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Charles Miller foi mesmo o ‘pai’ do futebol brasileiro?

Por Fabio Rocha
Foto: arquivo

Charles Miller é considerada a pessoa que trouxe o futebol para o Brasil

Hoje foi a estreia do Brasil na Copa do Mundo do Catar, mas também seria o aniversário do cara que ficou conhecido como o “pai” do futebol brasileiro. Charles Miller, nasceu em São Paulo, no dia 24 de novembro de 1874, e foi o cara que trouxe o futebol ao Brasil, mas alguns especialistas e historiadores contestam essa versão.

Filho de um pai escocês e uma mãe brasileira de ascendência inglesa, o garoto, ainda muito jovem, foi estudar na Inglaterra, que é onde surgiu o esporte futebol. Por lá, Miller aprendeu diversos esportes novos e entre eles o futebol, mas isso é só o começo de uma grande história. Charles ficou na Europa até seus 19 anos, quando retornou ao Brasil em 18 de fevereiro de 1894.

O jovem retornou para trabalhar no São Paulo Railway, que depois se tornou Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Miller trouxe em sua bagagem duas bolas usadas, um par de chuteiras, um livro de regras de futebol, uma bomba de encher bola e uniformes usados.

Não demorou muito tempo para o garoto mostrar esse esporte para outras pessoas e em 1895 teve a primeira partida oficial de futebol no Brasil. O jogo ocorreu entre funcionários da Companhia de Gás de São Paulo e o São Paulo Railway, empresa que veio para trabalhar.

A partida ocorreu no dia 14 de abril e o São Paulo Railway venceu por 4 a 2. Miller foi o cara fundamental na criação do São Paulo Athletic Club (SPAC) e também da Liga Paulista de Futebol. O SPAC venceu a liga nos três primeiros anos, em 1902, 1903 e 1904, com Miller jogando pela equipe. O jogador ficou no clube até 1911, quando se aposentou e se tornou árbitro de futebol.

Mas tudo tem um porém, e foi trazido por alguns historiadores que contentam o pioneirismo de Miller na história do futebol brasileiro. Com documentações e apresentações de alguns fatos, os historiadores trouxeram que o esporte já era praticado desde 1870.

Ainda não era futebol e, sim, uma pelada, porém já era praticado com uma bola e pessoas tentando fazer o gol. A pelada era praticada por marinheiros de navios mercantes ou de guerra, britânicos, franceses e holandeses. Mas nem tudo foi críticas a Miller, pois também tem seu méritos. Para os historiadores, Charles trouxe o futebol de forma organizada e trouxe mais público e jogadores, pois implantou o futebol dentro de alguns clubes e também foi criador de um.


Miller, querendo ou não, teve uma grande participação na criação ou na organização do esporte no Brasil. Mesmo com as críticas, também teve elogios e foi mostrado seu méritos. Mas a pergunta que fica é: quem começou com o futebol no Brasil?

Leônidas da Silva - Um pioneiro no futebol brasileiro

Leônidas foi o primeiro jogador brasileiro a utilizar o marketing e expandir a sua fama
(foto: arquivo CBF)

Está completando neste 24 de janeiro de 2019, 15 anos do falecimento do grande Leônidas da Silva. Dentro de campo, fica a lembrança de um super craque, que encantou o mundo principalmente por suas atuações pela Seleção Brasileira, Bonsucesso, Peñarol, Vasco,  Flamengo e São Paulo. Já fora do gramado, ele ficou marcado pelo pioneirismo.

Leônidas foi o primeiro atleta da história do futebol brasileiro a usar o marketing e a imprensa para se popularizar. Melhor exemplo disso foi sua atuação como garoto-propaganda do chocolate Diamante Negro, nos últimos anos da década de 1930. A Lacta criou esse produto para homenagear o craque, que já tinha o apelido que deu nome ao chocolate, e usar sua fama como meio de alavancar as vendas. O gênio também fez propaganda para relógios e cigarros, e foi o primeiro ex-jogador a tornar-se comentarista esportivo de rádio no país.

O craque foi o primeiro também a aproveitar a condição de famoso jogador (negro) de futebol para conquistar as "moças de boa família". Desde a chegada do esporte bretão ao Brasil, na primeira década do século XX, até os Anos 30, os negros eram proibidos de jogar nos grandes clubes e era inadmissível que namorassem as mulheres das famílias mais tradicionais e importantes, mas sendo o Leônidas...os pais até que gostavam, dizia Mário Filho, ícone do jornalismo esportivo. Em terras tupiniquins, foi o primeiro jogador a romper essa barreira.

Em 1938, na França, o Diamante Negro tornou-se o primeiro jogador a fazer um gol de bicicleta em uma Copa do Mundo. A nota triste é que o lance foi anulado, pois o juiz desconhecia o movimento e o considerou ilegal. Apesar disso, o nome do craque segue até hoje ligado à bicicleta. Muitos o consideram o inventor dessa jogada, mas o próprio Leônidas admitia que só havia popularizado o lance acrobático, que já era praticado nas ruas.

Na Seleção - Disputou duas Copas do Mundo: 1934, quando fez o único gol brasileiro na competição (na derrota por 1 a 3 para a Espanha), e 1938, na França, quando foi o principal artilheiro, com sete gols em quatro jogos, e eleito pela imprensa europeia como o melhor jogador daquele Mundial. Naquele ano, Leônidas era jogador do Mais Querido. Só não jogou as Copas de 1942 e 1946, porque não aconteceram, devido à Segunda Guerra Mundial.

No quesito média de gols por partida, Leônidas da Silva é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira. Em 37 jogos, ele marcou 37 gols. Nem mesmo Pelé, com média de 0,77 gol por confronto, superou o ídolo rubro-negro.

Ponte Preta: o primeiro time do Brasil a aceitar afrodescendentes

Miguel "Migué" do Carmo, o primeiro jogador negro do futebol brasileiro

O futebol, em seu início, era um esporte de elite. Tanto na Inglaterra, onde o esporte nasceu, quanto no Brasil ou na maioria dos países que já conhecia a modalidade, ainda no final do século XIX. Charles Miller, só para citar um exemplo, era de uma família abastada, tanto que fez seus estudos na Europa e lá conheceu o futebol. Os primeiros a marcarem gols por aqui também vinham de famílias ricas.

Muitos clubes nascidos das colônias de países europeus no Brasil não aceitavam sócios e jogadores nascidos ou descendentes de outras nacionalidades. As agremiações, as vindas de colônias e os de elite não aceitavam também afrodescendentes, pois o racismo, na época, ainda era muito forte. Vivia-se um período recente da Lei Áurea e muitos se negavam a conviver com os afrodescendentes. É inaceitável, claro, mas, infelizmente, era o que acontecia na época.

No início do século XX, quando os campeonatos apareceram, alguns clubes começaram a aceitar os negros. O Bangu tenta trazer para si a marca de ser o primeiro clube a aceitar afrodescendentes em seus quadros de atleta, já que em 1905 Francisco Carregal foi escalado em um jogo. Mas o primeiro jogador negro do Brasil foi da Ponte Preta: Miguel “Migué” do Carmo.

Entre os fundadores da Ponte existiam negros e mulatos, como Benedito Aranha, por exemplo, que fez parte da primeira diretoria alvinegra. Em fotos dos primeiros times do clube campineiro, há a presença de mais negros, ainda não identificados por pesquisadores. Migué do Carmo foi o primeiro, já que tornou-se jogador titular do primeiro elenco pontepretano, ainda no ano da fundação, em 1900, cinco anos antes de Francisco Carregal no Bangu, por exemplo.

Miguel do Carmo, nascido em Jundiaí no dia 10 de abril de 1885, segundo fiscal de linha da Companhia Paulista de Estradas de Ferro em Campinas no fim do século 19. Seria só mais um dos que se empolgaram com o futebol, esporte que havia chegado recentemente ao país, não fosse um detalhe que, para a época, era bem mais que um detalhe: a cor de sua pele.

Negro, nascido três anos antes da abolição da escravatura no país, Miguel do Carmo se tornou o primeiro descendente de africanos a jogar futebol por um clube brasileiro quando ocupou sua posição de "center-half" nas partidas iniciais da história da Ponte Preta, logo após a fundação da equipe em 1900.

A situação era impensável no fim daquele século e começo do próximo. Os times que praticavam o futebol no Brasil eram de clubes da elite branca. Alguns deles tinham regras que proibiam explicitamente a presença de negros em seus quadros.

Time da Ponte Preta no início contando com alguns afrodescendentes


Migué jogou pela Ponte Preta até 1904, quando foi transferido pela Companhia Paulista para Jundiaí. Morreu com 47 anos, em 1932, depois de passar por uma cirurgia no estômago. Além disso, porém, pouco se sabe a respeito dele.

A Ponte Preta, inclusive, já requisitou junto à Fifa o reconhecimento internacional por ter sido o primeiro time de futebol do mundo a aplicar o conceito de democracia racial. Mais ainda, a Ponte abraçou esta democracia em suas mais profundas raízes, a ponto de ter transformado preconceito em honra.

A torcida do clube sempre foi animada e acompanhava o time em todos os jogos do interior do Estado de São Paulo. Por ter na torcida uma base popular e operária, e por ter muitos negros tanto em campo quanto fora dele torcendo pelo sucesso do time, muitas vezes o time era recebido nos estádios adversários de maneira hostil.

Em uma época em que o conceito de racismo mal era conhecido, os rivais falavam que a torcida era formada por “macacos”, que o time era uma “macacada”. Em vez de brigar, a torcida transformou hostilidade em bom-humor e assumiu o apelido: a Ponte tem orgulho desde sempre de ser a Macaca, todos os seus torcedores amam a Macaquinha e fazem questão de ser os macacos do alambrado.

O Curioso do Futebol

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