Roma Barueri - a zebra campeã que virou 'gato' em 2001

O Roma Barueri campeão da Copinha em 2001: muita polêmica depois do título

Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu, 25 de janeiro de 2001. O São Paulo FC disputava a final da Copa São Paulo de Juniores (tentando o segundo título consecutivo da competição naquele momento) contra o recém fundado Roma Barueri, zebra da competição. O primeiro tempo termina com o placar de 2 a 0 para o Tricolor. A taça não iria escapar, certo? Errado! 

Em uma segunda etapa eletrizante, a partida terminou 4 a 4 e o Roma conquistou o caneco nas penalidades. A partir de então começava uma das histórias mais malucas do futebol brasileiro, envolvendo adulteração de idade dos atletas, o famoso 'gato', e até mudança de sede do clube, de Barueri, na grande São Paulo, para Apucarana, no Paraná.

O Roma Barueri foi montando para representar a cidade no futebol paulista. Envolvia empresários (Roma era uma incorporadora de imóveis) e políticos locais. Fundado em 2000, o clube faria sua grande estreia justamente na Copa São Paulo de Juniores e, para isso, contou com a perceria dos agentes de futebol para montar a equipe.

Com isso, o time foi para a disputa como azarão, mas estreou na competição com uma goleada de 6 a 0 sobre o Auto Esporte da Paraíba. Depois de um empate em 1 a 1 com o Goiás, o Roma garantiu a classificação para a etapa seguinte com uma vitória de 3 a 0 sobre o Botafogo. E a equipe começou a chamar a atenção de todos, já que conseguiu passar por um grupo com dois grandes do futebol brasileiro.

Na segunda fase, o Roma encarou o também então novato Guaratinguetá. A partida começou no dia 17 de janeiro e estava 1 a 1 quando uma forte chuva interrompeu o embate. No dia seguinte, o time de Barueri fez dois gols e garantiu a classificação. Nas quartas, o adversário foi o Grêmio e nova vitória do Roma: 2 a 1.

Na semifinal, o Roma encararia o Bragantino. Em um jogo eletrizante, com várias chances de gol para ambas as equipes, o time de Barueri venceu por 5 a 3 e garantiria a vaga na decisão, contra o São Paulo FC. É claro que todos apontaram o Tricolor como favorito, pois era o campeão do ano anterior e mostrava jogadores com potencial, como Hugo, Juan, Harison e Renatinho (e um adendo: Kaká era reserva nesta equipe).

Festa após a confirmção da conquista

Enquanto os times entravam no gramado do Pacaembu, no dia 25 de janeiro, uma confusão do lado de fora com torcedores do São Paulo que não conseguiram ingressos acontecia. Porém, o Tricolor dentro de campo foi para cima e fez 2 a 0 nos 45 minutos iniciais, com Ricardo, de pênalti, aos 15', e Hugo, aos 25'.

Mas pareceu que os sãopaulinos não estudaram a semifinal do Roma, contra o Bragantino. A equipe de Barueri acreditava até o fim e Rogerinho, de pênalti, aos 3 minutos, e Alex Sorocaba empataram o jogo. Porém, o Tricolor foi a frente de novo com Ricardo, novamente de pênalti, mas o Roma buscou a igualdade, com Thiago. Harison, aos 43' fez o gol que a torcida do São Paulo achou que era do título, mas Ednardo, no minuto seguinte, levou a decisão para as penalidades.

É verdade que Clayr, do time de Barueri, desperdiçou uma cobrança. Porém, Harison e Wilton Batata perderam pênaltis para o Tricolor e, por 6 a 5, o Roma sagrava-se o campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2001. Muita festa, pois nem os atletas da equipe acreditavam no título no início da competição.

É claro que os atletas chamaram a atenção. Como exemplo, Itabuna, Marcão e Caldeira foram para o Santos FC ainda em 2001. André Astorga acabou sendo o atleta de mais destaque na carreira, pois logo se encaixou em times tradicionais do futebol paulista, chegando a também atuar no Peixe, mas fazendo boas campanhas na Portuguesa Santista e, principalmente, Bragantino.

Porém, pouco depois do título, descobriu-se que Itabuna tinha, na verdade, 22 anos ao invés dos 20, o limite de idade da Copinha. Desconfiou-se que, no mínimo, mais três atletas do Roma tinham idade adulterada, utilizando-se da já famosa 'fábrica de gatos' do Maranhão (três casos conhecidos de adulteração de idade foram feitos por lá: Sandro Hiroshi, Anaílson e Preto).

O São Paulo chegou a sugerir que as duas equipes disputassem uma nova partida, sem o jogador com idade adulterada comprovada, ideia rechaçada pela Federação Paulista de Futebol. Apenas Itabuna foi suspenso por seis meses do futebol, apesar de o caso ter sido até tema da CPI do Futebol na Câmara dos Deputados.

Matéria da Band sobre a final

Mas não foi só isso: os empresários donos Roma Barueri e os membros da cidade entraram em atrito e o clube saiu do município. Nem bem jogou pelo futebol paulista, o Roma mudou de sede para outro lugar: Apucarana, no Paraná, foi a nova casa da agremiação, onde chegou a até disputar a elite estadual e hoje encontra-se licenciado.

Já os envolvidos com o futebol em Barueri formaram um novo clube, o Grêmio, que chegou até a A1 do Paulista e disputar a Série A do Brasileirão. Porém, depois de brigas com o poder o público da cidade, o clube foi para Presidente Prudente, onde ficou um ano, voltou para a Barueri e iniciou a queda. Depois de um 2016 onde o time profissional perdeu os 19 jogos disputados no ano, em 2017 o Grêmio Barueri vai jogar a Segunda Divisão Paulista, última escala do futebol do estado. Isto se não parar!
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