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Perdão, Kylian

Por Matheus Teles
Foto: divulgação

Mbappé vem fazendo a diferença

Gênio. Fantástico. Excepcional.

Adjetivos não faltam para descrever o que Kylian Mbappé fez ontem na frente de mais de 47.000 torcedores no Parc des Princes, em Paris. O jovem atacante de 23 anos botou o jogo no bolso e fez o gol que deu a vantagem para a equipe da capital francesa no duelo contra o Real Madrid pelas oitavas de final da UEFA Champions League.

Menos de 24 horas depois do espetáculo da última terça-feira, o assunto desta quarta não poderia ser outro: Kylian Mbappé. Porém, mesmo que o francês tenha feito uma das melhores partidas de sua carreira na noite de ontem, alguns membros da comunidade do esporte mais popular do mundo ainda relutam em chamá-lo pelo adjetivo que lhe é devido: craque.

Eu já fui um deles e por isso te peço perdão, Kylian.

Existem inúmeras qualidades que fazem um jogador ser considerado um craque dentro de campo. Habilidade, inteligência, finalização, visão de jogo, inteligência tática são só alguns atributos. Certos jogadores possuem quase todas qualidades mencionandas anteriormente e por isso, indiscutivelmente, são considerados craques. Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar são alguns deles, por exemplo.

Por outro lado, pelo fato de não terem todas as qualidades atribuídas a um “craque”, alguns atletas acabam sendo deixados de lado por parte da comunidade futebolística e não são valorizados da maneira que devem, e acredito que Kylian Mbappe seja um deles.

Após uma grande temporada defendendo o Mônaco, Mbappe apareceu de vez para o mundo durante a copa de 2018, onde não só foi campeão do torneio, como também o melhor jogador da equipe francesa. No PSG, muitas vezes ofuscado pelo talento individual de Neymar, o francês nunca foi o grande protagonista do time por mais que tenha grandes performances individuais, como durante a grande vitória contra o Barcelona na última temporada, quando marcou um hat-trick em pleno Camp Nou.

Mas, mesmo com uma copa do mundo e os principais títulos do território francês em seu memorial de conquistas, na minha cabeça, e acredito que na de muitos também, parecia que ainda faltava algo para Mbappe entrar no seleto grupo de craques do futebol mundial.

Desde que me mudei para a França, já tive a oportunidade de ver Mbappe jogar ao vivo em quatro ocasiões. Em quatro partidas, eu vi o francês inúmeras vezes em posição de impedimento, executando dribles sem demonstrar nenhuma suavidade em seus movimentos corporais, perder chances claras de gols, reclamar como um garoto mimado que o seu companheiro de equipe, Neymar, não lhe passava a bola e fazer apenas um gol.

Mbappe não me encantou e só reforçou minha tese de que ele não era alguém que possuía os atributos de um craque. Acreditem, pensei até em cometer o erro de mandar a seguinte mensagem para minha família e amigos: “o Mbappe é um bom jogador, mas não é tudo isso que falam”.

Mas, ontem minha opinião em relação ao jovem jogador se tornou diferente e não foi necessário eu estar no Parc des Princes para mudar o meu pensamento.

A partida entre Paris Saint Germain e Real Madrid era o jogo que todos esperavam e ele sabia disso. Por mais que esta fosse a partida onde Messi jogaria contra o Real Madrid pela primeira vez desde sua saída do Barcelona, por mais que Neymar estivesse de volta, por mais que a equipe de Madrid apresente um futebol melhor que o PSG atualmente, os olhos do mundo estavam voltados para o garoto francês, especulado no clube merengue desde o começo desta temporada. E ele também sabia disso.

Na minha humilde opinião, um craque não é alguém somente extremamente talentoso, mas também alguém que decide quando seu time mais precisa. Como Neymar faz, como Cristiano faz, como Messi faz e como Mbappe vem fazendo ao longo desta temporada e fez ontem.

A partida foi extremamente díficil para os parisienses devido ao forte sistema defensivo espanhol e tudo se encaminhava para o 0x0. E aí o CRAQUE apareceu. Aos 94 minutos de jogo, cercado por dois jogadores adversários, Mbappe fez o imprevisível em um pequeno espaço, marcou um golaço e levou os torcedores do PSG ao momento máximo do futebol quando tudo parecia perdido.


Acredito que a minha reação após o gol foi a de muitos. Mãos na cabeça como quem não acredita no que está vendo, olhos vidrados na TV e um sorriso de orelha a orelha. Não, não sou um torcedor do PSG, mas amo o futebol e ontem Mbappe nos garantiu que o futuro do topo do futebol mundial estará em boas mãos quando os principais astros do momento se aposentarem.

Gostando do estilo de jogo do francês ou não, uma coisa é inegável: Mbappe é o principal jogador do PSG e um forte candidato a ser eleito o melhor jogador do mundo nesta temporada. Por enquanto, são 22 gols e 16 assistências em 32 jogos, além do título da UEFA Nations League pelo seu país em Outubro de 2021.

Espero que nas próximas vezes que eu assista este gênio do futebol mundial ao vivo, eu possa vivenciar momentos assim como os que estavam no Parc des Princes na noite de ontem puderam experimentar graças ao talento de Kylian. Após a partida de ontem, tudo que posso dizer ao craque Kylian Mbappe é que eu estava completamente equivocado, você é um craque.

Matheus Teles - Um brasileiro no "Soccer" universitário

Foto: Dale Grosbach

Matheus Teles em ação pela Park University

É bem comum estrangeiros irem para os Estados Unidos estudar cursos superiores com bolsas de estudo para também atuarem nas ligas esportivas universitárias. O Basquete, por exemplo, há jogadores universitários de vários lugares do mundo e até no Futebol Americano já tem um número considerável de estrangeiros. Porém, brasileiro jogando o Futebol, que eles chama de Soccer, não é tão comum, mas há um que está por lá.

Fazendo o curso de Jornalismo da Park University, no Kansas, Matheus Teles, de 20 anos, também defende a faculdade no campeonato de "Soccer" da National Association of Intercollegiate Athletics (NAIA). Atuando como segundo volante, o atleta está vivendo uma grande experiência na vida, acadêmica e esportiva. Batemos um papo com ele, que conta como é viver nos Estados Unidos e defender a equipe da universidade nos gramados.

O Curioso do Futebol - Como você foi parar nos Estados Unidos? Foi através do futebol mesmo? Qual a sua universidade e como a escolheu ou te escolheram?

Matheus Teles - Em 2016, uma empresa de intercâmbio esportivo que leva meninos e meninas para jogar futebol e estudar por uma universidade norte-americana iniciou as atividades na Baixada Santista e eu me interessei por isso. Fiz parte da empresa e eles me ajudaram no processo Brasil - Estados Unidos. A Park University, faculdade onde estudo, me mandou uma proposta e aí, em agosto de 2017, iniciei minha vida acadêmica aqui nos Estados Unidos.

O Curioso do Futebol - No Brasil, você chegou a passar por quais clubes nas categorias de base?

Matheus Teles - No Brasil, entre os meus 11 e 17 anos, rodei por alguns lugares como Internacional de Regatas, Meninos da Vila, SESI e Portuguesa Santista. Todos na Baixada Santista. Além disto, fiz algumas peneiras.

O Curioso do Futebol - Como foi a adaptação?

Matheus Teles - O meu processo de adaptação no começo foi um pouco complicado. Nunca havia ficado tanto tempo longe da minha família e dos meus amigos, então sentia muita saudade de casa. Também tive que me acostumar com uma rotina e cultura diferentes, mas do meu segundo semestre em diante tudo ficou mais simples. O frio aqui de Kansas City também dificultou um pouco as coisas, pois nunca havia passado tanto frio em minha vida.

O Curioso do Futebol - Como funciona o Campeonato Universitário de Futebol "Soccer" nos Estados Unidos? Há muitas fases regionais até chegar o nacional?

Matheus Teles - O futebol universitário é dividido em várias ligas (NCAA D1/2/3, NAIA, NJCAA, etc) e dentro dessas ligas existem conferências. Então, os campeões dessas conferências se enfrentam nos nacionais no final do ano. A Park University joga na NAIA.

Matheus está nos EUA desde 2017

O Curioso do Futebol - Como você avalia o nível das competições?

Matheus Teles - A competitividade aqui nos Estados Unidos é bem alta. A maioria dos jogadores são muito rápidos e tem um físico forte. Por isso, os jogos são em uma intensidade elevada e estar preparado fisicamente é essencial pra que você se saia bem no seu time.

O Curioso do Futebol - Há olheiros da Major League Soccer, North American Soccer League ou United Soccer League acompanhando as partidas? Algum representante de times de alguma dessas três ligas já te procurou?

Matheus Teles - Olheiros sempre existem em todos os lugares, mas até agora não recebi nenhuma proposta direta de nenhum deles, até porque jogo uma liga de menor expressão.

O Curioso do Futebol - E o que pensa no futuro? Espera seguir carreira no futebol dos Estados Unidos ou pensa em voltar e atuar no Brasil?

Matheus Teles - Para o futuro eu pretendo seguir carreira na área que estudo, o jornalismo. Mas se algo relacionado ao futebol aparecer em meu caminho, com certeza olharei com bons olhos e talvez siga no esporte.
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