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Na Bolívia o futebol é jogado nas alturas, literalmente, para o sufoco dos adversários

Por Lula Terras

Estádio Hernando Siles, em La Paz

Um dos tabus que ainda se mantém vivo no futebol, apesar da ciência já ter evoluindo muito é a interferência que as grandes altitudes provocam no organismo dos atletas das equipes que enfrentam os times locais. A maioria das reações provocadas pela altitude no corpo é causada pelo fenômeno da hipóxia, que é a falta de oxigênio no organismo, situação que poderia ser neutralizada, caso os atletas ficassem cerca de 30 dias, no local, se aclimatando com a nova altitude. Esse recurso é praticamente impraticável, devido à logística ser muito custosa, e para amenizar, algumas alternativas são utilizadas pelos clubes visitantes. A mais utilizada é chegar, alguns instantes antes da partida, já que as reações mais agudas se manifestam, cerca de 120 minutos, depois de o corpo chegar nesta altitude.

Esse problema ganha mais destaque, geralmente durante a Copa América, quando as demais seleções participantes se vêm obrigadas a jogar em La Paz, na altitude de 3.660 metros acima do mar, para enfrentar a Bolívia, pais sem muita tradição no futebol mundial, e que conta com apenas três participações em Copas do Mundo, em 1930, no Uruguai; 1950, no Brasil, e na de 1994, nos Estados Unidos.

Também, no Peru, existe problema semelhante, onde o Club Sportivo Cienciano, enfrenta seus adversários em competições continentais, como a Libertadores da América e Copa Sulamericana, na cidade de Cuzco, com seus 3.400 metros acima do mar.

Estudos confirmam que, os esforços desprendidos por atletas, não acostumados com grandes alturas, acabam provocando efeitos negativos, em várias partes do corpo, como no cérebro, coração, pulmão, músculos e até no sangue, onde a falta de oxigênio aumenta o número de glóbulos vermelhos, para até 60%, do volume do sangue, tornando-o mais espesso. Com isso, ocorreram inúmeros registros de atletas desmaiarem em campo. Tem sido comum, também, ver as equipes visitantes, com vários tubos de oxigênio, para atender seus atletas para recuperar as forças e continuar jogando.

Numa tentativa de acabar com o problema, o comitê executivo da Fifa decidiu, em 2007, proibir jogos internacionais de futebol, em cidades com altura acima de 2.500 metros acima do mar. Após campanha liderada pelo presidente boliviano, Evo Morales, a entidade máxima da modalidade acabou voltando atrás na decisão. Enfim, a saga das equipes e seleções de enfrentar bolivianos e peruanos nas alturas vai continuar por muito tempo, vamos torcer então, para que a ciência apresente melhores resultados e os atletas não sofram tanto, no exercício de sua profissão.

O dia em que o Juventud calou Potosí

Momento em que o jogo estava 1 a 0

* por Fabián Infante

Todos que me conhecem sabem que sou torcedor do Nacional, o Bolso, Padre y Decano del Futbol Uruguayo. Mas, como sou de Las Piedras, cidade do departamento de Canelones, simpatizo com o time local, o Juventud.

Por causa da boa campanha do Juventud no Campeonato Uruguaio, o clube conseguiu uma vaga na Copa Sul-Americana deste ano. Pela primeira vez, a equipe estaria em uma competição continental profissional. em 2005, o Juventud conquistou um torneio internacional sub-23 na Itália, quando o time contava com o atual jogador do River Plate, Rodrigo Mora, com apenas 18 anos.

Pois bem, eu moro em Vitória, no estado do Espírito Santo, no Brasil, e resolvi viajar até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Queria muito conhecer o local e aproveitaria para assistir o jogo do Nacional contra o Oriente Petrolero, equipe local. A partida foi realizada no dia 11 de agosto e o Bolso venceu por 3 a 0.

Os torcedores do Juventud a caminho do estádio

Como eu já iria ficar mais uns dias pela Bolívia, aproveitei e organizei minha ida para Potosí no dia 20 de agosto, quinta-feira, para assistir mais um jogo por lá. A partida a volta do embate entre o Juventud e a equipe local, o Real Potosí.

Na primeira partida, realizada no Estádio Luiz Franzini, campo do Defensor localizado no Parque Rodó, em Montevidéu, o Juventud venceu os bolivianos por 4 a 1. Esse resultado deu um fôlego para a equipe azul e branca, já que em Potosí, os Pedrenses enfrentariam um adversário muito temido: a altitude de 4 mil metros.

Em frente ao local da partida

Fiz a viagem de mais de 600 km entre Santa Cruz de la Sierra e Potosí de ônibus e logo encontrei meus amigos que vieram do Uruguai para assistir à partida. Éramos nove pessoas que estariam apoiando o Juventud no Estádio Victor Agustin Ugarte. No caminho ao estádio, percebi que estava sentindo falta de ar. Se para nós já é complicado, como seria para os jogadores, que estariam correndo 90 minutos naquelas condições? Deve ser complicado!

A partida começou e a equipe da casa, acostumada com as características locais, foi para cima, tentando reverter o resultado adverso do primeiro jogo. O Juventud se trancava, tentando segurar ao máximo o ímpeto do Real Potosí, que abriu o placar aos 27 minutos, com Jorge Toco.

Faixas e bandeiras prontas para o jogo

Na segunda etapa, a equipe da casa foi para o tudo ou nada e conseguiu ampliar aos 15 minutos, com Gilbert Alvarez. Porém, o Juventud conseguiu se segurar e os 2 a 0 não foram suficientes para eliminar os uruguaios da competição. Um silêncio no estádio. Apenas nove pessoas comemoravam. Sim, os uruguaios que estavam ali.

Em sua primeira competição internacional, o Juventud conseguiu passar para a segunda etapa. Emocionados, os torcedores começaram a chorar dentro do estádio. Todos estavam felizes com o feito dos Pedrenses. Para mim, foi uma experiência espetacular, pois ver uma equipe chica conseguir sucesso em um torneio como a Copa Sul-Americana não é algo comum.

Com o resultado, o Juventud vai enfrentar o Emelec, do Equador, pela segunda fase da competição. Porém, aconteça o que acontecer, os Pedrenses já estão fazendo história. É, realmente alegria de time pequeno sempre emociona!


* Jorge Fabián Infante Rosso, El Fabito, tem 25 anos, trabalhava no Uruguai em uma adega de vinhos e, atualmente é artesão aqui no Brasil. Fabito é de Canelon Chico, Las Piedras, mas atualmente mora em Vitória-ES e torce para o Club Nacional de Futbol, o Bolso, clube que tem um site interessante de torcedores, o www.decano.com.

O Curioso do Futebol

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