Loco Gatti – O goleiro que já usou até camisa do Santos no Boca Juniors

Por Lucas Paes

Navarro Montoya e Hugo Gatti: o segundo com a camisa do Santos, mesmo jogando pelo Boca

A Argentina é um país lotado de jogadores históricos, por talento, por raça, por traços pessoais e é claro pela loucura. Como todos nós, latinos, de sangue quente, os argentinos vivem o futebol a flor da pele e tem lá seus traços de insanidade. De tão insano, um dos grandes goleiros da história argentina nem atende mais pelo nome, mas pela alcunha de “Loco”. Gatti foi um titã debaixo das traves do Boca Juniors, além de ter passado anos e anos defendendo o Gimnasia y Esgrima. Foi no Boca Juniors, porém que se consagrou. E foi pelos Xeneizes que protagonizou uma das cenas mais pitorescas de sua vida, quando atuou com uma camisa do Santos. 

Quem vê esse senhor, que completa 75 anos de idade neste 18 de agosto de 2019 nem imagina que Gatti era um jogador diferente. Nem se chamava de goleiro, dizia que era um jogador que usava as mãos. Em tempos onde era mais comum que goleiros ficassem sob as traves, gostava de sair com os pés, tanto jogando quanto evitando a chegada dos atacantes. Ajudou a mudar algumas coisas na posição de goleiro, principalmente na Argentina. Além de tudo, era muito vaidoso. Curtia camisas espalhafatosas e coloridas. Foi assim que chegamos a este episódio. 

Sempre se preocupando muito com a aparência, pois dizia que não jogava bem se não se sentisse bonito, Gatti usava bermudas ao invés de shorts curtos e prendia o cabelo com badanas coloridas. Assim, em 1988, em seu último ano de carreira, passou a usar uma badana rosa para prender seus longos cabelos, já no auge dos 44 anos e em fim de sua longa (e vitoriosa) carreira. Para combinar com o apetrecho, pediu ao amigo Rodolfo Rodriguez, que deixava o clube onde era ídolo, a camisa que usava. Foi assim que surgiu vestindo a camisa do Santos em três jogos no ano de 1988. Mas atenção: vestindo a camisa do Santos jogando pelo Boca! 

É uma cena que nos dias de hoje seria inacreditável (e claro, impossível), mas que aconteceu em tempos sequer tão distantes assim, se pensarmos no contexto histórico. Já quase na década de 1990, existiu um goleiro do Boca jogando pelo clube argentino vestindo a camisa santista. Seria como se hoje Everson decidisse do nada que defenderia o gol santista com a camisa do próprio Boca. Enfim, algo inimaginável. 

Gatti encerrou sua carreira e sua passagem pelo Boca em 1988, após 12 anos no clube Xeneize. Deu lugar a Montoya, que inspirou um tal de Rogério Ceni no gosto por camisas estampadas e coloridas. Jogou também por Atlanta, River Plate, Gimmnasia y Esgrima e Unión de Santa Fé, além de ter representado a Seleção Argentina em 18 oportunidades.
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