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Desde 2019, o VAR já mudou mais de mil decisões no Brasileirão. Isso é evolução?

Foto: Fabio Souza / CBF

Central do VAR da CBF em operação durante partida do Campeonato Brasileiro, com árbitros analisando lances em monitores de vídeo.
Central do VAR da CBF em ação durante operação de árbitro assistente de vídeo no Campeonato Brasileiro

Desde que o VAR desembarcou oficialmente no Brasileirão, em 2019, a promessa era clara: menos erros, mais justiça e decisões mais corretas. Seis temporadas depois, a pergunta que segue ecoando nas arquibancadas — e nas redes sociais — é outra: o VAR realmente melhorou o campeonato?

Os dados do Espião Estatístico, que acompanham temporada por temporada o desempenho da arbitragem com auxílio do vídeo, ajudam a tirar o debate do campo da opinião e colocá-lo no terreno dos números.

Entre 2019 e 2025, o VAR provocou 5.035 paralisações no Campeonato Brasileiro. É o retrato de um recurso que passou por ajustes, mudanças de protocolo e, principalmente, por um aprendizado forçado em meio à pressão constante de clubes, jogadores e torcedores.

O ano mais impactado foi 2020, com 963 paralisações, auge de um período em que o VAR ainda buscava padronização. A partir dali, os números começaram a cair gradativamente, chegando a 624 interrupções em 2025, indicando uma atuação mais objetiva e menos invasiva no andamento dos jogos.

Mas nem toda paralisação vira revisão na beira do campo. No recorte das reviews na telinha, aquelas em que o árbitro é chamado para rever o lance no monitor, o Brasileirão somou 857 intervenções desde 2019. Curiosamente, o pico não está nos primeiros anos, mas em 2025, com 163 revisões, o maior número da série histórica segundo o Espião Estatístico.

Isso mostra que o VAR passou a atuar menos vezes, porém com maior peso decisório, chamando o árbitro apenas em lances considerados realmente determinantes.

E é justamente aí que mora o dado mais sensível — e mais ignorado — do debate. De 2019 a 2025, o VAR provocou 1.190 mudanças de decisão no Brasileirão. Em outras palavras, mais de mil vezes o que foi marcado em campo estava errado ou precisava de correção após análise em vídeo.

O número cresce com o passar dos anos e atinge 192 decisões alteradas em 2025, o maior da série. Não é um sinal de aumento de erros dos árbitros, mas sim de maior eficiência do VAR em identificar equívocos que antes passariam impunes.


O dado desmonta um argumento comum: o de que o VAR “não resolve nada”. Resolve — e muito. O problema é que ele resolve lances que, por natureza, geram revolta de um lado e alívio do outro.

Os números do Espião Estatístico mostram um VAR mais maduro, mais seletivo e mais decisivo. Menos interrupções desnecessárias, mais correções em momentos-chave e um impacto direto no resultado das partidas.

A temporada de 2026 mal começou e o VAR já voltou ao centro da discussão. Na primeira rodada do Brasileirão, decisões envolvendo impedimentos ajustados no limite do traço, possíveis pênaltis revisados após longas análises e lances de contato interpretados de formas distintas reacenderam velhas reclamações. Em alguns jogos, a intervenção do vídeo foi vista como correção necessária; em outros, como interferência excessiva em lances que antes seriam resolvidos no campo.

Se o VAR ainda é polêmico, os dados explicam o motivo: ele não eliminou a discussão, apenas a tornou inevitável. E talvez esse seja o maior incômodo de todos.

O Curioso do Futebol

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