A curta carreira de Antônio Lopes como jogador no Olaria

Foto: Acervo Tadeu Miracema

Antônio Lopes, no centro, em seus tempos de jogador

Um dos treinadores multi-campeões do futebol brasileiro, Antônio Lopes está completando 79 anos neste 12 de junho de 2020. Conhecido por também ser delegado, ele também foi jogador, entre 1958 e 1962, defendendo o Olaria.

O então jovem centroavante foi parar no Olaria quando defendia times de várzea de Bonsucesso. "Comecei a jogar em times de várzea. Eu com 12, 13 anos jogava em primeiro time. Certo dia, fui jogar contra o infanto juvenil do Olaria. Nós tínhamos um time, o Unidos de Bonsucesso. Terminado o jogo, o treinador deles, Joanias, me convidou para jogar na equipe da Rua Bariri, convite aceito prontamente", disse Antônio Lopes, em depoimento a seu site oficial.


Ele conta que logo começou a fazer muitos gols na base e quase foi parar em um grande do Rio. "Em 1957 fui o vice-artilheiro do carioca juvenil pelo Olaria, perdendo para o Beirute, que depois foi jogar no Flamengo e no Corinthians. Fiz um contrato com o Olaria, porque naquela época o juvenil estourava idade aos 18 anos e tinha que subir. Por isto o Olaria me segurou logo e eu cheguei a ser chamado para ir para o Flamengo. Cheguei a jogar contra Gérson, num ataque do Flamengo formado por Espanhol, Gérson, Beirute, Manoelzinho e Germano".

Apesar dos gols que fazia, Antônio Lopes tinha poucas chances no time profissional. "Passei para o aspirante, depois de estourar a idade. Meus técnicos foram Délio Neves, pai de um jornalista, Dácio de Almeida, Jair Boaventura, Ademir Marques de Menezes e Daniel Pinto. Joguei de 58 a 62", explic, sendo que em 1960 ele estava no elenco campeão do Torneio Início do Carioca.

Porém, em 1962, mesmo jogando, resolveu fazer Educação Física. "Em 1962 mesmo fiz concurso, pois era época de vestibular. Pensei em fazer odontologia, mas apareceu um amigo meu de Bonsucesso, o Carlos Jorge, e ele me disse que ia se inscrever no curso de Educação Física, dizendo que a Praia Vermelha, sede do curso, parecia um clube. Fui no dia seguinte e fiquei encantado. Quadra de basquete, campo de futebol, piscina. Era o que eu queria. Meu pai ficou irritado porque pensou para mim a carreira de dentista. A Educação Física não era muito conhecida, mas mesmo assim vinha muita gente de fora do país para fazer este curso. Lembro-me de que estudei com um chileno e outros estrangeiros. Meu pai continuou reclamando, mas mostrei a ele que era um curso superior o que eu fazia na Educação Física. Foi aí que comecei a despertar para a vida de preparador físico e de técnico", explicou.


Ele tentou conciliar as duas tarefas, mas no fim de 1962, escolheu apenas uma delas. "Paralelo a isto continuei jogando futebol, mas estava ficando complicado. O treino era só pela manhã, sem nenhuma atividade à tarde. Como a Educação Física era pela manhã e tinha freqüência obrigatória, reprovando os faltosos, fiquei preocupado. Eu não era titular do profissional e só do aspirante, tendo jogado poucas vezes no time de cima. Meu pai me dizia para eu largar, afinal se estava me prejudicando, para que continuar? Para meu pai, eu não ia querer seguir a carreira esportiva como jogador naquela hora, afinal estava gostando muito do meu curso de Educação Física. Poderia então estudar e mais à frente entrar no futebol de outra forma. Foi assim que larguei o futebol em 1962", finalizou. Já na década de 1970, ele virou preparador físico e anos 80 o vitorioso treinador.
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