Renner, o Papão campeão gaúcho de 1954

Campeões de 1954. Em pé: Waldir - Orlando - Bonzo - Léo - Olavo - Paulistinha e Luis Carlos. Agachados: Sabiá - Breno - Ivo Costa - Ênio Andrade - Pedrinho e Juarez

Quando se fala em Campeonato Gaúcho nos dias atuais, sempre alguém vai dizer: "eu vai dar Grêmio ou Internacional". Esta expressão é forte, mas não dá para dizer que não é correta, até porque a partir de 1940, apenas em três oportunidades os dois grandes do Rio Grande do Sul não levaram o caneco estadual. E O Curioso do Futebol vai contar a primeira vez que isto aconteceu, com o Grêmio Esportivo Renner, de Porto Alegre, em 1954.

Mas antes de chegar ao torneio de 1954, temos que explicar como funcionava o Gaúchão naquela época. Desde o primeiro campeonato realizado pela então Federação Rio Grandense de Desportos (FRGD), em 1919, que foi ganho pelo Brasil de Pelotas, o estadual tinha, no começo, torneios regionalizados, que apontavam os campeões e eles faziam um campeonato final, com estes vencedores, para apontar o ganhador do Gaúchão. É por isso que até 1960, último ano da regionalização, não havia dois times da capital (ou de qualquer outra região) fazendo dobradinha.

Outra característica interessante é que até 1940, os times do interior ganhavam com freqüência o estadual. Equipes tradicionais como o já citado Brasil de Pelotas, Guarany de Bagé, Rio Grande e Pelotas, entre outros, têm, ao menos, uma taça do Gaúchão em suas sedes. Até menores da capital, como o Cruzeiro, em 1929, conquistou o caneco.

Fachada do Estádio Tiradentes

O último campeão do interior nesta era foi o Riograndense, em 1939. A partir de 1940, com o hexa do Internacional e a fortificação da rivalidade com o Grêmio, os dois grandes passaram a dominar a competição, mesmo ainda com a regionalização. Porém, em 1954 a história foi diferente: o Renner, de Porto Alegre, clube que era mantido pelo conglomerado empresarial de mesmo nome, fortíssimo no Rio Grande do Sul, conseguiu desbancar a forte dupla da capital e venceu o Metropolitano, classificando-se para a fase final do Estadual.

O Renner já tinha chegado à fase final do Estadual em 1938, mas foi um campeonato diferente. Grêmio e Internacional não participaram do Metropolitano, já na época tentaram criar a primeira liga profissional do Rio Grande do Sul (a Amgea Especializada). Porém, o desempenho do Papão naquele ano não foi dos melhores, e o time ficou apenas em quarto entre as cinco equipes participantes.

No Gaúchão de 1954, os adversários do Papão seriam o Brasil de Pelotas, vencedor da região Sul e Litoral, o Ferro Carril de Uruguaiana, da Fronteira, e o Gabrielense de São Gabriel, da região da Serra. Porém, este último clube desistiu da fase final e o quadrangular virou um simples triangular para decidir quem seria o campeão do Rio Grande do Sul de 1954. Porém, a decisão ficou para o ano seguinte.

O Renner representando a Seleção Gaúcha em um jogo no Pacaembu em 1955

Quem acompanhava os jogos do Renner via alguns jogadores com potencial. Dois deles viriam a fazer história no futebol brasileiro: o goleiro Waldir Joaquim de Moraes, que depois iria para o Palmeiras e se tornaria um dos melhores da posição no país e ao encerrar a carreira virou um grande preparador de jogadores da posição, e o atacante Ênio Andrade, que depois também foi para o Verdão, mas fez muita fama como treinador, chegando a ser cotado várias vezes para dirigir a Seleção. Além dos citados, Paulistinha, Orlando e Olavo também eram destaques.

Voltando ao triangular final, o Renner estreou jogando em seu estádio, o Tiradentes, que não existe mais, contra o Ferro Carril, já em 30 de janeiro de 1955. Breno Melo e Joelcy fizeram os gols da vitória por 2 a 0. Na segunda partida, em Pelotas, no dia 6 de fevereiro, um empate em 1 a 1 contra o Brasil, no Bento de Freitas, colocou o time em boa condição, já que faria o último jogo em casa contra o Xavante.

Porém, antes da partida decisiva contra o Brasil, o Renner ainda tinha que jogar em Uruguaiana, contra o Ferro Carril. A partida foi difícil e o 1 a 0 deu a condição de que com uma simples vitória, o Papão conquistaria o título Gaúcho de 1954, já que o Xavante também havia vencido o Ferro Carril por duas vezes.

Com a faixa de campeão no peito

O Tiradentes ficou abarrotado de gente para acompanhar a partida decisiva. O primeiro tempo foi nervoso e terminou 0 a 0. Porém, logo no primeiro minuto da segunda etapa, Breno Melo fez a torcida local explodir de felicidade: Renner 1 a 0. Aos 26', o Papão amplia, novamente com Breno Melo, e quando a torcida já começava a comemorar o título, Pedrinho, aos 28', fez o terceiro. Final de jogo em Porto Alegre e o Papão era o campeão gaúcho de 1954.

A façanha foi tão grande que já no ano seguinte, o Internacional voltava a conquistar o Gaúcho e dividir os títulos com o Grêmio. Como não conseguiu repetir a façanha, e a empresa tinha que cobrir o prejuízo do clube, ele foi fechado no final da década de 50, pouco tempo depois do título. Já a hegemonia Grenal, depois de 1954, só foi quebrada em duas oportunidades: em 1998, pelo Juventude (time que tinha o apoio da Parmalat na época), e em 2000, pelo Caxias (do então 'novato' treinador Tite, ambos os times da cidade de Caxias do Sul.
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