O Estádio de Laranjeiras e a Segunda Guerra Mundial

Com informações do Fluminense FC
Foto: arquivo Fluminense FC

O monomotor Fairchild PT-19 doado pelo Fluminense

O Estádio de Laranjeiras completa 101 anos de fundação neste 11 de maio. Com uma história de glorias, o local é marcado por títulos do Carioca, conquistados pelo Fluminense, e jogos da Seleção Brasileira, mas até a participação do Brasil na Segunda Grande Guerra Mundial guarda relação com a construção, palco da doação de um avião às Forças Armadas em 1942.

Os ataques da Alemanha aos navios e submarinos brasileiros na região Nordeste, unindo o Brasil aos Aliados durante a Segunda Guerra Mundial, foram o sinal para que o Flu entrasse na história do conflito. Nessa época, o Tricolor buscava o tricampeonato carioca, mas se juntou à mobilização de todo o país e à Campanha Nacional de Aviação (CNA), para ajudar a Força Expedicionária Brasileira (FEB) a obter os bens necessários para seus treinamentos e participação nos combates.

O então presidente Marcos Carneiro de Mendonça, ex-atleta do clube, tricampeão carioca (1917, 1918 e 1919) e primeiro goleiro da Seleção Brasileira, liderou uma campanha junto aos sócios e conseguiu arrecadar 155 mil cruzeiros. O dinheiro foi usado para a compra de um monomotor, modelo Fairchild PT-19, doado para a FEB e batizado como "Coelho Netto", uma homenagem ao escritor, patrono e sócio do clube.

A cerimônia de entrega aconteceu no dia 11 de outubro, antes de um Fla x Flu válido pelo Campeonato Carioca, no Estádio de Laranjeiras. O clube também ofereceu um curso de enfermagem para os pracinhas que iriam para a guerra e cedeu o seu stand de tiro, um dos mais modernos à época, para treinamentos militares.

"Nos anos 1940, o Fluminense ficava localizado em uma área extremamente estratégica do então Distrito Federal, bem próximo da esfera de poder do Brasil. O fato de o clube ter se posicionado ideologicamente naquele momento e ainda revelado o avião ao público em um histórico Fla-Flu no Estádio de Laranjeiras foi muito emblemático dentro dos esforços de guerra do país. A iniciativa ocorreu graças a uma cotização de sócios do clube, ou seja, uma espécie de crowdfunding. O grande exemplo inspirou muitas pessoas e até mesmo instituições nacionais naquele cenário de terror que o mundo vivia”, explica Dhaniel Cohen, do Flu-Memória.


Depois de mais de 70 anos, o clube recebeu em 2015 uma homenagem do Movimento Idish Flu, representante da comunidade judaica no Fluminense. Uma placa foi eternizada em Laranjeiras durante uma cerimônia junto ao acendimento das oito velas de Chanucá, fortalecendo a luta do Tricolor por um mundo melhor na época da Segunda Guerra. " Foi uma iniciativa partida do Fluminense, que faz com que a gente tenha o clube cada vez mais profundo no nosso coração porque além de judeus, tivemos o nosso clube do coração tomando uma iniciativa inédita para ajudar a Força Expedicionária Brasileira”, relata Mauro Szwarcwald, Tesoureiro do grupo, Idish Flu.

O Estádio de Laranjeiras durante a fase pré-Maracanã foi o grande palco do futebol brasileiro. Sediou o Sul-Americano de Seleções de 1919 e 1922, atual Copa América, além dos Jogos Olímpicos Latino-Americanos (1922), precursor dos Jogos Pan-Americanos. Foi palco de 18 jogos (13 vitórias e 5 empates) e 3 títulos da Seleção Brasileira. Recebeu grandes eventos como a missa campal para a construção do Cristo Redentor (1931), consertos de Villa-Lobos, além de ter presenças de presidentes como Epitácio Pessoa e Getúlio Vargas em diversos jogos.
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