A saída de Salah representa o fim de uma era e o início de uma incerteza

Mohammed Salah foi o maior ídolo de uma geração inteira de torcedores do Liverpool e se despede com os louros dignos de uma majestade

Foto: divulgação / Liverpool FC

Salah agradece ao torcedor do Liverpool em Anfield
O reinado de Salah em Liverpool chegou ao fim

Ganhar o apelido de Rei é um privilégio que uma coleção de jogadores já conseguiu, pouquíssimos de maneira tão justificada quanto Mohammed Salah. O egípcio encerrou sua brilhante passagem de 9 anos no Liverpool representando o fim de uma era e o começo de uma incerteza enorme nos Reds.

Salah foi por todo esse tempo inquestionável. Um verdadeiro patamar humano de grandeza, caiu em menos de duas temporadas nas graças da torcida do Liverpool, virou ícone de um trio de ataque histórico, ganhou absolutamente tudo o que poderia ser vencido. Não a toa virou o "Rei Egípcio".

Faltam palavras justas para descrever o que foi a passagem de Salah por Anfield. Ganhou com e sem Klopp, levou uma Premier League praticamente sozinho. Entendeu como poucos o que é o clube, criou uma conexão com a torcida inacreditável. Gerrard colocou apenas Dalglish à frente do egípcio.

De dúvida a imparável, pouco tempo para virar ídolo

Salah chegou em 2017 coberto de incertezas num Liverpool que tentava voltar aos tempos de glória. Precisou de pouquíssimo tempo para se provar, marcando vários gols em sua primeira temporada e formando no primeiro momento um Fab Four com Coutinho, Mané e Firmino. 

Mesmo após a saída de Philippe para o Barça (e a chegada de Van Dijk) seus números não caíram. O time que dava show chegou a uma final de Liga dos Campeões de onde o egípcio foi covardemente lesionado por Sérgio Ramos na vitória do Real Madrid, que até então não via a bola. Era o início apenas.

As dúvidas sobre ser um jogador de uma temporada foram logo dilaceradas pelo camisa 11, que foi um dos jogadores chaves tanto da campanha de quase título da Premier League (vice com 97 pontos) como do título europeu que finalmente veio com gol seu na final. 

O resto é história. Foram temporadas dignas de Bola de Ouro, títulos de todos os  tipos. "Mo" foi um dos alicerces do lindo time de Klopp e permaneceu em Liverpool mesmo após o fim do trio histórico com Mané e Firmino. Era ainda o pilar de um time em reconstrução e viu até Klopp deixar Anfield.

A histórica temporada 24/25 e a destruição da relação com Slot

Quem vê o que virou a relação entre Arne Slot e Salah hoje nem imagina o quão bom foi o começo do entendimento entre os dois. Na temporada 2024/2025, o egípcio responsabilizou abertamente o treinador holandês por causar uma das versões mais letais que já se viu do egípcio. 

Salah praticamente levou a Premier League daquele ano nas costas. O Liverpool derrubou o favoritismo do Arsenal e o seu camisa 11 marcava ou assistia em praticamente todos os jogos possíveis, contra Big 6, contra pequenos, contra quem fosse. 

O egípcio estabeleceu seu legado com o celebradíssimo título da Premier League que empatou novamente os títulos de Liverpool e United. Viu uma janela histórica dos Reds depois da temporada, mas viveu o trauma terrível da morte de Jota em meio a pré-temporada. Algo a partir daí deu errado.

Mesmo no começo bom, o time de Slot era irreconhecível e já próximo da metade da temporada a relação entre Arne Slot e Salah se deteriorou de maneira irrecuperável, sendo o catalisador da decisão do Rei de encerrar seu reinado. O futebol do camisa 11 não era o mesmo também.

O fim de uma era e o início de incertezas

Salah então se despediu na última rodada dessa bizarra campanha do Liverpool no biênio 2025/2026, que poderia render por si só um texto. Foram várias homenagens desde o anúncio de sua saída, mas palavras pesadas também na imprensa em relação a queda do time na temporada. 

A última temporada de Salah é abaixo do seu normal na verdade porque o egípcio levou os números a loucura. Foram 12 gols e 10 assistências, que seriam um número ótimo para qualquer ponta humano, mas não para uma majestade como ele. Esses números são por exemplo, superiores a Saka, do Arsenal.

Mohammed se desde de Anfield como talvez o terceiro maior nome da história do clube, ou o segundo. O maior nome da era Premier League, opinião inclusive que é de Gerrard, seu "concorrente". 

Inclusive, o homem que quebra recordes e que foi um pesadelo dos estatísticos em seu tempo na terra dos Beatles terminou sua passagem destronando o já citado Gerrard da marca de maior assistente dos Reds na Premier League com o passe para o gol de Curtis Jones. Se despede fazendo o que sempre fez.

O futuro dos Reds agora é incerto sem o homem que determinava o patamar do clube ao longo de sua passagem, que não aceitava não ser campeão, que se cobrava ao máximo e fazia com quem estava ao seu redor fizesse o mesmo. Qual será a cultura dos Reds sem ele? É uma pergunta sem resposta.

Por fim um agradecimento a um ídolo

Salah provavelmente jamais lerá as palavras deste que vos escreve, mas o futebol é feito de emoções e aqui entrarão algumas, porque são elas que nos ligam a esse maravilhoso esporte que, como dizia Bill Shankly, é muito mais que uma questão de vida ou morte. 

Pessoalmente, o camisa 11 é meu maior ídolo como alguém que gosta, que é apaixonado pelo Liverpool. Era o sujeito que me fazia estar em frente a televisão em todos os jogos para acompanhar seus feitos, o sujeito que sempre foi uma certeza, o jogador que jamais achei que veria em Anfield.


Salah em alguns momentos mais complicados até me manteve por aqui quando os piores pensamentos passavam, já que sempre valia a pena esperar por mais um feito dele. Fez alguns dos gols que não foram do Santos e da Briosa que mais comemorei na vida.

Como tantos outros lá em Liverpool, ele também fez com que a luz da informação destruísse muitos dos preconceitos que exisitam com islâmicos. Muito mais que um jogador, é um ser humano cuja as atitudes são admiraveis. 

Me resta apenas agradecer por esses 9 anos, como todo e qualquer torcedor, simpatizante ou seja o que for do Liverpool. Vai ser muito estranho ver a camisa vermelha sem você, mas obrigado por esse reinado de tantas conquistas, Mohamed Salah Hamed Mahrous Ghaly. MashAllah. 
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