Jornal francês L'Equipe retrata Infantino como fantoche de Trump após polêmica com árbitro somali

Capa da tradicional publicação francesa questiona postura da Fifa diante do impedimento de Omar Artan de atuar na Copa do Mundo.

Foto: reprodução

Jornal Francês L'Equipe
Parte da capa da edição desta quarta-feira do L'Equipe

A polêmica envolvendo o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (10). O tradicional jornal francês L'Équipe estampou em sua capa uma crítica direta ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, retratado como um fantoche do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A publicação repercute o caso que impediu Artan de atuar na Copa do Mundo após ele ser barrado pelas autoridades de imigração norte-americanas, mesmo possuindo autorização para viajar ao país.

L'Équipe critica postura da Fifa

Na capa da edição desta quarta-feira, o jornal francês utilizou uma ilustração de Infantino controlado por Trump para questionar a atuação da Fifa diante do episódio.

Além da imagem, o veículo destacou a frase “Bem-vindo aos Estados Unidos”, em uma referência irônica às restrições impostas ao árbitro somali e à política migratória adotada pelo governo norte-americano.

Para o jornal, o caso coloca em dúvida o discurso de universalidade e inclusão frequentemente defendido pela entidade máxima do futebol mundial.

Omar Artan foi impedido de entrar nos Estados Unidos

Considerado um dos principais árbitros africanos da atualidade, Omar Artan, de 34 anos, havia sido selecionado pela Fifa para trabalhar na Copa do Mundo.

O profissional deixou o Quênia e realizou uma longa viagem com escala na Turquia antes de desembarcar nos Estados Unidos. Apesar de ter conseguido uma autorização prévia para a entrada no país, acabou sendo barrado pelos agentes de imigração ao chegar ao aeroporto norte-americano.

Sem autorização para permanecer em território americano, o árbitro precisou retornar à Turquia e foi retirado do quadro de arbitragem do torneio.

Caso gera repercussão internacional

A situação provocou forte repercussão entre dirigentes, árbitros e profissionais ligados ao futebol ao redor do mundo.

Artan seria o primeiro árbitro da Somália a atuar em uma Copa do Mundo, o que tornou o episódio ainda mais simbólico. Diversas manifestações nas redes sociais questionaram tanto a decisão das autoridades americanas quanto a capacidade da Fifa de garantir a participação de profissionais credenciados para a competição.


Fifa diz não ter poder sobre decisões migratórias

Diante da repercussão, a Fifa divulgou um comunicado oficial para esclarecer o caso.

A entidade afirmou que não possui autonomia para interferir em decisões de imigração adotadas pelos países-sede e destacou que foi informada de que a situação de Omar Artan não seria revertida a tempo de sua participação na Copa do Mundo.

Mesmo com a explicação, o episódio continua alimentando críticas à organização do torneio e à relação entre a Fifa e os governos responsáveis por sediar a competição.

A capa
A capa do jornal desta quarta-feira
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