Por Lucas Paes
Foto: Ivan Storti / arquivo / Santos FC
Ontem a noite, noticiamos aqui no site que a Confederação Brasileira de Futebol, a CBF, divulgou a tabela básica e também o regulamento da edição de 2026 do Campeonato Brasileiro, que dessa vez começa já em janeiro. O torcedor do Santos que conferiu os jogos do clube na competição nacional mais importante do ano reparou que mais uma vez, como quase sempre é desde que o campeoanto virou pontos corridos, a abertura da competição terá o alvinegro jogando fora de casa. O adversário de 2026 será a Chapecoense, que volta a Série A no aniversário de 10 anos da sua imensa tragédia na Colômbia, em jogo que deve ocorrer na Arena Condá.
Os números falam sozinhos na estatística e vale, é claro, abrir a matéria com eles, já que a matemática é implacável. De 2003 até 2026 são 24 possíveis estreias na primeira divisão. É claro que, no caso do Santos, precisamos descontar a Série B de 2024, o que deixa a estatística ainda pior em suas 23 partidas. Nos pontos corridos, foram apenas sete jogos como mandante na primeira rodada, sendo um deles no Mané Garrincha em 2013, contra 16 aberturas longe da Vila Belmiro. Se contarmos a Série B, a estatística "melhora" um pouco e "apenas" o dobro de estreias ocorreram fora de casa (16 a 8).
Curiosamente, algo que tem um pêndulo oposto bastante interessante são as vezes em que o Peixe fechou o campeonato em casa, fato que ocorreu em 17 oportunidades das 24 possíveis. Neste aspecto, acabou representando uma ótima situação para o Peixe, que muitas vezes decidiu "a vida" em casa, incluindo é claro, o recente fim de 2025, quando venceu o Cruzeiro, se livrou de qualquer risco de queda e ainda se classificou para a Copa Sul-Americana.
A última vez em que o Santos abriu um campeonato da primeira divisão em Vila Belmiro foi diante do Red Bull Bragantino, em 2020, durante a pandemia do coronavírus. Curiosamente, na primeira rodada da Série B de 2024 o Peixe também estreou sem torcida, o que faz com que a última vez em que o alvinegro jogou a primeira rodada do nacional diante de seu torcedor tenha ocorrido em 2018, em uma vitória sobre o Ceará por 2 a 0 no Pacaembu. A última estreia na Vila com o apoio de sua gente foi em 2014, num empate com o Sport por 1 a 1, sinceramente um dos piores jogos que este que vos escreve já assistiu.
A situação das estreias fica ligeiramente melhor se buscarmos os dados do Século XXI ou do ano 2000 até hoje, já que entre 2000 e 2003 o Peixe fez uma sequência de inícios de Brasileirão em casa, com triunfos diante de Vitória (2x0) e Botafogo (2x1) em 2000 e 2002 e empates contra Santa Cruz (1x1) e Paraná (2x2) em 2001 e 2003. Este foi um período onde o time de Vila Belmiro acumulou estreias em casa entre 1998 e 2003 inclusive, para depois o sinal se inverter de uma maneira tão disproporcional quanto a sequência do fim do século XX e começo do XXI.
A situação das estreias fica ligeiramente melhor se buscarmos os dados do Século XXI ou do ano 2000 até hoje, já que entre 2000 e 2003 o Peixe fez uma sequência de inícios de Brasileirão em casa, com triunfos diante de Vitória (2x0) e Botafogo (2x1) em 2000 e 2002 e empates contra Santa Cruz (1x1) e Paraná (2x2) em 2001 e 2003. Este foi um período onde o time de Vila Belmiro acumulou estreias em casa entre 1998 e 2003 inclusive, para depois o sinal se inverter de uma maneira tão disproporcional quanto a sequência do fim do século XX e começo do XXI.
Com essa estatística não é estranho que o aproveitamento do Santos seja relativamente ruim em estreias de Brasileirão de pontos corridos. Na Série A, são apenas três vitórias (quatro se você colocar a Série B na conta), 11 empates, com uma curiosa sequência entre 2009 e 2015 e oito derrotas. Nesse caso, mesmo em casa o número não é muito melhor, com duas vitórias (três é claro, contando a Série B) e cinco empates.
A comparação fica absolutamente bizarra quando colocamos alguns outros clubes na conversa. Este que vos escreve buscou todos os 12 grandes. O São Paulo, por exemplo, tem historicamente um número bastante alto de estreias longe do Morumbi desde 1971, mas nos pontos corridos são 13 jogos no seu estádio (ou como mandante) e outros 11 longe dele. Outro rival santista, o Corinthians tem 16 aberturas em casa (contando a Série B de 2008 e o futuro jogo de 2026) contra oito fora de seus domínios, número direamente inverso ao do Peixe. O Palmeiras jogou 14 vezes em casa, incluíndo nessa conta a Série B de 2013, contra 10 fora (também incluindo a Série B de 2003).
Saindo do estado de São Paulo, o Flamengo por exemplo, fez 14 estreias em casa contra 10 fora dela, o Fluminense tem números iguais entre estrear em casa e fora dela (12 a 12, também contando 2026), o Botafogo é outro que tem um número maior de jogos fora de casa (contando as Séries Bs) como estreias, 11 com seu mando e 13 como visitante. O Vasco também tem 14 aberturas em casa contra 10 fora, claro, incluindo as vezes em que jogou a segunda divisão (que infelizmente para o Cruzmaltino não foram poucas).
Há alguns grandes que tem uma estatística não tão boa nesse aspecto além do Santos, mas nenhum na proporção do alvinegro. Os rivais Cruzeiro, que jogou 14 vezes como visitante e apenas 10 como mandante de 2003 até a já divulgada tabela de 2026, incluindo seus anos de Série B e Atlético Mineiro, que tem um jogo a mais como mandante que seu arquirrival que será em 2026 (11 em casa, 13 fora dela). Mais ao sul, o Grêmio tem conta idêntica a do Galo, enquanto o Inter tem uma igualdade de 12 jogos em casa e 12 fora. Ambos os casos incluem as visitas dos times gaúchos a Série B.
Saindo do estado de São Paulo, o Flamengo por exemplo, fez 14 estreias em casa contra 10 fora dela, o Fluminense tem números iguais entre estrear em casa e fora dela (12 a 12, também contando 2026), o Botafogo é outro que tem um número maior de jogos fora de casa (contando as Séries Bs) como estreias, 11 com seu mando e 13 como visitante. O Vasco também tem 14 aberturas em casa contra 10 fora, claro, incluindo as vezes em que jogou a segunda divisão (que infelizmente para o Cruzmaltino não foram poucas).
Há alguns grandes que tem uma estatística não tão boa nesse aspecto além do Santos, mas nenhum na proporção do alvinegro. Os rivais Cruzeiro, que jogou 14 vezes como visitante e apenas 10 como mandante de 2003 até a já divulgada tabela de 2026, incluindo seus anos de Série B e Atlético Mineiro, que tem um jogo a mais como mandante que seu arquirrival que será em 2026 (11 em casa, 13 fora dela). Mais ao sul, o Grêmio tem conta idêntica a do Galo, enquanto o Inter tem uma igualdade de 12 jogos em casa e 12 fora. Ambos os casos incluem as visitas dos times gaúchos a Série B.
Ficam as questões do motivo do Santos ter números tão ruins de estreias de Brasileirão em casa comparado a todos os outros 12 grandes do país e até a Bahia e Athletico. Restará ao torcedor alvinegro aguardar para que, quem sabe com ações mais fortes nos bastidores, o time praiano consiga emplacar uma sequência de aberturas de Brasileirão em casa, de preferência permanecendo na Série A, de 2027 para frente, já que o bonde de 2026 já foi perdido pelo Alvinegro de Vila Belmiro. É impossível encerrar o texto com a pergunta sem resposta: por que o Santos tem tantas estreias como visitante no Brasileirão? A sina seguirá em 2026.






