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Pagão e sua passagem pelo São Paulo

Por Ricardo Pilotto
Foto: Arquivo

Pagão jogou no Tricolor por três anos

Paulo César de Araújo, ex-atacante do São Paulo, popularmente conhecido pelo seu apelido de Pagão, estaria celebrando o seu 89º aniversário nesta sexta-feira, dia 27 de outubro de 2023. Após fazer parte do Santos na 'Era Pelé', onde é o 9º maior artilheiro do clube até os dias de hoje, o avançado veio a defender as cores do Tricolor do Morumbi entre 1963 e 1966.

Sua chegada custou quinze milhões de cruzeiros aos cofres do time paulistano. Um de seus dias mais históricos com a camisa são paulina aconteceu naquela tarde do dia 14 de agosto de 1963, quando o Clube da Fé goleou o Santos por 4 a 1,  no gramado do Pacaembu.

Na ocasião, o Peixe abandonou o jogo no segundo tempo tendo apenas nove jogadores em campo, já que Armando Marques expulsou Pelé e Coutinho, ainda no etapa inicial. Em 1965, Pagão chegou a tentar retornar ao Peixe, mas, por falta de condições físicas ideais, participou de alguns treinamentos. Além disso, não teve mais nenhuma oportunidade de atuar no seu time de coração.


De acordo com o site ogol.com, o atacante disputou 59 partidas e marcou 14 gols pelo São Paulo. Dois anos depois, retornou à Baixada Santista, mas para jogar na Portuguesa Santista, onde veio a encerrar a carreira em 1967. Pagão faleceu em 1991.

Pagão - Um craque acima de todas as crenças!

Por Guilherme Guarche, do Centro de Memória do Santos FC
Foto: Arquivo Santos FC

Pagão foi um dos grandes centroavantes da história do Santos FC

Naquele distante sábado, dia 27 de outubro de 1934, um ano antes do Santos FC se sagrar campeão paulista pela primeira vez, nascia na cidade um garoto que recebeu de seus pais, Benedicto Luiz de Araújo e dona Perpétua Rodrigues, o nome de Paulo César de Araújo, mas que ficaria famoso no mundo do futebol com o peculiar apelido de Pagão.

A origem do apelido se deve ao fato de seu pai não tê-lo batizado nos primeiros dias de vida, como tradicionalmente ocorre, e sim quando o garoto já dava os primeiros chutes e participava de peladas com os garotos de mais idade nas ruas perto de sua casa, no bairro Vila Mathias, em Santos. Pagão começou jogando em times amadores da cidade. Primeiro na AA Americana, clube fundado em 1914 por dissidentes do Santos FC, e aos 16 anos, em 1951, passou para o CA Lanus.

Quem o convenceu a treinar nas equipes amadoras do Jabaquara AC, ainda em 1951, foi Arnaldo de Oliveira, o velho Papa, um descobridor de craques na várzea santista. Porém, insatisfeito com seu baixo rendimento no “Leão do Macuco”, Pagão pensou em abandonar o futebol e prosseguir em outra profissão. Porém, quis o destino que o habilidoso atacante fosse dar continuidade à sua carreira em 1954, na Portuguesa Santista, levado por seu tio Osvaldo Rodrigues, o Vadico, que era seu mentor e maior incentivador.

Pagão chegou ao Santos em 1955, aos 20 anos, tornando-se o jogador mais famoso a atuar nos três clubes profissionais da cidade. Sua primeira participação no Alvinegro Praiano ocorreu na goleada de 5 a 0 sobre o Guarani, na Vila Belmiro, em jogo do Campeonato Paulista. Nessa estreia Lula o escalou na ponta-direita de um ataque que ainda tinha Negri, Del Vecchio, Vasconcelos e Pepe.

Pagão jogava com a camisa 9, mas não era um centroavante típico. Na verdade era um meia atacante rápido, que se deslocava com muita facilidade, abrindo espaços na defesa contrária. De técnica refinada, fintas secas e passes milimétricos, era uma ameaça permanente para a zaga adversária.

Conquistou a vaga de titular na campanha do bicampeonato paulista, em 1956, quando foi o artilheiro santista da temporada, com 35 gols. Ele, Pelé e Pepe formaram um trio que os torcedores consagraram como “PPP”. Alguns saudosistas do futebol romântico jogado pelo Peixe no final dos anos 50 afirmam que o ataque composto por Dorval, Jair, Pagão, Pelé e Pepe foi o melhor que o clube já teve, superior até ao que viria na sequência, com a entrada de Mengálvio e Coutinho.

Durante um bom período, muitos apaixonados por futebol se deixavam levar por comentários maledicentes, que diziam que a amizade entre Pagão e Pelé não era das melhores e que não mantinham um relacionamento cordial, tanto dentro, como fora de campo. Insinuavam até que Pelé boicotava Pagão porque não o apreciava, preferindo jogar ao lado de Coutinho.

“Nunca houve nada disso, os dois eram amigos e profissionais!”, desmente Vadico, o responsável por intermediar a venda de Pagão para o São Paulo em 1963, por 15 milhões de cruzeiros.

Pagão permaneceu no São Paulo até 1965, enquanto Coutinho e depois Toninho Guerreiro assumiam pó comando do ataque santista. Ainda em meados de 1965 Pagão tentou voltar ao time santista, mas sem condições físicas ideais, apenas participou de alguns treinamentos, mas não jogou mais nenhuma partida pelo seu clube de coração.

Em 340 jogos pelo Alvinegro Praiano, Pagão marcou 157 gols é o nono artilheiro do Peixe, pelo qual conquistou os seguintes títulos: Campeonato Paulista de 1955/56/58/60/61/62, Torneio Rio-São Paulo de 1959 e 1963, Taça Brasil/ Campeonato Brasileiro de 1961 e 1962, Copa Libertadores e Mundial Interclubes de 1962.

Coutinho dizia para quem quisesse ouvir que o melhor centroavante que tinha visto jogar, melhor mesmo do que ele, Coutinho, era Pagão. Outro admirador confesso da genialidade desse craque que, por sua fragilidade física, era chamado de “Canela de Vidro”, é o escritor, cantor e compositor Chico Buarque de Holanda.

Em 1985 o compositor organizou uma partida do seu time de artistas, o Pindorama, no estádio de Ulrico Mursa e pôde realizar o sonho de jogar ao lado de seu ídolo.

“Ele era demais em campo. Um jogador de uma leveza admirável. Adorava quando ele pegava a bola no ar e com a parte de fora do pé, vindo de trás, chapelava o adversário. Quando morei em São Paulo, só ia ver futebol por causa do Pagão, para mim mais elegante e mais técnico que o Pelé” – disse Chico Buarque sobre Pagão.

Frases de quem viu o craque jogar

“Para mim, claro que excluindo Pelé, o maior futebolista é Pagão, ou, se o quiserem, foi Pagão. Classe como a dele, sutileza como a dele, leveza e graciosidade como a dele, nem Pelé.”
(Walter Dias, jornalista de Santos).

“O mais leve e insinuante jogador que já vi. Ele foi o melhor companheiro de Pelé”
(Melão, ex-jogador).

“Suas jogadas ajudaram muito o Pelé no início da carreira. Era um fora de série”
(Dorval).

“Foi o melhor centroavante com quem eu tive a oportunidade de jogar”
(Tite).

“Seus passes eram calculados, muito veloz. Foi o maior centroavante do Brasil, depois de Friedenreich”
(Athié Jorge Coury, ex-presidente do Santos).

“Como todo fora de série, tinha um gênio muito forte. Era tinhoso, mas muito honesto e correto”
(Carlos Pierin, o Lalá).

“Foi o maior centroavante de todos. O Pelé era craque e tinha físico. O Pagão era só bola”
(Julião, ex-zagueiro e companheiro de Pagão no Lanus e no Jabaquara).

“Bom profissional. Não criava problemas para renovar contrato. Tecnicamente era perfeito”
(Augusto da Silva Saraiva, ex-dirigente do Santos).

“Ele era muito visado. Só paravam o Pagão na porrada”
(dr. Daló Salerno, ex-médico do Santos).

“Foi um nota dez. Um QI muito alto. Não é qualquer jogador que tinha essa facilidade com a bola”
(Mengálvio)

“Eu o considerava um gênio da bola. Mas nos últimos anos de vida estava desmotivado com o futebol”
(José Macia, o Pepe, que se tornaria um dos melhores amigos e conselheiros de Pagão, a quem costumava tratar de “Velho César”.).

O adeus - Paulo César de Araújo adoeceu quando ainda exercia as funções de Escriturário na Cia. Docas do Estado de São Paulo – Codesp –, ficando internado na UTI da Santa Casa de Santos durante 15 dias. Veio a falecer em uma quinta-feira, 4 de abril de 1991, por “falência múltipla de órgãos”. Tinha 56 anos.

Seu corpo foi velado no Salão Nobre da Santa Casa, que ficou pequeno devido à grande quantidade de amigos e admiradores que lá estiveram dando o adeus final ao craque genial e de temperamento forte. O enterro se deu no Cemitério da Filosofia, no bairro do Saboó. Pagão era casado com dona Irene Ogea de Araújo e com ela teve os filhos Paulo César e Luiz Antônio.

Em 2004, em justa homenagem ao craque que vestiu a camisa dos três times tradicionais da cidade, a Prefeitura de Santos batizou com o seu nome o estádio municipal inaugurado no bairro Santa Maria, na zona noroeste de Santos.

Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro - O Futebol de Chico Buarque

Por Victor de Andrade

Garrincha, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro: os ídolos de Chico Buarque

Um dos maiores compositores da música brasileira e grande escritor, com livros lançados pelo mundo inteiro, Chico Buarque de Holanda é um dos baluartes vivos da cultura do país. Nascido no Rio de Janeiro, em 19 de junho de 1944, Chico nunca escondeu de ninguém uma de suas maiores paixões: o Futebol!

Torcedor do Fluminense, Chico Buarque sempre demonstrou que acompanhava o esporte de perto, chegando a, inclusive, ter ídolos em outras equipes. Além disso, já um compositor famoso, montou o seu próprio time, o Politheama (que em grego significa "muitos espetáculos). Na verdade, o Politheama era um time de botão em que Chico transformou em uma equipe de amigos.

Chico Buarque, com a camisa do Portuários, de Santos, ao lado de Pagão

O Politheama sempre faz amistosos por todo o Brasil, transformando, em parte, o sonho de criança do compositor em realidade: de ser jogador de futebol. O time tem até hino, composto pelo próprio Chico Buarque. Aliás, ele é o camisa 9 da equipe, número usado pelo seu grande ídolo: Pagão.

Mas a relação de Chico Buarque com o Futebol não pára por aí. Em 1989, ele compôs e gravou uma música em homenagem à modalidade, com o nome da própria. Nela ele descreve alguns lances que sempre acontecem nos jogos, comparando-as a uma arte, como por exemplo:
♪ ♫♩ ♪♫ ♬ Para aplicar uma firula exata
Que pintor
Para emplacar em que pinacoteca, nega
Pintura mais fundamental ♪ ♫♩ ♪♫ ♬
O final da música escancara de vez a paixão de Chico Buarque pelo futebol. É onde ele fala de seus ídolos, aqueles que formavam a linha de ataque de seu time de futebol de botão, onde sonhava jogar com todos eles. Eram o ponta-direita botafoguense Garrincha, o meia tricolor e depois botafoguense Didi, o centroavante santista e maior ídolo de Chico, Pagão, o Rei Pelé e o habilidoso ponta--esquerda são-paulino Canhoteiro.
♪ ♫♩ ♪♫ ♬ Para Mané para Didi para Mané

Mané para Didi
para Mané para Didi para
Pagão para Pelé e Canhoteiro ♪ ♫♩ ♪♫ ♬
É, não dá para negar. Chico Buarque caminhou sempre lado a lado com o futebol.

Conheça a música

O Curioso do Futebol

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