quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Fernando Ovelar - Um adolescente marcando em um clássico

Por Lucas Paes

Ovelar comemora seu gol diante do Olimpia (Foto: Divulgação/Cerro Porteño)

Com 14 anos de idade, muitos de nós estamos vivendo o auge da adolescência. Descobrindo nossas opções, nossa sexualidade, se divertindo com amigos, passando perrengue na escola... Em histórias ficcionais, vemos alguns personagens fazerem coisas grandes em tão tenra idade, como Harry Potter sendo campeão tribuxo, como Percy Jackson vivendo a batalha contra os antigos Titãs ou até mesmo Julieta, que já aos 13 vivia sua história de romance com Romeu. Tudo isso fica na ficcção, mas há quem desafie a lógica do mundo aos 14 anos: o prodígio Fernando Ovelar entrou para esta estatística, ao marcar um dos gols no clássico entre Cerro e Olímpia pelo Campeonato Paraguaio, numa das maiores rivalidades da América do Sul.

Nascido em 6 de janeiro de 2004, Ovelar tinha apenas 9 meses quando Messi, o principal jogador de nossos tempos, estreou com a camisa do Barcelona. Com sua idade, na verdade, as regras da FIFA  teoricamente sequer permitem que Ovelar tenha um contrato profissional de futebol. Apesar de não bater o recorde de Maurício Baldivieso, que estreou aos 12 anos na Bolívia, o atacante tem um fato histórico ao seu lado, pelo menos no que diz respeito a marcar gols.

Fernando é neto de Geronimo Ovelar, defensor que jogou pela Seleção Paraguaia campeã da Copa América de 1979, portanto, tem o futebol em seu sangue. Já há algum tempo é tratado como grande promessa do Cerro Porteño. Destaque das categorias de base do clube, foi observado pelo espanhol Fernando Jubero, que viu imenso potencial no camisa 17 do Ciclón e o lançou de titular no último dia 28 de outubro, diante do 3 de Febrero. Jubero é especialista na revelação de jogadores e passou anos observando atletas para o Barcelona, antes de virar treinador profissional no Paraguai, onde já passou por Olimpia, Guarani e Libertad. No clássico deste ainda recente domingo, ele foi titular novamente.

Foram necessários 14 minutos em campo para que Ovelar mostrasse um talento que pode levar a vôos longos. Numa jogada onde deu aula de posicionamento, ele recebeu a bola frente à frente com o goleiro rival e tocou com categoria invejável à muito marmanjo famoso no mundo da bola. Um belo gol que surpreende ainda mais levando em conta a juventude do seu autor. Casos semelhantes em idade são de nomes que se tornaram verdadeiras entidades da religião ludopédica, como El Dios Maradona, o Rei Pelé e o eterno Coutinho, craque que ao lado do rei fez parte da constelação santista dos anos 1960 e 1970.

Com tamanha apresentação para o mundo, antes mesmo da idade onde meninas bailam suas danças de debutantes, resta saber se a Ovelar teremos o eterno iluminar do Monte Olimpo futeboleiro, onde habitam as maiores lendas do esporte mais popular deste universo, ou se terá o mesmo destino de nomes como Freddy Adú, Bojan, Hachim Mastour e outras eternas promessas que jamais vingaram com a redonda. O certo é que, se tratando de um paraguaio jogando num time que constantemente frequenta as noites de Libertadores, veremos ou os possíveis primeiros passos de uma lenda ou o afundar de uma promessa próximos de nossos olhos.
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