Argentina 1 x 0 Irã - Argentina sofre, mas vence Irã em BH

Messi resolveu o jogo em um lance

* por Silvio Prado

Eu e minha irmã sempre fomos apaixonados por futebol, daqueles que se enfiam nos mais abissais estádios do Brasil para poder acompanhar qualquer jogo, mesmo que insignificante. De torcer até em Campeonato Amador.

Quando a Copa do Mundo foi anunciada no Brasil ficamos em êxtase, firmamos mil sonhos e planos. Inclusive, a ideia inicial era vendermos nossos carros e comprarmos uma van para viajar entre as sedes de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba. Mas ela, como jornalista, acabou ficando impossibilitada de fazer estas viagens.

Clima fora do estádio era de festa

Mesmo assim, curtimos muito todos os momentos do Mundial desde o início, um ano antes com a Copa das Confederações, onde mesmo em meio aquela muvuca de manifestações, estivemos no Maracanã para acompanhar México 1, Itália 2, além da grande decisão, no show brasileiro contra a Espanha. Quando a Copa chegou, tirei o mês de férias e curti cada segundo como se fosse o último. Fomos a dois jogos, estive em algumas Fan Fests em São Paulo e Belo Horizonte e fizemos as tradicionais reuniões familiares para empurrar o Brasil.

Porém, para conseguir o ingresso foi uma guerra! No sorteio, não fomos contemplados com nenhum ingresso. Na primeira fase de compras abertas, conseguimos um jogo às escuras em Cuiabá, que no final acabou se tornando Bósnia e Nigéria.

Mas quando a Copa começou, minha esposa gostou tanto do clima que também quis participar da festa e desde a semana antes do mundial até horas antes da final mantivemos três computadores logados durante 24 horas no site da FIFA. Na terça-feira antes do jogo Argentina e Irã, que foi realizado no sábado, 21 de junho, eu estava em audiência, sou advogado, quando meu celular vibrou com a seguinte mensagem: “Vamos pra BH no fim de semana, Argentina e Irã, 4 ingressos”.

Eu comecei a rir, pois já havia estado dias antes lá no Mineirão para Colômbia e Grécia. Iria sonhar acordado mais uma vez.

A viagem foi divertida e tão boa quanto o jogo. Moro em Pindamonhangaba, interior do estado de SP e nossa viagem começou na sexta-feira, quando às 7h30 da manhã embarcamos para SP para retirar os ingressos, no Centro da cidade.

A retirada dos ingressos, como em todo mundial, foi tranquila e em menos de 5 minutos estávamos com os entrantes nas mãos e partimos então pro Vale do Anhagabaú, para acompanhar na Fan Fest dois jogos daquela dia:  Costa Rica x Itália e França x Suíça.

Após a goleada da França, fomos ao Terminal Rodoviário do Tietê, onde assistimos ainda a Equador e Honduras e esperamos pelo embarque para Belo Horizonte, que seria às 22 horas.

Times aquecendo dentro de campo

No momento do embarque, mais diversão. Parecia que estávamos em Buenos Aires e não em SP. Um mundo "hermano" invadiu o ônibus, que viajou toda madrugada até o local do jogo. Na rodoviária da capital mineira, a situação era ainda mais estranha. Pouco se ouvia de português, eles haviam mesmo invadido o Brasil para empurrar a seleção de Messi e cia.

Mas essa invasão não me inibiu e, mesmo com eles tendo tomado de assalto todos os pontos de BH, coloquei minha camisa branca, verde e vermelha e logo consegui uma bandeira Iraniana para amarrar ao corpo. E assim fomos eu e minha esposa, junto com mais um casal de amigos, devidamente trajados de iranianos dentro do Expresso da Copa, ônibus que saia da Savassi, bairro da cidade, e ia até o Mineirão.

A partida foi dura para os argentinos e, como bom “brasileiro-iraniano”, pudemos vibrar em muitos momentos, pois arrancar um 0 a 0 ali seria mágico. Uma pena que a fraca seleção iraniana desperdiçou duas boas chances no segundo tempo e, no final, ainda tomou o derradeiro gol, anotado por Messi.

Torcendo para o Irã

O gol deles causou uma onda de comoção e alegria no Mineirão, que era possível senti-lo pulsando. Aos brados, os hermanos comemoravam, enquanto eu confesso que chorei algumas lágrimas de frustração.

Mas o clima era maravilhoso dentro e fora do estádio. Mesmo trajado de iraniano, os argentinos trataram eu, minha esposa e o casal de amigos muito bem. Inclusive, muitos deles acreditavam que éramos mesmo iranianos e pediam para tirar fotos conosco, além de conversarem. Também encontramos com iranianos legítimos, que agradeciam nosso apoio. Todos sempre muito gentis e educados. 

Bom, sou novo ainda e não experimentei todas as sensações da vida. Mas assistir a um jogo de Copa do Mundo, dentro do estádio, certamente está entre as melhores coisas que um ser vivo pode realizar. A atmosfera é única! E nós, amantes do futebol, sentimos isto ainda mais forte, ainda mais real. Passa um filme em nossas cabeças. É difícil colocar isso em palavras. É único.


* Silvio Prado, 28 anos, é advogado, mora em Pindamonhagaba-SP e torce para o EC Taubaté e o Palmeiras.
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