sábado, 21 de dezembro de 2019

Yes, sir! O Mundo é do Liverpool!

Por Lucas Paes
Foto: FIFA.com


Firmino decidiu para os Reds, que são campeões do Mundo

"Si señor, give the ball to Bobby and he will score!" Foi duro, difícil, equilibrado, muito distante do passeio que se esperava, mas deu a lógica. O melhor time do planeta atualmente vence o Mundial de Clubes da FIFA. Apertado, na prorrogação, com muito mais sofrimento do que se esperava, o Liverpool venceu o Flamengo, no Estádio Internacional Kalifa, em Doha, por 1 a 0, apenas na prorrogação, porque enfrentou um time guerreiro, um time forte e um time que vendeu muito caro a derrota. A Europa já veio, o Mundo também, falta apenas aos Reds quebrar o jejum na Inglaterra, de tão incômodos 30 anos e que parece próximo de ruir neste ano. Si señor, o mundo veio porque Firmino, tão pouco valorizado, decidiu.

O começo do jogo, com o Liverpool desperdiçando chances, parecia indicar que daria a lógica e veriamos uma vitória tranquila. Pois essa impressão acabou ainda no começo da primeira etapa. Pois a partir daí, viu-se algo que ninguém esperava: o tão seguro, tão forte time vermelho inglês pareceu sentir o jogo e o Flamengo cresceu. Como se do outro lado o futebol de Zico fosse emprestado a Arrascaeta, como se Nunes encarnasse em Gabigol, como tantas outras histórias, o rubro-negro conseguia botar os ingleses na roda, criava chances, mas parava ou na ótima defesa inglesa, grande destaque do primeiro tempo pelo lado europeu, ou em Alisson. Os Reds, tão badalados, não conseguiam mostrar seu grande futebol. A etapa inicial acabou com os ingleses agradecendo pelo empate.

Na segunda etapa, um ritmo diferente: o Liverpool voltou forte, pressionando, ocupando o campo de ataque e na primeira chance, Firmino, que também havia perdido um gol feito no primeiro tempo, acertou a trave após linda jogada individual. O rubro-negro, tão bem no primeiro tempo, sentiu a diferença física e técnica e cedeu espaços, porém não cedeu vontade. Na base da garra, os brasileiros se desdobravam para evitar que Salah, Mané, Firmino, Keitá e todo o time dos Reds conseguissem abrir o placar. A grande chance flamenguista no segundo tempo foi extremamente perigosa, numa bicicleta de Gabigol que Alisson defendeu com competência. Alisson que foi firme quando foi exigido, assim como Diego Alves, que também se mostrou uma muralha no gol rubro-negro.

Era o apagar das luzes, tudo indicava prorrogação, até que finalmente entrou a jogada tão conhecida do time de Klopp, o contra-ataque. Mané saiu sozinho, cara a cara com o goleiro e acabou calçado por Rafinha. Primeiro, pênalti, depois, o na revisão do VAR se viu que foi fora da área. O árbitro nem falta decidiu marcar, em decisão polêmica. Mas, na pior hipótese possível para os ingleses, que agora vão passar por uma maratona de jogos que incluem uma final antecipada contra o Leicester na Premier League, o jogo foi para a prorrogação. 

Na prorrogação, o jogo seguiu equilibrado, então tinha que ser no detalhe. Detalhe brasileiro, do samba, da irreverência e do talento do tão pouco valorizado, pelo menos no Brasil, Roberto Firmino. Si, señor. Em rápido contra-ataque dos Reds, Mané serviu o brasileiro, que deu lindo corte em Diego Alves e mandou para o fundo das redes. Um balde de água gelada na cabeça do Flamengo, que tanto havia lutado até ali para evitar o gol. Era muito difícil buscar o empate. O título estava à poucos minutos de ficar com o Liverpool.

Não vale se estender muito sobre a prorrogação. O fato que mais importou foi um daqueles momentos decisivos, boa jogada do Flamengo, bola para Lincoln, dentro da área, livre como poucas vezes o ataque flamenguista chegou no jogo. O chute, porém, foi para fora, no que foi o último fôlego, o último suspiro de um Flamengo que vendeu caríssimo a derrota, de um Flamengo que deu aos Reds mais trabalho que times como Everton, Leicester e, ouso dizer, que o Manchester City, o Mengão lutou muito, mas é mais do que a hora do Liverbird abrir suas asas sobre o Mundo inteiro.

Ao torcedor rubro-negro, de um torcedor dos Reds, um sincero parabéns para um time que foi um adversário dificil, digno do Brasil, digno do tamanho da camisa do Flamengo, de um adversário que, não teria sido nenhum absurdo, poderia ter superado a sensação inglesa. O Flamengo merece todos os parabéns possíveis pelo trabalho de Jesus, pelo nivel em que chegou e em que deve continuar. Ao torcedor do Liverpool, dos cantos de Bangladesh as docas de Birkenhead, das praias brasileiras aos países árabes, festeje. Veio o Mundo, veio a Europa, falta só uma taça e todos sabem qual é, e se espera que venha nesta temporada.

A quem gosta de futebol, fique atento, procure meios de assistir, porque esse Liverpool já é histórico, porque esse time talvez fique conhecido daqui à alguns anos como o maior time da história do gigante inglês. Os títulos estão vindo, as conquistas estão chegando. Façam justiça a Firmino, tão ignorado no Brasil, dono de uma categoria particular e de um faro de decisão imenso. A engrenagem do time de Klopp poderia e deveria ser a engrenagem da Seleção Brasileira, que seria muito mais forte se soubesse usar Bobby, como a torcida do Liverpool carinhosamente o chama. Aliás, o KOP canta que literalmente "o melhor do mundo é Bobby Firmino.". Acima de qualquer coisa, que essa final sirva para mostrar ao Brasil o quão fantástico é Roberto Firmino. Si señor, o homem que deu o Mundial aos Reds.
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