Tecnologia esportiva monitora a técnica e o vestuário nas Olimpíadas de Tóquio


As inovações tecnológicas que serão notadas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, comprovam que a tecnologia é, de fato, a grande protagonista do século 21. E suas aplicações não estão evidenciadas apenas nas colossais arenas esportivas, tampouco nas modernas quadras, pistas de atletismo, equipamentos, painéis eletrônicos ou transmissões digitais em tempo real das competições – os avanços tecnológicos chegaram ao corpo dos atletas, nas roupas, calçados e demais gadgets que melhoram milimetricamente suas performances em busca do ouro.

A tecnologia esportiva que monitora a técnica e o vestuário para melhorar o desempenho também é uma parte importante da preparação de um atleta de elite. Mas os críticos dizem que isso pode ser comparado a um “doping tecnológico”, pois aumenta a desigualdade entre equipes bem financiadas e as de países em desenvolvimento.

Para os mais de 11.000 atletas de todo o mundo reunidos em Tóquio, no evento que acontece de 23 de julho a 8 de agosto de 2021, a preparação para os Jogos já viu seus treinadores, cientistas e analistas em uma corrida para encontrar a tecnologia mais avançada para aumentar suas chances de uma medalha olímpica.

As marcas esportivas dispararam para apresentar novas roupas e equipamentos que usam as inovações mais recentes para melhorar o desempenho dos competidores. Itens como camisa segunda pele de alta compressão com proteção U.V; sapatos impressos em 3D para os atletas do boxe; collants ajustados em 3D para o formato do corpo; maiôs inspirados na pele de tubarões que reduzem o atrito dos nadadores com a água; jaquetas corta vento para ciclistas; tênis de corrida que reduz o dispêndio energético dos maratonistas, entre muitos outros com recursos impressionantes, são dedicados à quantificar o desempenho nos Jogos Olímpicos.

Abaixo você pode conhecer algumas tendências sobre o uso de tecnologia e inovação nas Olimpíadas de Tóquio 2020:

Ralph Lauren, marca responsável pelas roupas da equipe olímpica dos Estados Unidos desde 2008, projetou uma jaqueta denominada RL Cooling, que usa tecnologia para dispersar o calor do corpo do usuário por meio de um dispositivo de ventilação na parte de trás do pescoço. A peça cria uma sensação de resfriamento que vai durar mesmo nas condições mais úmidas. A tecnologia é semelhante à forma como grandes computadores são mantidos resfriados.

Os trajes esportivos da Nike, em destaque para a competição de Tóquio, incluem modelos especiais para modalidades olímpicas como basquete, atletismo, skate, além de tênis com tecnologias que têm recebido algum escrutínio da comunidade internacional. A World Athletics, órgão regulador do atletismo a nível mundial, proibiu em julho do ano passado o uso de versões com a polêmica tecnologia AlphaFly nos Jogos Olímpicos. O modelo usa uma placa mais larga de fibra de carbono e isso daria uma certa vantagem no impulso dos corredores.

Tecnologia: do treinamento ao ajuste das equipes

Em Tóquio, a gigante chinesa de tecnologia Alibaba Group e a fabricante americana de chips Intel fizeram uma parceria para executar um sistema 3D de rastreamento de atletas. A técnica conta com inteligência artificial para entender a biomecânica do movimento de atletas, capturado por câmeras, e estimar a posição das principais articulações do corpo.

Com base nas informações, os treinadores podem ajustar os movimentos de seus competidores olímpicos em tempo real. A tecnologia de “geminação digital 3D” da Intel também cria uma réplica virtual dos estádios que pode ajudar os atletas a se preparar para as corridas. O modelo pode ser acessado por meio de redes celulares de banda larga 5G ultrarrápidas.

Hong Kong, que está enviando uma equipe de 46 competidores representando 13 esportes, usou para o treinamento dos seus atletas de elite uma esteira antigravidade que economiza milissegundos, além de bicicletas de treinamento indoor que medem resistência, intensidade do exercício e outras métricas.

O mergulhador irlandês, Oliver Dingley, também teve uma ajuda extra da tecnologia em seu treinamento na piscina. Uma equipe de analistas usou um sistema de análise de vídeo para reproduzir mergulhos e fazer ajustes em seu formulário.

A empresa dinamarquesa de tecnologia esportiva TrackMan usou seu dispositivo – construído com tecnologia de radar – para ajudar o time de beisebol japonês a analisar arremessos ou rebatidas e avaliar como os jogadores estão se saindo.

Tecnologia vestível

Dados os altos padrões da competição olímpica, a tecnologia vestível foi especialmente útil para monitorar os atletas quando os campos de treinamento foram fechados por causa da pandemia Covid-19. Por exemplo, smartwatches, óculos de natação, sensores de força colocados em tênis, botas de esqui ou pedais de bicicleta puderam fornecer um fluxo contínuo de dados para sessões inteiras de treinamento.

Entre as equipes que usaram tecnologia vestível está a de vôlei feminino do Quênia. Seus dispositivos GPS alimentaram dados sobre a força de cada jogador, frequência cardíaca e outros sinais vitais para os treinadores, que usaram as informações para prevenir lesões e adaptar o regime de treinamento a cada indivíduo.

Além de avaliar o desempenho em relação à velocidade, força ou aceleração, estes dispositivos vestíveis também podem monitorar a saúde e o bem-estar dos atletas, quantificando alguns aspectos da função física – como a frequência cardíaca e até a qualidade do sono.

“Doping tecnológico”

Para alguns, o uso de tecnologia avançada nos esportes piorou a desigualdade entre equipes bem financiadas e as de países em desenvolvimento. Segundo o professor Sigmund Loland, da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, o crescente avanço tecnológico representaria um perigo para futuros eventos esportivos. “Se o esporte de elite se tornar nada mais do que um espelho das desigualdades gerais entre as nações do mundo, não haverá mais funções ideais”. Disse ele, enfatizando o conceito de ‘fair play’ no esporte.

Loland acrescentou que os esportes poderiam concretizar os ideais de igualdade de oportunidades do Comitê Olímpico Internacional, e esses valores precisariam de federações internacionais para padronizar equipamentos e financiar o compartilhamento de tecnologia.

Mas, apesar das controvérsias em torno das acusações de “doping tecnológico” e desigualdade, a tecnologia esportiva já se incorporou ao desempenho da maioria dos atletas olímpicos e estará evidente nos Jogos de Tóquio 2020.
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