Há 90 anos, Lucien Laurent fazia o primeiro gol da história das Copas do Mundo

Por Lucas Paes

Lucien Laurent em ação (Foto: Arquivo)

A Copa do Mundo é, sem sombra de dúvida, a maior competição do futebol mundial. Reunindo seleções de todo o planeta de quatro em quatro anos, o evento virou basicamente o maior símbolo do futebol mundial e talvez seja o maior acontecimento esportivo que exista, quiçá a frente dos Jogos Olímpicos. Toda essa história começou há exatos 90 anos, no dia 13 de julho de 1930, no Estádio de Pocitos, em Montevidéu, no Uruguai. Nessa data, o francês Lucien Laurent marcava o primeiro gol da história da competição.

Laurent nasceu na comuna de Sant-Maur-Des-Fossés, na região metropolitana de Paris. Ainda jovem, numa época onde o esporte bretão sequer sonhava em ser profissional na França, começou a jogar pelo CA Paris, onde jogava junto ao seu irmão mais velho Jean, que era defensor. Os dois estavam na equipe quando ela acabou derrotada pelo Red Star Paris na final da Copa da França de 1928. Foi jogando pelo CA Paris que ambos foram convocados para jogar aquela que seria a primeira Copa do Mundo pela França.

Os Bleus estrearam no primeiro dia da competição, 13 de julho, jogando no Estádio Pocitos, no mesmo horário em que duelavam Estados Unidos e Bélgica. O gol histórico de Laurent veio cedo, logo aos 19 minutos, quando ele aproveitou cruzamento de Liberati e acertou um belíssimo voleio para abrir o marcador para os franceses, num gol que saiu mais de 20 minutos antes dos Estados Unidos pularem na frente dos romenos no Parque Central. O jogo ainda terminaria 4 x 1 para os franceses. 

Local onde ficava o Estádio de Pocitos (Foto: Mario C. Gonçalves)

Lucien já era, nessa época, funcionário da Peugeot, o que faria com que ele fosse jogar pelo Sochaux, que nos anos 1930 era um time de funcionários da empresa. Sujeito modesto, nunca foi de se vangloriar do histórico feito de marcar o primeiro gol da história das Copas do Mundo. Aliás, ele teria jogado também o mundial de 1934, quando foi convocado mais uma vez, mas acabou não jogando devido a uma lesão sofrida pouco antes da competição.

O ex-atacante ainda passaria por outros clubes ao longo da carreira como jogador. Mais notáveis foram as passagens por Rennes, em 1936, quando jogou a Ligue 1 e marcou 11 gols e a passagem seguinte pelo Strarsbourg, quando também jogou na primeira divisão francesa. Encerrou a carreira no Tolouse FC, onde jogou pouco e como muitos de sua época, passou a fazer parte do exército francês durante a Segunda Guerra Mundial. Foi um prisioneiro durante o conflito e liberado em 1943, acabou ainda jogando pelo Besançon antes de pendurar definitivamente as chuteiras.


Depois de sua carreira, comprou um bar, onde muitos comentavam que falava pouco sobre seu gol durante o jogo em 1930. A verdade é que Laurent foi ganhar alguma fama apenas nos anos 1990, quando foi convidado para um jantar de gala da organização da Copa do Mundo daquele ano, na Itália. Na altura em que os franceses sediaram o mundial, em 1998, ele já tinha fama nacional e contava histórias daqueles anos distantes e da viagem de navio para o Uruguai. Mesmo seu filho só foi saber da importância do pai para o futebol muito mais velho.

Laurent, por incrível que pareça, seguiu jogando futebol com um grupo de amigos mesmo depois dos 80 anos de idade. Sujeito de boa saúde, viveu até os 97 anos, quando finalmente partiu para os campos da eternidade, no ano de 2005. Ficará para sempre a lembrança do quase anônimo que em meio a Fontaines, Zidanes, Pelés, Maradonas, Messis e Cristiano Ronaldos da vida, foi o responsável por fazer explodir o primeiro grito de gol da competição mais importante do futebol.
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