os Belenenses e Sporting. Aliás, Otto Glória, de volta ao Brasil, foi o treinador da Portuguesa de Desportos em seu último título paulista, o de 1973, dividido com o Santos.

Com uma ótima comissão técnica, era a hora dos jogadores. Nomeado como o “Novo Pelé” o artilheiro Eusébio era comparado com o Rei do futebol. Ele chutava, cabeceava bem, tinha uma velocidade alucinante e uma explosão melhor que a de Pelé.

Eusébio em ação contra a Hungria

O garoto de Moçambique não estava sozinho neste time. Outro conterrâneo era Mário Coluna, o cérebro do meio de campo da seleção. Completo, ele armava, lançava e até mesmo marcava gols. E quem os amparavam eram seus companheiros de Benfica: José Augusto, Torres e Simões. 

Como um time forte não se faz só com o meio de campo pra frente, a parte de trás era composta por Hilário, Morais e Baptista, todos do Sporting e o guarda-redes José Pereira e Vicente, ambos do Os Belenenses. 

Num grupo nada fácil nas eliminatórias, Portugal buscava uma vaga na Copa ao lado de Romênia, Turquia e a vice campeã mundial Tchecoslováquia. Logo na estreia os portugueses bateram a Turquia por 5 a 1, três gols de Eusébio. Nos outros jogos foi feito o simples. 1 a 0 na Turquia e na Tchecoslováquia fora de casa e 2 a 1 sobre a Romênia, em Lisboa. Em outubro os lusitanos enfrentou mais uma vez os Tchecoslovacos, o empate por 0 a 0 garantiu a vaga na Copa. Na última rodada eles enfrentaram a Romênia e perdeu por 2 a 0.

Eliminaram o Brasil na primeira fase

A estreia no mundial veio no dia 13 de junho para mais de 30 mil pessoas no Old Trafford, em Manchester. A seleção Húngara nada pode fazer para parar os lusitanos. José Augusto abriu o placar no início da partida, no segundo tempo Bene tentou reagir a Hungria, mas José Augusto,mais uma vez, marcou para os portugueses. Aos 44, Torres fechou o placar, 3 a 1 para Portugal em sua estreia. 

Trilhando seu caminho de ouro, e fazendo história, os portugueses conquistaram muitas vitórias naquele mundial. Com seis gols a favor, um contra e quatro pontos ganhos (na época, a vitória valia dois pontos), Portugal estava praticamente classificado. Só uma derrota de goleada tiraria a equipe da segunda fase. Porém, seria preciso encarar um adversário poderoso e místico: o Brasil, do Rei Pelé.

Quando falam que o futebol é uma caixinha de surpresa, acredite. Na terra da realeza o Rei do Futebol e o “Rei de Portugal” se enfrentaram pela primeira vez no mundial. E outra surpresa: Portugal, de Eusébio, era o favorito para a partida. A seleção brasileira não era a mesma que foi bicampeã em 62, e Pelé a carregava nas costas naquele ano. Com isso, Portugal sabia quem parar. Seu adversário, o camisa 10 brasileiro.

Virada histórica contra a Coreia do Norte

Simões aproveitou uma bobeada do goleiro Manga e fez 1 a 0. Eusébio ampliou. Rildo, no segundo tempo, diminuiu para o Brasil, mas Eusébio deixou mais um aos 40 minutos e decretou a vitória portuguesa por 3 a 1. Eliminando de vez os campeões mundiais. Portugal não queria dar tchau para a competição tão cedo.

Na busca por uma vaga na semifinal, os portugueses enfrentaram os norte-coreanos que tinham acabado de eliminar a Itália por 1 a 0. E a “zebra” do mundial não deu vida fácil para mais uma seleção que vinha se mostrando grande. Num jogo apertado, a Coreia do Norte cresceu nos primeiros 25 minutos com três gols em cima da seleção de Eusébio. 

O “Pantera Negra”, após os três gols do adversário começou sozinho a reação portuguesa. Aos 27 e 42 minutos do primeiro tempo Eusébio marcou dois gols de pênaltis. Na segunda parte da partida, em suas arrancadas, o moçambicano marcou o gol de empate aos 12 minutos, e dois minutos mais tarde obteve mais um pênalti, também convertido. E teve tempo para mais um, desta vez de José Augusto. 5 a 3, Portugal tinha acabado de fazer a virada mais espetacular do Mundial.

Vitória contra a União Soviética garantiu o terceiro lugar

Mais uma vez: o futebol é sempre uma caixinha de surpresa. Portugal pecou contra a seleção não tão “brilhante” assim. Enfrentou a Inglaterra (que mais tarde ficou com o título) com um “pane geral”. Sem seus marcadores Morais e Vicente, e em um estádio “novo”, a seleção portuguesa tirou o pé do acelerador no jogo mais decisivo, e perdeu para a anfitriã por 2 a 1. 

Na disputa pelo terceiro lugar, Portugal superou a URSS por 2 a 1, com gols de Eusébio e Torres, ficando com o bronze naquela Copa de 1966, em sua primeira participação (e histórica). Artilheiro da Copa, os nove gols de Eusébio e o poder de fogo daquele esquadrão, não conseguiram conquistar a Taça Jules Rimet. Mas marcaram história no futebol português: é, até hoje, a melhor participação lusitana em Copas.
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