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A passagem de Just Fontaine pelo Stade Reims

Por Lucas Paes
Foto: Arquivo

Fontaine é idolo do Reims

Poucos nomes na história do futebol causavam tanto pavor em defensores de sua época como o de Just Fontaine, que completa 88 anos neste dia 18. O implacável matador francês assombrou defesas na Copa do Mundo de 1958, mas nem só de seleção viveu a lenda, que é um dos maiores nomes da história do futebol local. Nos anos 1950 e 1960, o atacante, que na verdade nasceu no Marrocos, assombrou também o futebol europeu, principalmente em sua gigantesca passagem pelo Stade Reims.

Fontaine começou sua trajetória no futebol no USM Casablanca e com apenas vinte anos sua apavorante média de mais de um gol por jogo chamou a atenção do Nice. Em três anos, seu futebol no clube chamou a atenção do Stade Reims, que na época era o "dono" do futebol francês e trouxe Fontaine para reforçar seu já excelente time, no ano de 1956. 

Fontaine chegou aos Rouge et Blanc e passou então a formar uma dupla praticamente imparável com outro craque da época, o meia-atacante Rayond Kopa. Chegou tentando manter num topo um time que havia conseguido chegar a decisão da Copa Européia, antigo nome da Liga dos Campeões e que havia vendido caríssimo o título ao Real Madrid e não decepcionou, caindo rapidamente nas graças do torcedor.

Fontaine foi artilheiro do Campeonato Francês na sua segunda temporada no clube, que acabou ajudando a levar o atacante para a Copa do Mundo de 1958, onde foi artilheiro e recordista de gols numa única edição com 13 gols, apesar dos Bleus terem caído nas semifinais para o Brasil. Naquela época, já havia ajudado o Reims à conquistar um ´título francês. Sem se abalar, foi artilheiro da Copa Europeia da temporada 1958/1959, ajudando o Reims à chegar novamente na decisão, outra vez perdida para o Real Madrid. 


Seguiu atuando pelo Reims até o ano de 1962, quando se aposentou prematuramente devido a lesões recorrentes. Em seis anos pelo clube, marcou incríveis 145 gols em 152 jogos, se convertendo numa verdadeira lenda da instituição. Foram três títulos franceses, um título da Copa da França e dois títulos da Supercopa da França. 

Depois de encerrar a carreira, Fontaine foi treinador, passando pela Seleção Francesa, pelo Luçon, pelo PSG, onde foi um dos primeiros treinadores da história do clube, Tolouse e por fim pela Seleção Marroquina, último trabalho seu na prancheta, no ano de 1981. 

França 1958 – A primeira grande seleção de Les Bleus

Por Lucas Paes 

O time francês de 1958

A França é hoje uma das principais seleções do futebol mundial. Donos de dois títulos europeus, duas Copas das Confederações e um mundial, os Bleus são, talvez, os maiores favoritos a conquistar a Copa do Mundo da Rússia neste ano, contando com nomes como Pogba, Mbappe, Griezzman, entre outros nomes de qualidade. A equipe decepcionou seus torcedores em 2016, perdendo a Eurocopa para Portugal dentro de casa. Mas muito antes de Pogba, Zidane e Platini, existiu o time de 1958. 

Até aquele mundial, os franceses pouco tinham feito no futebol mundial. Apesar de ser um país de origem de muitos dirigentes e de grande importância para os bastidores do esporte, eles até então pouco tinham feito dentro de campo. Mas as vésperas da Copa de 1950, a Federação Francesa de Futebol resolveu adotar o método que o mundo inteiro já usava e dar o comando e a convocação da Seleção a uma pessoa, ao invés de um comitê. Albert Batteux, técnico do Stade Reims, melhor time da França naquela altura, assumiu inicialmente em 1956. 

Potencializando jogadores como Kopa, Abbes, Kaelbel, Jean Vicent, entre outros, que haviam jogado a Copa de 1954, mas na época, sem experiência, caíram na primeira fase, Batteux potencializou os jogadores e após bons resultados em amistosos, os franceses passearam nas eliminatórias, na época precisando de apenas cinco jogos para ir ao mundial. Porém, após a classificação, jogadores como Zitouni, Brahimi e Mekhloufi deixaram o time e passaram a jogar pela Argélia, num momento em que estouravam os confrontos pela independência do país africano. 

Fontaine, ao centro, era o grande destaque daquele time

Com uma convocação que concentrava jogadores no Reims, Mônaco, Angers e Lyon a França tinha um time razoável, que acabou melhorando com a lesão de Cisowski e a entrada de Fontaine, que seria o destaque absoluto daquela equipe. Fontaine é um dos maiores (se não o maior jogador) da história do Stade Reims, tendo marcado 145 gols em 156 jogos pela equipe, um número altíssimo mesmo para os padrões de Messi e Cristiano Ronaldo, na atualidade. 

A França estreou naquele mundial no dia 8 de Junho de 1958, diante do Paraguai e golearam os sul-americanos por 7 a 3. Foram três de Fontaine e gols de Piantoni, Wisnienski, Kopa e Vincent. No segundo jogo, ficou claro o descaso com a defesa do time francês, já que Fontaine até marcou duas vezes, mas a Seleção Iugoslava venceu por 3 a 2, mostrando os problemas da retaguarda azul, que sofria tanto quanto o ataque encantava. Eram 9 gols marcados, porém 6 sofridos. 

Na última partida daquela fase inicial, veio uma vitória sofrida diante dos escoceses por 2 a 1, com gols dos protagonistas Kopa e Fontaine. O jogo contou com grande atuação do estreante goleiro Abbes, que fez grandes defesas, evitando que a frágil defensiva francesa fosse vazada durante os 90 minutos. 

Raymond Kopa, o outro grande destaque daquele time 
(Foto: Getty Images)

No mata-mata, a França enfrentaria nas quartas a Irlanda do Norte, na cidade de Norrkomping, mesmo local onde a equipe havia feito 7 a 3 na estreia da competição. Pois a cidade viu outro show com quase os mesmos protagonistas. Fontaine, duas vezes, Piantoni e Wisnienski fizeram os gols da goleada por 4 a 0. A semifinal colocaria frente a frente o Brasil, fortíssimo time de Pelé, Garrincha, Didi e cia. Diante dos franceses, sensação daquela copa. 

A torcida francesa invadiu o Estadio Rasunda e as namoradas e esposas dos jogadores tiveram suas passagens pagas pelo jornal L’Equipe para visitarem os jogadores na noite antes do jogo. Apesar do encanto do ataque francês, o esquema 2-5-3 mostrou-se suicida diante de um Brasil mais equilibrado, escalado num 4-2-4 e contando com bons jogadores de defesa como o capitão Bellini. Vavá abriu o placar logo no começo do jogo, aos dois minutos, mas Fontaine deixou tudo igual sete minutos depois. Apesar disso, a partir daí os Canarinhos aproveitaram os espaços do frágil sistema defensivo dos Bleus e com um de Didi e três do ainda adolescente Rei Pelé, os brasileiros mataram a vaga. Nem o gol de Piantonini no finalzinho mudou o destino. 

Os franceses fariam outro partidaço diante da Alemanha na decisão de terceiro lugar, vencendo por 6 a 3, com 4 gols do recordista Fontaine, um de Kopa e um de Douis. O Brasil, que havia eliminado a França, saiu, como esperado, com o título. Aquela vitória de 1958 foi a única até hoje do Brasil diante dos Bleus em Copas, e ela foi vingada em tripla dose, com eliminações brasucas em 1986 e 2006 e a derrota por 3 a 0 na final de 1998. 

Decisão do terceiro lugar entre franceses e alemães

Aquele time francês foi ao mesmo tempo o melhor ataque (23 gols marcados) e a pior defesa (15 sofridos), mostrando bem como aquele time jogava, atacando de maneira suicida. Fontaine tem até hoje o recorde de gols em uma única edição de Copa do Mundo, algo difícil de ser quebrado. Mesmo Messi e Cristiano Ronaldo, que seguem batendo recordes atrás de recordes de gols, passam longe de sequer chegar perto disso, mesmo no total de gols em Copas. Ronaldo e Klose também precisaram de pelo menos três copas para fazer o que ele fez em uma. Fontaine provavelmente jamais perderá essa marca.

O Curioso do Futebol

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