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Collina defende uma regra de «clemência»

Após um apelo de misericórdia do árbitro do jogo Liverpool-Man United, Collina sugere que se faça uma regra não escrita, uma regra oficial

Quem não se lembra provavelmente do melhor árbitro que já existiu? Quando Pierluigi Collina, nomeado chefe dos árbitros dos jogos da FIFA, fala, todos ouvem. Nas suas últimas declarações, ele referiu uma regra "não escrita" sobre a misericórdia demonstrada pelos árbitros em campo quando a diferença nos gols marcados é muito grande. Ela exige que os árbitros não sejam rígidos quanto ao tempo de acréscimo no final dos jogos, quando um dos lados está muito à frente. Caso a sua recomendação seja implementada, haverá mudanças de base em todos os torneios internacionais e intercontinentais.

O contexto

A lenda italiana comentou o resultado bastante inesperado e bastante surpreendente do último confronto Liverpool - Manchester United, em que os Reds atropelaram os Red Devils com os espantosos 7-0. De acordo com a sua declaração, o árbitro mostrou misericórdia para com os visitantes ao não manter todo o tempo adicional de acréscimo no final da partida.

O time da casa marcou seis dos seus sete gols no segundo tempo. Considerando que marcaram o gol nº 6 oito minutos depois do nº 5, e o gol nº 7 cinco minutos depois do nº 6, então é lógico que poderia ser possível ao Liverpool marcar mais um se o tempo extra completo fosse mantido. A regra diz que para cada substituição, são adicionados 30 segundos no final. Houveram 10 delas, portanto o tempo mínimo de acréscimo deve ser de 5 minutos. Acrescentando outras interrupções, deveriam ser mantidos pelo menos 8 minutos. Em vez disso, Andy Madley manteve apenas três.

A regra não escrita

É prática comum de quase todos os árbitros em todo o mundo, mostrar misericórdia para com o lado perdedor quando a pontuação é superior a 5-0. O conceito é poupar a humilhação pela extensão da derrota. Os clubes não apreciam este tipo de compaixão quando, de acordo com as regras, podem perder ou ganhar muito com base no saldo de gols no caso de pontos iguais com outro time.

No entanto, Collina sugeriu na mesma entrevista, que a FIFA pode considerar tornar esta regra oficial, em vez de "não escrita" no futuro. O que significa que não estará nas boas graças de um árbitro demonstrar este tipo de misericórdia, mas sim uma questão de regulamentação. Se a sugestão chegar e for implementada, isto significará uma recalibração completa dos algoritmos que as melhores casas asiáticas e os seus homólogos europeus utilizam, para calcular as odds de qualquer partida. Consequentemente, terá um efeito sobre a rentabilidade dos apostadores. E só o tempo dirá se esse efeito é positivo ou negativo.

Pierluigi Collina, o árbitro do penta

Collina é considerado um dos melhores árbitros da história

Um grande árbitro, com certeza o melhor entre o final da década de 90 e início dos anos 2000, o italiano Pierluigi Collina marcou época no futebol mundial por dois motivos: suas arbitragens precisas, que fez a sua fama em todo o planeta, e a brilhante e reluzente careca, que veio em decorrência de uma doença que teve ainda na adolescência e o fez perder todos os pelos do corpo.

Nascido em Bolonha, no dia 13 de fevereiro de 1960, Collina nem cogitava fazer fama no futebol quando novo, já que era fã de basquete. Porém, começou a gostar da modalidade quando atuava de líbero no Allievi da Pallavicini. Porém, uma lesão o fez desistir de ser jogador, mas com 17 anos ele se interessou pela arbitragem e foi fazer o curso.

Logo quando começou a apitar os jogos de sua cidade, Collina chamou a atenção dos dirigentes locais, que o levaram para comandar os jogos da Promozione, nível mais alto do futebol regional italiano. Nesta mesma época, ele contraiu uma doença chamada alopécia e perdeu o cabelo, assim como todos os pelos do corpo.

As atuações do árbitro sempre chamavam a atenção por serem corretas e logo ele foi apitar as partidas das divisões nacionais de acesso na Itália. Em 1991, ano em que se formou em economia e tornou-se consultor financeiro de um banco, Collina também teve um salto na carreira de árbitro: teve sua primeira experiência na Série A do Calcio, no jogo onde o Verona venceu o Ascoli por 1 a 0, em 15 de novembro. Ao fim daquela temporada, ele tinha trabalhado em oito partidas da elite italiana, um recorde para um novato, até então.

Na final da Copa de 2002

Daí para frente, o talento de Collina passou a ser reconhecido. Em 1995 ele passou a ser árbitro Fifa, ostentando o escudo da entidade no lado esquerdo, na altura do peito, no seu uniforme de arbitragem. O primeiro grande momento internacional aconteceu nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996: Pierluigi Collina foi o árbitro da final, onde a Nigéria venceu a Argentina e conquistou o Ouro, o primeiro da história do continente africano.

A carreira de Pierluigi Collina não parava de crescer. Em 1998, trabalhou em sua primeira Copa do Mundo, na França. No ano seguinte, apitou a histórica final da Champions League, quando o Manchester United conquistou o título em cima do Bayern de Munique, de virada, com dois gols no final da partida. Já em 2000, Collina trabalhou na Eurocopa.

Mas o grande momento do árbitro foi em 2002, na Copa do Mundo que foi dividida entre Coreia do Sul e Japão. Suas atuações eram elogiadas quase que de forma unânime e ele acabou sendo escolhido para apitar a final, entre Brasil e Alemanha, quando a Seleção Canarinho conquistou o pentacampeonato mundial.

Na final da Copa do Mundo, Collina coroou o seu desempenho nos últimos anos, tendo uma arbitragem praticamente impecável, que foi elogiada por todos que acompanharam a partida. Além disso, houve tempo para uma cena pitoresca: a camisa do zagueiro Edmilson rasgou no segundo tempo e Collina pediu para trocá-la. O jogador se atrapalhou todo para colocar a nova camisa, o que arrancou risadas do sempre sério árbitro. A cena ficou marcada na história do futebol mundial.

Vídeo com os melhores momentos do árbitro em 2002

Collina apitou até o ano de 2005, aos 45 anos, quando fechou contrato de publicidade com a Opel. Como a empresa também patrocinava o Milan, o árbitro resolveu encerrar a carreira, para não haver conflito de interesses. Na carreira, foi eleito seis vezes o melhor ábitro do mundo pela IFFHS, sete vezes o melhor italiano pela Associação Italiana de Jogadores (AIC) e ganhou a ordem mais alta de reconhecimento no país do então presidente Carlo Azeglio Ciampi.

Em julho de 2007, foi nomeado designador dos árbitros e consultor técnico-atlético do comitê nacional da AIA, se responsabilizando pelas Series A e B. Em janeiro de 2010, foi eleito pela IFFHS o melhor árbitro de futebol da história. Entre suas contribuições para a área, está uma das grandes definições da profissão, expressa à revista do Corriere della Sera, em 2006: "Sábio é quem pensa. O árbitro não pode ser sábio. Deve ser impulsivo. Deve decidir em três décimos de segundo".

O Curioso do Futebol

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