sábado, 23 de dezembro de 2017

1997 - O grande ano de Edmundo

Por Lucas Paes

Edmundo comemorando gol em 1997: o grande ano de sua carreira

O atacante Edmundo, conhecido como Animal, apelido dado pelo narrador Osmar Santos, foi um dos melhores jogadores a atuar no Brasil nos anos 1990. Mas, exatamente há 20 anos, em 1997, o jogador viveu sua melhor fase, sendo considerado por muitos no Brasil como o melhor do Mundo. 

O Vasco, time de Edmundo em 1997, era uma verdadeira seleção no Campeonato Brasileiro. Porém, no ano anterior, o time não fez um grande campeonato. Só que a campanha de 1997 seria inesquecível não só para os vascaínos, mas para qualquer fã de futebol.

O ano iniciou com os vascaínos falhando em vencer o estadual. Edmundo fez 13 gols no torneio, mas o time perdeu a decisão para o Botafogo. Aliás, o craque protagonizou um lance curioso: no primeiro jogo da decisão, ele recebeu a bola na direita, foi cercado pelo zagueiro Gonçalves, fez a dança da bundinha, sucesso do grupo É o Tchan, passou pelo defensor e quase fez o gol. Porém, após conquistar o título no segundo jogo, os jogadores da Estrela Solitária também fizeram a dança da bundinha na comemoração, provocando o Animal.

Dupla de ataque com Evair, repetindo o sucesso no Palmeiras

A perda do estadual era um presságio não tão bom para o Brasileirão. Porém, o Almirante tinha naquele ano uma equipe jovem, com os promissores Juninho, Felipe e Pedrinho. Para trazer experiência, vieram jogadores como Mauro Galvão e Evair. Era esperado que o ídolo palmeirense fosse o artilheiro, mas aquela temporada seria de outro atacante. 

O começo do Animal no Campeonato Brasileiro foi bom, mas cresceria ainda mais. O entrosamento com Evair no ataque (os dois jogaram juntos no Palmeiras), já dava mostras de que o time iria bem. Porém, o jogo que mostrou que Edmundo seria "animal" mesmo naquele torneio foi a goleada diante do União São João. Foram seis gols, todos do Vasco diante da equipe de Araras, além de um pênalti perdido. Este é, até hoje, o recorde de gols em uma só partida do Brasileirão. A partir dali, a fera despertou.

Eram gols e shows em quase todas as partidas. Pedrinho, Felipe, Edmundo e cia. causavam pesadelos em defesas adversárias. Foram 55 pontos na primeira fase, a melhor campanha do campeonato e um favoritismo inevitável na fase final. Em estado de graça, Edmundo foi as redes 24 vezes na primeira fase, mas sua atuação mais marcante foi na fase final, em um jogo que entraria para a história.

Final contra o Palmeiras: Vasco campeão

O dia era 3 de dezembro é o adversário era o Flamengo. A vitória colocaria o Vasco na final. O Animal botou o Almirante na frente aos 10', mas aos 35', a expulsão de Nelson parecia dar aos rubro-negros as rédeas do clássico. Só que o que se viu no segundo tempo foi um show que nem o gol de Junior Baiano conseguiu parar. Edmundo marcou outras duas vezes, sendo o último gol um dos mais bonitos de sua carreira. Maricá fechou a goleada de 4 a 1 e a vaga na final, com a melhor campanha. Aquele foi o último show do Animal em toda a competição. 

A decisão, diante do Palmeiras, teve um fato curioso que favoreceu o Vasco e envolveu o seu camisa 10. No primeiro jogo, após tomar o cartão amarelo, Edmundo foi orientado a forçar a expulsão. Aquela advertência seria seu terceiro cartão, o suspendendo. Porém, a expulsão abria a possibilidade de um julgamento é um efeito suspensivo para o segundo jogo. Foi o que aconteceu e isso gera reclamações palmeirenses até hoje. 

As partidas da final acabaram sendo chatas diante de tudo o que os vascaínos haviam feito até ali. Depois de um empate sem gols no Morumbi, a equipe de Antônio Lopes garantiu a taça com outro 0 a 0 no Maracanã, garantindo um título justíssimo.

Os seis gols contra o União São João

Edmundo terminou a temporada com 42 gols em 52 jogos. Naquele ano, a FIFA pela primeira vez teve um jogador que jogava na América do Sul como um dos 30 melhores do ano: Marcelo Salas, do River Plate. Houve certa injustiça no esquecimento de Edmundo, que, para interesses dos fanáticos por estatísticas, marcou muito mais gols que o chileno no ano (e até que Ronaldo Fenômeno, diga-se de passagem. 

Melhor do mundo ou não, o Animal foi, sem dúvida, o grande jogador do Brasil em 1997. Uma temporada lendária e um recorde batido apenas por Dimba em 2003, que foi superado por Washington já no ano seguinte. Tempos que o torcedor do Vasco nunca mais esquecerá é que garantiram o atacante na Copa do Mundo de 1998.
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