quinta-feira, 18 de junho de 2015

Croácia 4 x 0 Camarões - O jogo mais colorido da Copa

Croatas comemoram um dos gols da goleada em Manaus

* por Estevan Azevedo

Minha epopeia durante a Copa incluía uma passagem pela cidade de Manaus, que já foi um centro de riqueza decorrente da exploração da borracha, e hoje vive à sombra desse rico passado de glórias.

O objetivo da visita era acompanhar o duelo entre Camarões e Croácia, pela segunda rodada da primeira fase, pelo grupo da seleção canarinho.

Para meu desespero, quase não vi a partida: fiz uma confusão com a questão do fuso horário, e chegaria em Manaus apenas duas horas antes do jogo, e não três, como eu pretendia. Pra melhorar, dentre as cerca de 20 decolagens que fiz durante o torneio, aquela foi a única que ocorreria com atraso.

Meu consolo foi ver um monte de gente no vôo que também estava a caminho da partida, incluindo uma equipe da TV sueca e uma animadíssima californiana torcedora da seleção mexicana, folcloricamente vestida já na área de embarque.

Confusão entre os jogadores das duas equipes

Pude apreciar a grandiosidade da floresta amazônica vista do alto, e após uma escala em Porto Velho, cheguei em Manaus, e as coisas não pareciam boas: por conta da partida, algumas avenidas estavam fechadas e o trânsito estava um caos.

Com toda a bagagem da viagem, eu teria que dar entrada no hotel antes de ir ao estádio. No caminho, eu já contabilizava o jogo como perdido. Estava atravessando a cidade, com muita dificuldade, e teria que fazer o caminho todo de volta, ainda, uma vez que a Arena ficava razoavelmente próxima do aeroporto.

Pegar um táxi no hotel foi outro parto. Com muito custo, consegui dividir um, com um grupo de mexicanos, depois de jogar as malas no quarto e fazer uma rápida troca de roupas. O motorista praguejava durante todo o trajeto, e ainda disse que teria que nos deixar muito distantes do estádio, por conta do “bloqueio-FIFA”.

Vivi uma vida naquelas duas horas que se passaram entre o meu desembarque em terras manauaras e minha entrada no estádio, a tempo de ver todo o cerimonial, numa prova de que o tempo realmente é relativo. Pra mim, não há explicação para que eu tenha conseguido chegar a tempo, sem pegar nenhuma fila para entrar, mesmo chegando em cima da pinta.

Em campo, as duas equipes utilizaram seus uniformes tradicionais, proporcionando um espetáculo visual condizente com o esplendor do palco.

Trecho da partida

Os croatas venceram por 4 a 0 com bastante facilidade e se encheram de esperanças pela classificação, que acabaria não vindo; essa seria a única vitória do time no mundial.

Nas arquibancadas, uma das poucas confusões que vi na Copa: um grupo de torcedores croatas estava em pé, e não parava de cantar. Os brasileiros pediam para que eles se sentassem, em bom português. Como não foram atendidos, jogaram um copo cheio, que estourou nas costas de um torcedor, que se virou irado para todos que estavam atrás deles. Acabou sendo retirado pelos “stewards”, que perderam uma grande oportunidade de evitar que a coisa chegasse a esse ponto.

À noite, rumei para a Praça São Sebastião, onde ficam o famoso Teatro Manaus, e o Bar do Armando, referência mundial em bolinhos de bacalhau, e me envolvi em mais uma inesquecível confraternização, tendo inclusive a oportunidade de conversar com alguns torcedores croatas, e um jogador de basquete camaronês que reside em Bordeaux. Além de conhecer um grupo de dançarinos de Trinidad & Tobago!

Depois, a pedida foi curtir mais dois dias pela cidade, sempre priorizando a Copa do Mundo, assistindo as partidas na praça, e confraternizando com os turistas à noite. E apreciar um pouco da cultura local, e os curiosos horários de funcionamento de alguns museus, até 22h... afinal, no calor infernal de Manaus, pouca gente se atreve a passear durante o dia.


* Estevan Tadeu Azevedo Mazzuia (à esquerda), 37 anos, é servidor público estadual, mora em Santos e torce para o Corinthians. Estevan é um dos membros do blog Jogos Perdidos.
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2 comentários:

  1. Como Já estive em Manaus, inclusive representei no famoso teatro Amazonas em 1976, (Vc nem era nascido) pude imaginar teu sufoco pela lentidão em tudo lá acontece devido ao calor! Mas a originalidade local cativa como cativante é este clima de copa do mundo que curto apenas nos teus escritos tão coloridos quanto a partida relatada. Muito bom!

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