A zebra na vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra na Copa de 1950

Foto: arquivo Fifa

Gaetjens é carregado pela torcida brasileira após o jogo

O Estádio Independência, em Belo Horizonte, no dia 29 de junho de 1950, foi palco de uma das maiores zebras da história do futebol mundial. Em jogo válido pela IV Copa do Mundo, pelo Grupo 2 da competição, os Estados Unidos surpreendiam à todos e vencia a até então temida Inglaterra pelo placar de 1 a 0, gol de Joe Gaetjens, ainda no primeiro tempo.

Em 1950, a Inglaterra chegou ao Brasil como candidata ao título, mesmo disputando seu primeiro Mundial. A Football Association acreditava que o nível de competição era muito baixo antes de 1950 e a seleção se recusava a participar das Copas.

Já os Estados Unidos, mesmo tendo sido semifinalista na primeira edição do Mundial, em 1930, no Uruguai, estava longe de ser favorito. A seleção era formada por atletas semi-profissionais; além do futebol, eles trabalhavam como professor (profissão do meio-campista Walter Bahr), lavador de pratos, carteiro, médico na Segunda Guerra Mundial (o atacante Frank Moniz) e até motorista de carro funerário (o goleiro Frank Borghi).

Cinco jogadores americanos nasceram em outros países: Joe Maca era belga, Gino Gardassanich era natural da atual Croácia, Ed McIlvenny era escocês, Adam Wolanin era natural da Polônia e Joe Gaetjens, autor do gol da histórica vitória, era haitiano de nascimento, enquanto mais oito eram descendentes de europeus: Gino Pariani, Charlie Colombo, Frank Borghi e Nicholas DiOrio possuíam origem italiana, Bahr era descendente de alemães, John Souza e Ed Souza (apesar do sobrenome, não eram irmãos) eram de ascendência portuguesa.

Os Estados Unidos, na estreia, foram derrotados pela Espanha, pelo placar de 3 a 1. Já a Inglaterra venceu o Chile com tranquilidade, por 2 a 0. No entanto, na rodada seguinte, em Belo Horizonte, os jogadores ingleses foram surpreendidos pelos norte-americanos.

No jogo, o que se viu foi uma bela atuação do goleiro dos Estados Unidos, Frank Borghi, que fechou o gol enquanto os ingleses finalizavam de todas as maneiras. A torcida, certa de que veria uma goleada, começou a simpatizar com a bravura dos americanos, que deram seu primeiro chute aos 25’, para uma fácil defesa de Williams. Os ingleses responderam com mais três chances seguidas entre os 30 e 33 minutos, mas todas foram desperdiçadas por Mortensen, duas vezes, e Finney.

Aos 38 minutos do primeiro tempo, Joe Gaetjens, marcou um dos gols mais importantes na história do país e garantiu o triunfo por 1 a 0. Não há registros do seu feito contra a Inglaterra. Um gol de cabeça em um raro ataque dos Estados Unidos. As câmeras estavam posicionadas para o outro lado. Quem imaginaria um gol americano?

Com a vantagem no placar, o técnico William “Bill” Jeffrey não teve outra escolha: mandou seus jogadores ficarem atrás da linha do meio de campo e conterem as investidas inglesas de todas as maneiras. E foi exatamente isso que eles fizeram. Com uma aplicação fantástica, os americanos cercavam os rivais de maneira plena. Por mais que eles chutassem, a bola não entrava. E Borghi, ávido e sempre bem posicionado, fazia o jogo mais espetacular de sua vida. E assim, os Estados Unidos venceram.


Quando a notícia começou a percorrer o mundo, muitos não acreditavam no que havia acontecido. E, claro, uma engraçada lenda surgiu. Na Inglaterra, dizem que quando o placar “England 0-1 USA” chegou em algumas redações, pensaram se tratar de um equívoco e consertaram rapidamente para “England 10-1 USA”. Faltava um número, pensavam os repórteres. Mas não faltava. Era a mais pura verdade. Naquele dia, o futebol dava (talvez) sua primeira prova de que ele não obedecia à lei do favorito.

A vitória animou os norte-americanos, mas eles acabaram sucumbido na última partida, sendo derrotados por 5 a 2 pelo Chile. Os ingleses, sem mais aquela magia de "melhores do mundo no futebol", perderam na despedida: 1 a 0 para a Espanha. Assim, a áurea inglesa no esporte que eles mesmos inventaram começou a cair por terra, como os anos seguintes iriam comprovar.
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