sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Arena em Santos – explicando o caso

O projeto da Arena Ulrico Mursa, aprovado pelos conselheiros da Portuguesa Santista

Desde a última terça-feira, dia 6 de dezembro, quando o Conselho Deliberativo da Associação Atlética Portuguesa escolheu a proposta do Grupo Mendes para a construção de sua arena em conjunto com um shopping, em detrimento ao projeto do grupo de investidores ligado ao Santos Futebol Clube, houve muitos comentários sendo espalhados pela mídia e redes sociais.

Algumas destas informações foram divulgadas com meias verdades. Para aumentar o burburinho, na quarta-feira, dia 7, o presidente do Santos Futebol Clube, Modesto Roma Junior, anunciou que estava terminando a parceria que tem com a Briosa no futebol, pois, segundo palavras dele mesmo para o jornal A Tribuna “parcerias se faz com parceiros. Se eles não querem mais parcerias, então acabou”.

Para esclarecer todos os pontos comentados nestes dias, apresentamos todos os pontos deste conturbado episódio envolvendo o futebol da Baixada, que tomou grandes proporções devido ao envolvimento de um grande clube, o Santos FC, e outro tradicional, a Portuguesa. Então, vamos aos fatos.

1 – Antes de mais nada, é bom deixar bem claro que esta história de novo estádio do Santos FC é antiga. Já existiram várias propostas, em diversos lugares, como em São Paulo, no ABC, em Cubatão, na área continental de Santos e até mesmo construir um novo estádio no mesmo lugar onde fica a Vila Belmiro, assim como foi feito no Palestra Itália.

Esta é a proposta do grupo de investidores

2 – A construção de um novo estádio no lugar do Ulrico Mursa, o campo da Portuguesa, em conjunto com um shopping ou um hipermercado também não é nova. No início dos anos 2000 já havia comentários em torno de uma proposta como esta.

3 – No final de 2015, os presidentes do Santos FC, Modesto Roma, e da Portuguesa, Lupércio Conde, anunciaram uma parceria no futebol profissional. Ainda sem ter definido concretamente a parceria, mas já se sabia que o Peixe cederia jogadores do Sub-20 e Sub-23 do clube para a Briosa, sem custo para o clube Rubro Verde. Os comentários se espalharam rápido e chegaram a dizer que o time todo seria do Santos, inclusive a comissão técnica. Na ocasião, ambos os mandatários deixaram claro que a parceria no futebol não tinha nada haver com a questão da área para a construção de um novo estádio para o Santos FC (e você pode conferir isto em matéria no site de A Tribuna).

4 – Já na formação da comissão técnica da Portuguesa Santista para a disputa do Campeonato Paulista da Segunda Divisão de 2016 aconteceu algo totalmente diferente dos comentários. O treinador, Ricardo Costa, o gerente, Samuel Maninho, e quase toda a comissão técnica foram contratados pela Portuguesa. O Santos cedeu apenas o auxiliar, Marcelo Passos. Todos os citados foram importantes para a campanha.

5 – Para a formação do elenco, o Santos cedeu uma lista com 18 atletas, onde a Portuguesa Santista escolheu apenas sete para disputarem a competição: o goleiro Felipe Garça, o zagueiro Alisson, os volantes Carlos Alberto e Kauê Rivera, o meia Jean Chera e os atacantes William e Sillas. Todos os outros 21 atletas do elenco foram contratados pela Portuguesa. Vale ressaltar que Jean Chera foi dispensado ainda na primeira fase, sendo substituído na lista de inscritos por outro jogador contratado pela Portuguesa. Ao final, apenas seis jogadores do Peixe estavam no elenco da Briosa.

O mandatário do Santos FC, Modesto Roma Junior

6 - Do time titular da Briosa que foi campeão, o goleiro Cleyton, os laterais Israel e Vinícius, os zagueiros Dema e Lucão, o volante Pedro, o experiente meia Ricardinho e os atacantes Juninho e Fernando foram trazidos pela Briosa. Apenas William, que foi o artilheiro da competição, e Carlos Alberto eram os jogadores titulares cedidos pelo Santos FC. Todos os jogadores do elenco tiveram grande importância e responsabilidade na conquista.

7 – Na proposta de parceria para a construção da arena do Santos e, consequentemente outro estádio para a Portuguesa, do grupo de investidores, a Portuguesa Santista ficaria com um estádio para 10 mil pessoas, perderia sua área social e ainda teria que ceder parte da renda dos jogos para o mesmo grupo.

8 – Já na proposta do Grupo Mendes para a construção da Arena Ulrico Mursa, haveria um novo estádio, que utilizaria uma parte do campo que existe hoje e o atual social, e uma nova área social, que ficaria no terreno onde hoje é um grande estacionamento. Em troca, o Grupo Mendes utilizaria uma parte da área do clube, a frente, para a construção de um novo shopping. O clube teria ainda participação em alguns serviços do empreendimento, como estacionamento.

9 – Como citado acima, o Conselho Deliberativo da Portuguesa Santista achou a proposta do Grupo Mendes mais vantajosa e a escolheu por 41 votos a 0. É um direito do clube, já que ambos gostariam de utilizar a área da agremiação.

Lupércio Conde, presidente da Portuguesa

10 – Ao contrário do que foi falado por uma pessoa em um meio de comunicação, que não vamos citar nomes, mas inclusive o áudio deste comentário está correndo pelo WhatsApp, nenhum conselheiro da Portuguesa disse na reunião do Conselho algo como “não vamos fechar nada com esses FDP do outro lado do canal”.

11 – O mandatário do Santos Futebol Clube, Modesto Roma Junior, encerrou a parceria no futebol com a Portuguesa Santista logo após saber do escolha do Conselho Deliberativo da agremiação Rubro Verde, o que é direito dele. Porém, ele mesmo tinha falado que a parceria no futebol nada tinha haver com o projeto do estádio. É algo para se pensar.

12 – Para encerrar, muitos torcedores e conselheiros do Santos FC são contra o projeto da Arena do Santos FC deste grupo de investidores. Os motivos são muitos, como por exemplo o de os jogos na Vila Belmiro não estarem com médias de público tão altas e que a Arena seria para 25 mil pessoas, obrigando o Santos ainda a jogar em São Paulo nas decisões (a Conmebol, por exemplo, exige mínimo de 40 mil pessoas de capacidade nas decisões). Aí fica a pergunta: será que o Conselho do Santos FC aprovaria a proposta? Se há dúvidas até em membros do maior interessado na nova arena, por que seria bom para a Portuguesa?

Bom, com tudo isso, espero que os amantes do futebol reflitam antes de dar opiniões sem embasamento.
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