segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Mais Cinco Minutos - O resgate da história futebol


Voltando à série de entrevistas com equipes que trabalham divulgando o futebol, principalmente o que não tem muito espaço na mídia, O Curioso do Futebol conversa agora com a galera do Mais Cinco Minutos, que tem um canal no Youtube que fala sobre especialidades do esporte e também uma página no Facebook.

Formado por Lucas Castro, Stefano Belangero, Ettore, Belangero, André Baraldi, Eduardo Ruys, Danilo Dias e Marcelo Pedro, o Mais Cinco Minutos se destaca justamente pelo material bem diferenciado e menções que poucos lembram. Batemos um papo com o radialista Lucas Castro, de 27 anos, e o estudante de direito Stefano Belangero, de 25, e você pode conferir a entrevista abaixo:

O Curioso do Futebol: Lucas e Stefano, para começar, conta como começou esta paixão por futebol?

Stefano Belangero: O futebol sempre fez parte da minha vida, desde criança, jogando nas quadras, campeonatos da escola e da escolinha de futsal. Claro que por ter a historia do meu avô (Roberto Bellangero) como jogador me impulsionou a gostar mais do esporte. Porém, cresci em uma época onde vi Romário, Dunga, Taffarel, Marcos, entre outros monstros do futebol, então não tinha como não se apaixonar, cada jogo era uma história diferente. Em nossa época ver um Grenal era divino, ver o Renato Gaúcho no Fla-Flu, o Edmundo destruir em campo era simplesmente perfeito. Ter como clássico nacional nos anos 90 Palmeiras e Grêmio foi um grande marco pra mim no futebol. Então essa paixão nunca irá morrer.

Lucas Castro: A minha paixão por futebol teve início logo quando aos 3 anos de idade. O primeiro contato de maior relevância foi durante a Copa do Mundo de 1994, com Romário e Bebeto fazendo dupla de ataque e conquistando o Tetra. Meu saudoso pai sempre jogava bola comigo, sempre assistia os jogos comigo pela TV e me levou pela primeira vez no Estádio. O futebol se funde com a minha existência. Minhas idas ao estádio, não passam de uma terapia essencial para poder sobreviver no dia a dia. É basicamente minha alma, independente de qualquer adversidade.

Sobre a Hungria de 1954

OCDF: Como surgiu a ideia de criar o Mais Cinco Minutos e como foram as primeiras empreitadas?

LC: A ideia surgiu no começo dessa nova década, mais ou menos em 2011, quando já estávamos relembrando alguns feitos do passado e notávamos que o futebol estava mudando para um cenário que não concordamos muito, presenciamos os novos comportamentos das torcidas, dirigentes e até mesmo jogadores. Com isso sempre discutíamos e no final ficávamos pensando em passar essa ideia adiante. Porém sempre postergávamos por conta de outras prioridades. Após o termino da Copa do Mundo de 2014 e o vexame da seleção, decretemos que precisávamos pelo menos tirar esse “sofá da nossa garganta”. E criamos o canal no intuito de resgatar a essência do verdadeiro futebol, de não deixar morrer coisas que fez a gente nos apaixonar. Claro, sem sermos pretensiosos. A empreitada no caso vem sendo um trabalho de pesquisa intenso, com muita disposição e sem recurso algum. Prezamos pelo resgate das boas memórias e sempre com a veracidade impecável das fontes, assim como ‘O Curioso’ faz.

Vídeo falando do Bangu

OCDF: E como foi definida a linha de abordagem do Canal no Youtube e também as postagens no Facebook?

LC: O resgate, um espaço para aqueles que foram deixados de lado. O futebol, a mídia, a procura hoje é por esse futebol “comprável”. Não condenamos quem gosta, mas aqueles que não gostam, ficaram de lado, foram desprezados. A gente se sentiu assim também... Então tentamos passar essa abordagem, tanto no canal como no Facebook. Dos maiores e mais vitoriosos clubes de futebol aos menos prestigiados e com pouco espaço. No Mais Cinco Minutos, todos os times são gigantes. (Quase todos - risos).

A história do Jogo da Morte

OCDF: O que acha do atual futebol brasileiro?

LC: É meio complicado dizer, quando nos acostumamos a ver Romário, Bebeto, Ronaldo, Marcelinho Carioca, Edmundo, Rivaldo, Djalminha entre milhares de outros jogadores monstruosos, mais precisamente da década de 90. A gente fica mal acostumado e de repente... BOOM! Dependemos única e exclusivamente do Neymar. Um moleque que joga demais, mas é extremamente antipático. Nosso único “craque-craque”, de nível altíssimo. O restante, são bons jogadores, sem qualquer tipo de comparação com o passado. Os clubes estão à mercê do comércio que o futebol virou hoje, revelar qualquer porcaria pra ganhar dinheiro e pagar as dívidas. Quase inexiste um trabalho de base bem feito. E as Federações de Futebol de cada Estado, além da CBF são diabólicas, o verdadeiro Satanás do futebol. Então, pelo que parece, somos nós que precisamos nos adaptar a esse novo meio do futebol e almejar que um dia, quem sabe, possamos ter três, quatro craques pra cada posição.

Arte informando o título da Briosa

OCDF: Assim como em O Curioso do Futebol, o Mais Cinco Minutos sempre aborda temas com os clubes pequenos. Qual a importância disso para o canal e também a divulgação?

LC: Não que tenhamos um público alvo referente a clubes e torcidas, mas esses times são praticamente a alma da página. Dar o devido valor, passar esse sentimento de carinho e fazer com que se sintam importantes (e realmente são), isso passa uma sensação de dever cumprido. Uma realização única. Pois além de importantes na história do futebol, são a verdadeira resistência desse futebol elitizado que deparamos no dia a dia. Ser gremista, palmeirense, corintiano, flamenguista, atleticano hoje, quer dizer que se não tiver uma boa renda ou não ser “sócio torcedor”, você irá apenas uma ou duas vezes no máximo ver o time do seu coração jogar. Enquanto isso, o Juventus da Mooca, o Bangu, o Juventude, o Operário Ferroviário, a Portuguesa Santista, o América-PE, esses inúmeros times dão acesso justo aos torcedores. Eles são a verdadeira essência do futebol, além de muitos outros.

Argentinos Juniors

OCDF: Para vocês, quais foram os melhores momentos do canal Mais Cinco Minutos e quais as postagens no Facebook que tiveram mais sucesso?

SB: Para mim o programa do George Best. Foi onde nós trabalhamos demais, teve uma pesquisa monstruosa e um trabalho de edição perfeito. Portanto, considero esse momento muito especial para o canal.

LC: Difícil dizer. Algumas postagens tiveram uma repercussão grande por conta de compartilhamentos de páginas enormes, como o Cenas Lamentáveis, Futirinhas e Doentes por Futebol. Por realização pessoal, os vídeos da Hungria de 54, do Argentinos Juniors e o Jogo da Morte, talvez tenham sido o melhor momento pra mim. Já no facebook, alguns posts tiveram pesquisa intensa, dedicação enorme, outros renderam absurdamente muito por causa de compartilhamentos, mas eu vou citar o post do acesso do Guarani, por tudo que o time passou, por tudo que os torcedores passaram, por ser um gigante adormecido e por eu estar presente no estádio e ter presenciado tudo aquilo ao vivo e fazer parte da história.

Falando sobre George Best

OCDF: Estão planejando alguma novidade?

LC: Sim, existem planos tanto para o canal quanto para a página, criação de novos quadros e aumentar a interação com o público. E quem sabe um site futuramente. 

OCDF: Para encerrar, diga algo que não foi abordado nas perguntas e deixar algum recado.

LC: Se há arrependimento de algo? A resposta seria sim, pelo fato de termos começado dando muita “porrada” e consecutivamente tomamos muitas também. Não que nos arrependemos do que falamos, mas sim do jeito que passamos a mensagem. Poderíamos ter passado a ideia de um jeito diferente, ter nos expressado de um jeito melhor.
E apenas uma menção honrosa é que sempre fazemos questão de homenagear os fãs da página, todos eles. Reservamos uma vez por mês para essas pessoas, que fazem do Mais Cinco Minutos um lugar maravilhoso. E que sem elas, nem se quer existiríamos. 
O recado que deixamos é em tom de poesia: O que pode ser visto é mortal e o que não pode ser visto é eterno. Por isso o futebol transcende sobre qualquer coisa, por causa do seu, do meu, do nosso sentimento por ele, coisa que ninguém entende se tentarmos explicar, coisa que jamais conseguiríamos também. Apenas sentimos, deixando-o imortal.

Confira os links para acompanhar o trabalho do Mais Cinco Minutos:

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