Andrade na Desportiva Ferroviária

Foto: Ronaldo Kotscho / Revista Placar

O já experiente Andrade defendeu a Desportiva entre 1992 e 1993

Jorge Luís Andrade, ou simplesmente Andrade, é reconhecidamente um dos maiores vencedores do futebol brasileiro. Supercampeão pelo Flamengo, teve também o privilégio de conquistar título pelo rival Vasco. Em 1992, já com 35 anos, ele desembarcou na Desportiva Ferroviária, de Cariacica, no Espírito Santo, onde até levantou taça, mas amargou um rebaixamento.

Andrade começou a carreira no Flamengo, em 1976 e ficou até 1988, onde fez parte do grande time que ganhou tudo o que pôde na primeira metade dos anos 80. Porém, vale ressaltar que entre 1977 e 1978 foi emprestado à Universidad de Los Andes, da Venezuela. Quando saiu do Mengo, foi para a Roma, da Itália. Em 1989, voltou ao Brasil e defendeu o Vasco, onde foi campeão brasileiro. Depois, teve uma outra passagem pelo Rubro Negro e ainda defendeu Inter de Lages e Atlético Paranaense, até chegar a história que vamos contar.

No ano de 1992, os campeonatos nacionais foram realizados no primeiro semestre e a Série B contava com um visitante incomum naqueles tempos, um time grande, o Grêmio. Até por isto, a CBF instituiu que a Série A daquele ano não teria descenso e que 12 times subiriam da segunda divisão para a elite de 1993. Apesar de velado, tudo isto era para ajudar o Grêmio. O Tricolor Gaúcho ficou entre os 12 na primeira fase e abriu mão da etapa final.

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Porém, este gigantesco acesso foi a oportunidade de alguns times irem para a Série A. Paraná Clube e União São João, por exemplo, debutariam na elite em 1993. Outros, voltariam para o Brasileirão depois de alguns anos, como Ceará, Fortaleza e a Desportiva Ferroviária, que tinha jogado o principal escalão do futebol nacional pela última vez em 1985.

Pensando em ter sucesso no Brasileirão de 1993, a diretora da Tiva resolveu montar um planejamento partindo do segundo semestre de 1992, onde disputaria o Capixabão, fazendo uma mescla de jovens atletas com alguns experientes. Então, foi buscar China, revelado pelo rival Rio Branco, mas com passagem pelo Grêmio, Washington, o ex-Casal 20 do Fluminense, e Andrade.

A fórmula, no início, deu certo. Comandados por Jayme de Almeida, que anos depois conquistaria a Copa do Brasil pelo Flamengo, a Desportiva Cariacica sofreu apenas três derrotas em 24 jogos e levantou a taça do Capixabão de 1992. Parecia que a fórmula montada pela Tiva daria certo.

Porém, já em 1993, o time perdeu fôlego. No primeiro semestre, a Desportiva disputou o Capixaba e a Copa do Brasil. Sem Washington no meio do caminho, que foi para o Santa Cruz, a equipe nem chegou às semifinais do estadual, que foi conquistado pelo Linhares (e faria bonito na Copa do Brasil do ano seguinte) e no mata-mata nacional caiu na primeira fase para o Cruzeiro.

Para o Brasileirão, a Desportiva perdeu vários jogadores e Andrade passou a ser a grande referência. O treinador também mudou, já que Dudu, ex-jogador do Palmeiras e tio de Dorival Júnior, assumiu a equipe. Mas a campanha a campanha foi muito abaixo das expectativas.

Barbosa, Edson Garcia, Andrade e Wélder, quarteto da Desportiva Ferroviária no Brasileirão 1993
(Foto: Gildo Loyola/Cedoc/A Gazeta)

"Apesar de tudo, quando a gente jogava com os times grandes, principalmente no Espírito Santo, era um jogo de igual para igual. Os jogos eram muito equilibrados, até pela força que a Desportiva tinha. Nunca era jogo fácil para os adversários, principalmente com a gente jogando dentro de casa, e com o apoio da torcida", disse Andrade, em entrevista ao Globo Esporte.com.

Aquele Brasileirão de 1993 não foi muito bom para a Desportiva. Com uma campanha ruim, com apenas uma vitória, sobre o União São João, no Engenheiro Araripe, e com Andrade mais fora, contundido, do que jogando, a Locomotiva Grená ficou na lanterna do Grupo D, com apena seis pontos, feitos em um triunfo e quatro empates, e acabou sendo rebaixada para a Série B.

Andrade deixaria a Desportiva ao fim do Brasileirão. Depois, jogou no Linhares, Operário Várzea-grandense, Bacabal e Barreira, onde encerrou a carreira. Depois, virou treinador, onde foi campeão brasileiro pelo Flamengo, em 2009, após assumir como interino, e treinou vários outros clubes. Chegou a ser candidato a vereador no Rio de Janeiro, em 2012, e hoje, é empresário no ramo alimentício
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