quarta-feira, 18 de abril de 2018

A Copa Pelé de 1987 - Um desfile de craques veteranos

Por Lucas Paes 

Pelé, com a bola, no jogo contra a Itália: o único do Rei na competição

A Copa Pelé foi um torneio de seleções masters nascido por ideia da empresa Luqui, que tinha entre seus proprietários o histórico narrador Luciano do Valle. Luciano era inclusive treinador da Seleção Brasileira. O torneio, uma espécie de “mundialito”, foi disputado entre 1987 e 1995, com exceção dos anos de 1988, 1992 e 1994. A competição chegou a ter mudanças de nome depois, mas o que interessa aqui é a edição de 1987. 

A ideia da competição surgiu três anos antes, quando Luciano e alguns amigos discutiam o baixo (!) nível do futebol brasileiro à época (se vissem hoje...). A partir daí, se fomentou a ideia inicial da Seleção Brasileira de Masters. O time Canarinho demorou a engrenar em popularidade, o que aconteceu só lá para 1986. Porém, quando aconteceu, explodiu, lotando estádios pelo país inteiro em amistosos. Com esse crescimento, veio a ideia de criar a Copa Pelé, reunindo os campeões mundiais até então. 

Assim, em janeiro de 1987, estádios como Pacaembu, Morumbi, Canindé e Vila Belmiro sediariam os jogos da competição. O torneio teve início em 4 de janeiro de 1987, com uma vitória de 3 a 0 do Brasil de Rivelino, Dario, Pelé e cia. Para cima da Itália de Albertozzi, Faccheti e cia. No mesmo dia, a Alemanha Ocidental empatou com a Argentina na Vila Belmiro. O torneio ainda tinha o Uruguai, que jogou só na segunda rodada, contra a Itália e venceu, de novo no Urbano Caldeira.

Beckenbauer, de costas, defendendo a Alemanha

O destaque da rodada inicial da competição ficou por conta da participação do Rei do Futebol, que dava nome ao campeonato, no time do Brasil. Pelé jogou com a Amarelinha apenas na estreia, porém acabou não marcando. Por muito pouco, por sinal, já que um cruzamento de Marco Antônio quase encontrou a cabeça do Rei, sendo interceptado por um zagueiro italiano antes que fatalmente Edson Arantes do Nascimento colocasse a redonda para dentro do gol. 

Depois de fazerem as melhores campanhas e ficarem nas primeiras colocações, Argentina e Brasil decidiram o torneio no Morumbi. Os brasileiros venceram Itália e Alemanha Ocidental, empataram com o Uruguai e acabaram derrotados pelos argentinos. Já a Argentina venceu os clássicos diante de Brasil e Uruguai (no segundo goleando por 4 a 0), empatou com os germânicos e acabou derrotada pela Azzurra. 

Na final, dia 18 de janeiro, disputada no Pacaembu, o Superclássico entre Brasil e Argentina teve o goleiro Buttice vivendo um dia inspirado. Contando com a ajuda de seu arqueiro, os Albicelestes conseguiram neutralizar uma atuação espetacular da Seleção Brasileira, que partiu para cima com tudo. Felman, porém, marcou o gol do título argentino, garantindo a taça aos Hermanos, em um episódio que serviria de lição para o avassalador título canarinho na edição seguinte, em 1989.

A Argentina campeã da primeira edição

O embrião da Copa Pelé gerou frutos para edições futuras. Nas duas últimas vezes em que a competição foi disputada haviam oito equipes jogando, incluindo ai países tradicionais do futebol como Holanda, Portugal e França, numa época em que os Bleus ainda não tinham o título mundial, além da participação britânica, ausente nas primeiras edições. Infelizmente, depois de 1995, a ideia da Copa Pelé, que virou Copa Zico, que virou Copa do Mundo de Masters acabou “morrendo” e o torneio deixou de ocorrer. 

A história da competição contaria com muitos fatos interessantes, curiosos e pitorescos. A Itália de Paolo Rossi e cia chegou a jogar no Estádio da USP em 1990. A Vila Belmiro, numa situação que hoje é inimaginável, recebeu a Alemanha Ocidental, que entre outros tinha até Beckenbauer. O Canindé também teve o Kaiser desfilando em seus gramados, onde outrora passaram nomes épicos do futebol brasileiro vestindo ou não o rubro-verde da Lusa. Quem pode ter o privilégio de ver a competição jamais esqueceu. 

Hoje é difícil imaginar que um torneio desses volte a ocorrer, principalmente nos estádios mencionados (talvez com exceção de Pacaembu e Morumbi.). Porém apelo de “marketing” existiria. Imagine um torneio que reunisse nomes como Ronaldo, Rivaldo, Riquelme, Zanetti, Recoba, Ballack e Zidane. Hoje só juntando os campeões mundiais teríamos a adição de França e Espanha. Provavelmente a Holanda não ficaria de fora, possuindo craques como Gullit, Rijkaard e Kluivert, é um exercício de imaginação maravilhoso.

Melhores momentos da final

Se algum dia teremos outra “Copa do Mundo de Masters” só o tempo irá dizer. O fato é que o torcedor que reclamava do “baixo” nível do futebol brasileiro dos anos 1980 foi privilegiado em ver desfilar lendas do tamanho das que desfilaram nas edições da Copa Pelé. Seria ótimo se nós, súditos, recebêssemos do rei de alguma forma este presente outra vez. Enquanto isso, ficamos com as memórias que começam em 1987.
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