Aos poucos, o Corona faz a bola parar junto com o planeta

Por Lucas Paes
Foto: Getty/UEFA/AFP


Paris Saint Germain e Borussia Dortmund duelaram sem torcida no Parc des Princes

O futebol, apesar de todo o aspecto espetacular que tem de quase sobrenatural, ainda é um aspecto social ligado as transformações que o mundo passa. Se o esporte bretão é capaz de explicar muita coisa no mundo, ele também não passa em branco pelas crises do planeta e a situação do Corona Vírus obviamente não ia passar em branco pelo esporte bretão, que começa, aos poucos, como todo o planeta, a parar por causa da que já é a maior pandemia registrada pela mídia.

A medida que esse texto é escrito, a medida que os minutos passam, ocorrem mais casos do Covid-19. A Itália, epicentro atual da pandemia, está praticamente parada sob todos os aspectos possíveis, vivendo um verdadeiro caos devido a doença de origem chinesa. A doença já começa a se espalhar pelo resto da Europa e várias ligas vão sendo paralisadas a cada minuto. Desde a Itália, até Espanha. Onde não há paralisação, os jogos são realizados com portões fechados. A gravidade do vírus não está em sí na taxa de mortalidade, mas sim na transmissão.

Já há casos de jogadores que contraíram o vírus. Rugani, da Juventus e Hubbers, do Hannover 96, foram os primeiros jogadores de futebol diagnosticados. A Juve entrou em quarentena, o que obviamente torna impossível que a Liga dos Campeões continue no seu calendário normal, já que a equipe bianconera jogaria com o Lyon na próxima semana. Enquanto as ligas anunciam jogos com portões fechados e campeonatos são paralisados, a UEFA já programa uma reunião para definir o que fará em relação a temporada e a Eurocopa, que tende a ser adiada.

Na América do Sul, já se começam a sentir os impactos do Covid. A Argentina já decidiu por jogos de portões fechados e a Libertadores foi oficialmente paralisada nesta quinta-feira, dia 12, com os jogos do dia sendo os últimos antes da competição parar. O impacto esportivo e financeiro não pode estar acima do impacto humano e nesse momento esse é o maior interesse relacionado com o Corona. O futebol, infelizmente e felizmente não está separado do mundo em que vivemos. A tendência é que vivamos um momento histórico onde não haverá jogos em nenhum lugar do mundo.

Por mais revoltante e triste que seja para quem gosta de futebol, o esporte infelizmente não está imune a crises mundiais. É fato que o corona mudará calendários por todo o Mundo. A Eurocopa certamente será adiada, a temporada européia provavelmente terminará junto ao começo da temporada 2020/2021, com prováveis férias forçadas em diversas ligas. A boa notícia é que na China, o surto já começa a dar sinais de melhora. A má é que a tendência ainda não é a mesma no resto do planeta.


O Brasil, de um calendário sufocado, terá uma situação inédita em suas mãos em breve, pois é inocência pensar que vamos passar incólumes pelo Corona. Já atrofiados, estaduais terão que ser paralisados em algum momento, assim como muitas atividades no país, principalmente devido ao temor de viver uma situação parecida com a italiana. A paralisação dos campeonatos é praticamente invevitável e adiar ações só pode tornar a situação pior quando esta explodir de vez. Acima de não criar pânico, é preciso também não criar uma situação de falsa segurança e mais uma vez, o "Ópio do povo" não pode ser isolado do resto da sociedade.

Aos poucos, o planeta bola, que sempre roda independente de qualquer circustância, vive a inédita situação da bola parar de rolar em todos os campos. A prudência e a solideriedade tem de estar neste momento acima de tudo. Para que os esforços de contenção do Corona sejam eficientes será necessário que o futebol, como todo o mundo, pare. Só o tempo dirá o quanto a pandemia surgida em Yuhan afetará o mundo, mas o futebol não está acima da saúde e, nesse caso, ele não pode ser a válvula de escape do planeta, como tantas vezes é.
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