Ressocialização! Com tornozeleira eletrônica, jogador do Goytacaz pode ser campeão da B2 Carioca

Foto: reprodução

Yuri entrando em campo no jogo contra o Macaé

O primeiro jogo da final da Série B2 do Campeonato Carioca — equivalente à quarta divisão estadual — marcou não apenas o empate por 1 a 1 entre Macaé e Goytacaz, neste domingo, mas também uma história única dentro e fora das quatro linhas. Yuri de Carvalho da Silva, atacante de 30 anos, entrou no segundo tempo atuando com uma tornozeleira eletrônica, dispositivo que o acompanha desde que deixou a prisão há sete meses.

A partida foi disputada no Estádio Moacyrzão, em Macaé. Yuri, camisa 18 do Goyta, entrou aos 25 minutos da etapa final, com o aparelho oculto sob o meião azul da perna esquerda. O jogador disputou toda a Série B2 dessa forma e se tornou peça frequente do técnico Wellington Gomes, geralmente utilizado como opção no decorrer dos jogos — embora ainda não tenha marcado gols na competição.

O Goytacaz preferiu não se pronunciar oficialmente, mas pessoas ligadas ao clube afirmam que não há qualquer trecho nos regulamentos da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) que impeça um atleta de atuar com tornozeleira. “Atrapalha, mas não impede”, disse uma fonte ao ge.

A Ferj divulgou nota reforçando que não vê irregularidade e destacou que o futebol pode funcionar como instrumento de ressocialização. "Com a missão de ir muito além dos gramados, reforçando a busca pela formação de cidadãos antes de atletas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro entende que a inclusão/ressocialização é função primordial do esporte. Sobre a participação do atleta em uso de tornozeleira eletrônica, equipamento de monitoramento da Justiça, a FERJ buscará informações se há proibição legal do exercício da atividade profissional para não cometer erro de julgamento no caso."

Ao NF Notícias, Yuri declarou: "Acordei hoje com essa notícia, mas estou aqui treinando, trabalhando, e papai do céu tem me abençoado. Agradeço ao Goytacaz, que me deu uma nova oportunidade, o recomeço de estar aqui. Errar, todos erram, mas Deus me deu uma nova oportunidade", disse.


Histórico e reintegração - Yuri foi preso em 2018 por tráfico de drogas e cumpriu sete anos na Casa de Custódia Dalton Crespo de Castro, em Campos dos Goytacazes. Antes de ser preso, ele chegou a atuar pelo próprio Goytacaz, em 2016, e Campos Athletico, em 2017 e 2019. Em maio de 2024, obteve progressão de regime e passou a cumprir pena em liberdade com monitoramento eletrônico. No clube, é descrito como dedicado, disciplinado e bem relacionado no vestiário.

O Goytacaz já solicitou à Vara de Execuções Penais a retirada da tornozeleira, mas o pedido ainda não foi analisado. A diretoria, satisfeita com seu comprometimento, estuda renovar o contrato após o término da temporada.

Decisão aberta - A final será definida no próximo domingo, às 15h, no estádio Aryzão, em Campos. Novo empate leva a disputa para os pênaltis. Se o Goytacaz conquistar o título, Yuri poderá celebrar uma virada pessoal e esportiva significativa — um símbolo de reintegração por meio do esporte.

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